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A Porta Imitando Minha Voz

Author: Batistad
last update publish date: 2026-09-25 08:33:38

Nara

Era ver um homem escondido aparecer. Quando Cassian conseguiu respirar de novo, puxou-me para cima com cuidado quase reverente. Os olhos dele estavam desordenados. A boca, entreaberta. O rosto de Cassian, sempre tão fechado, agora parecia devastado de prazer e medo do próprio prazer. Perguntou se eu estava bem, rouco, sério demais para um homem que quase quebrara a mesa e ainda tinha a lua desenhando prata sobre as cicatrizes. Pisquei. Depois ri baixinho. Ele acabara de quase demolir móvei
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  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Noite Incompleta

    SeleneEstou aqui porque você mandou. A frase entrou no quarto como uma rendição perigosa. Perguntei e se eu mandasse ajoelhar. Darius não hesitou. Ajoelhou. O movimento foi lento, pesado, deliberado. Darius Varek, Alfa da Lua Sangrenta, de joelhos no meu quarto, sem plateia, sem prova, sem lei antiga. Apenas ele. Apenas eu. Apenas uma ferida querendo decidir se sangrava ou ardia. Senti o impacto no corpo inteiro. A loba dentro de mim rosnou de satisfação. Odiei o quanto gostei. Disse que não fizesse parecer bonito. Darius ergueu os olhos. Para ele não era bonito. Era verdadeiro.Verdade também podia ser manipulação. Então me use contra mim, se precisar. O desejo passou por mim como lâmina quente. Cuidado, Alfa. Minha voz saiu baixa, rouca. Ele percebeu. Estou tentando. Tentar não era o bastante. Então me diga onde coloco as mãos. Olhei para as mãos dele. Grandes. Marcadas. Capazes de quebrar ossos e de parar a um centímetro de mim quando eu dizia não. Lembrei delas em meu corpo com p

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Olhe

    SeleneEu disse entre, e Darius ficou imóvel. Disse meu nome, não como recusa, mas como quem toca uma lâmina para ter certeza de que ainda corta. Mandei que entrasse, não confessasse pecados. A mandíbula dele se moveu. Perguntou se eu tinha certeza. Aquilo acendeu uma faísca cruel em mim. Agora pergunta? Os olhos dele fecharam por uma fração. Golpe recebido. Quando abriram, havia dor. E vontade. E aquele esforço feroz de não tomar nada que eu não desse. Sim, respondeu. Agora pergunto. Abri mais a porta. Ele entrou. O quarto pareceu diminuir. Não porque avançasse. Parou a dois passos da porta, as mãos ao lado do corpo, o olhar preso em mim como se cada movimento precisasse de autorização escrita na pele.Fechei a porta devagar. O som do trinco foi pequeno, íntimo, perigoso. Darius respirou fundo. Sentiu meu cheiro. Eu vi. Seus olhos escureceram. A mão esquerda fechou, soltou, fechou de novo. O lobo sob sua pele se moveu, não contra mim, mas por mim, animal imenso obrigado a sentar dian

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar    A Porta Respira

    SeleneA porta fechada respirava Darius. Era ridículo. Madeira não devia respirar, não devia guardar o calor de um homem do outro lado, nem transformar um corredor inteiro em extensão do corpo dele. Mas eu estava deitada no quarto, sob lençóis frios demais para a pele acesa, e cada inspiração que vinha de fora parecia atravessar a fresta inferior da porta, rastejar pelo chão e subir por minhas pernas como uma lembrança que não pedia licença. Darius estava ali. No corredor. Guardando meu sonho. Guardando-me sem entrar. Obedecendo. Isso deveria me acalmar. Em vez disso, enfurecia, porque a presença dele não precisava de toque para alcançar lugares onde ainda havia dor.O vínculo reconhecia o cheiro dele antes da mágoa erguer muralhas. Sangue limpo. Lobo. Noite. Culpa. Desejo contido até virar febre. Era uma tortura refinada, quase cruel: o homem que me rejeitou agora parado do lado de fora como sentinela, e minha loba, traidora deslumbrada, roçando por dentro das costelas com uma única

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Porta Imitando Minha Voz

    NaraEra ver um homem escondido aparecer. Quando Cassian conseguiu respirar de novo, puxou-me para cima com cuidado quase reverente. Os olhos dele estavam desordenados. A boca, entreaberta. O rosto de Cassian, sempre tão fechado, agora parecia devastado de prazer e medo do próprio prazer. Perguntou se eu estava bem, rouco, sério demais para um homem que quase quebrara a mesa e ainda tinha a lua desenhando prata sobre as cicatrizes. Pisquei. Depois ri baixinho. Ele acabara de quase demolir móveis e perguntava se eu estava bem? Responda, exigiu, com aquele tom protetor que deveria me irritar e, infelizmente, me aquecia.Disse que estava bem. Ele tocou minha boca com o polegar, limpando-a com uma delicadeza íntima demais depois do que acabara de acontecer. Perguntou se eu tinha certeza. Prendi os dedos em seu pulso e disse seu nome. Ele insistiu. Diga. Revirei os olhos e respondi que sim, tinha certeza, estava bem, satisfeita, orgulhosa e talvez um pouco convencida. A boca dele quase sor

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   O Sabor Da Escolha

    NaraEu não quero que pare. A honestidade desceu pelo meu corpo como fogo líquido, e por um instante esqueci Morvan, o anel, a água morta, minha mãe chamando de dentro das paredes. Havia apenas Cassian, parado diante de mim como se minha boca fosse mais perigosa que todas as lâminas alinhadas sobre a mesa. Pousei as mãos nos quadris dele, sentindo os músculos contraírem. Beijei primeiro uma cicatriz baixa, perto da cintura. Cassian segurou a borda da mesa atrás de si, os dedos fechando na madeira. Senti o cheiro dele mudar. Mais escuro. Mais quente. Mais verdadeiro. Passei a boca por outra marca, lenta, quase reverente, e ele soltou um som tão fundo que minha pele respondeu antes da mente.Perguntei, baixinho, se era assim. Cassian baixou a cabeça. Os olhos dele eram ruína e contenção. Assim, minha fada. A palavra bateu em mim com força. Fada. Talvez ele já tivesse dito antes, mas nunca assim, nunca naquele tom rouco, como se eu fosse pequena demais para todo o caos que causava e peri

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Antes Que Escolham Por Mim

    NaraA voz de Maera não pediu que eu escolhesse entre medo e desejo. Pediu que eu escolhesse antes que alguém escolhesse por mim. Corra dele agora… ou beije-o antes que o anel escolha por vocês. A frase ainda tremia no quarto quando agarrei o rosto de Cassian com as duas mãos e o beijei. Não foi bonito. Foi urgente. Foi raiva contra destino, boca contra profecia, respiração contra a sombra que sangrava sob a lâmina na mesa. Cassian endureceu no primeiro segundo, como se o próprio corpo tivesse sido treinado para recuar diante de qualquer coisa que pudesse virar armadilha. No segundo seguinte, o rosnado dele quebrou contra minha boca.Ele respondeu. Não tomou. Respondeu. E isso foi pior. A mão grande dele subiu até minha nuca e me segurou com cuidado feroz, sem prender, mas deixando claro que todo o controle do mundo estava concentrado ali, na distância mínima entre apertar e esperar. A outra mão permaneceu fechada ao lado do corpo, como se tocar mais fosse uma porta que ele ainda não

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