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Luz Como Denúncia

Author: Batistad
last update publish date: 2026-09-13 04:34:48

Selene

A luz da manhã entrou no meu quarto como uma denúncia. Atravessou as cortinas finas, tocou o chão, subiu pelas bordas da cama e encontrou o vestido prateado jogado sobre uma cadeira como se a lua tivesse sido arrancada de um corpo e abandonada ali, ainda viva. Sobre o tecido, as linhas lunares apagadas pareciam cicatrizes. Na mesa, documentos, cartas e registros disputavam espaço com uma taça de água intocada, uma lâmina embainhada e uma fita de cabelo da cor da infância que eu não lemb
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  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   As Cicatrizes Dele

    NaraEu decidi que queria abrir todas, principalmente depois que Morvan ordenou que eu não tocasse naqueles registros. Olhei para ele e respondi que agora queria tocar com as duas mãos. Cassian ajoelhou-se e pegou um pedaço de tecido escuro antes que a água o alcançasse. O rosto dele mudou. Era dela, disse. Da sua mãe?, perguntei. Ele assentiu. O tecido estava marcado com sangue antigo e uma inscrição quase apagada: “A chave não é o anel. É a filha.” Senti um frio atravessar minha nuca. Selene se aproximou e leu por cima do ombro dele. A filha. A voz de Maera veio da gaveta, quase sopro, chamando meu nome. A água negra ondulou. Dei um passo para a gaveta. Cassian levantou-se imediatamente. Não. Começou.Ele disse que eu não entrasse no corredor. Respondi que não entraria. Ele não acreditou. Justo. Respirei fundo e acrescentei que pelo menos não inteira. Ele disse que isso não ajudava. Chamei seu nome. A forma como disse fez nós dois pararmos. Não foi provocação. Foi pedido. Ele ouviu

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Chave E A Coleira

    NaraEu sei. Duas palavras e um abismo dentro delas. Virei para Cassian e perguntei se ele sabia. Ele puxou o braço devagar, não para me afastar com violência, mas para se soltar do toque antes que o toque o desfizesse. Deixei. Porque ali havia diferença entre segurar e prender, e eu estava aprendendo mais rápido do que gostava. Cassian olhou para o anel no próprio dedo e disse que a mãe dele o usava. A água negra parou de escorrer, como se escutasse. Até Kaian ficou quieto. Cassian tirou a luva da outra mão com movimentos controlados demais e passou os dedos pelo anel escurecido. A prata lunar queimou de novo. Ele não reagiu.A mãe dele era guarda da ala inferior. Franzi a testa. Ela trabalhava ali? Antes de Darius assumir, antes de Cassian ser guarda dele, antes de saberem que havia sobreviventes nas minas. Selene ficou imóvel e perguntou o nome dela. Cassian demorou um segundo, como se nomear a morta fosse abrir túmulo. Ilyra. Morvan soltou um suspiro satisfeito e disse: Ilyra Vale

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   O Homem Do Anel

    NaraO aviso da minha mãe deixou a mão de Cassian mais fria que a água morta. Não foi recuo. Foi pior. Foi imobilidade. Cassian Vale — não, Cassian sem sobrenome que eu soubesse, Cassian de Darius, Cassian de aço, Cassian de frases curtas e olhos que pareciam nunca pedir nada — ficou parado ao meu lado com o anel queimado no dedo, a pele marcada de negro até o pulso, e pela primeira vez desde que o conheci, o silêncio dele não parecia controle. Parecia medo. A voz de Maera ainda respirava dentro da gaveta aberta na parede, repetindo que eu não entregasse a chave ao homem do anel. A frase se espalhou pelo salão inferior como se cada pedra tivesse aprendido meu nome.Olhei para a mão de Cassian, para o anel escurecido, para a queimadura subindo em linhas finas pela pele dele. Depois olhei para seu rosto. Disse seu nome. Ele não respondeu. Não piscou. A mandíbula estava rígida demais. Aquele homem podia atravessar flechas sem gemer, podia me segurar com um braço e a própria alma com o ou

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Outra Voz

    SeleneAgora Darius perguntava para não roubar, e isso era muito mais perigoso do que sedução. Disse não. Ele fechou os olhos, e o lobo dele gemeu pelo vínculo. Senti o som no próprio ventre como calor humilhante. Certo, respondeu, sem ressentimento. Isso me irritou ainda mais. Disse que odiava quando obedecia bem. Os olhos dele abriram. Algo escuro passou neles. Eu também, respondeu. A resposta foi quase um toque. Desviei o rosto antes que a vontade de sorrir se tornasse crime. A água morta ondulou, e o rosto de Liora reapareceu mais nítido. Minha mãe chamou. Voltei-me para a fonte, agradecendo e odiando a interrupção.Liora disse que a verdadeira Luna não era aceitação cega do Alfa. Eu sabia. Ela corrigiu que eu não sabia inteiro e precisava saber antes da mina. A água tremeu, mostrando imagens fragmentadas: Darius ajoelhado na neve; eu de pé no círculo; uma mulher sem rosto com uma coroa de prata; Nara gritando dentro de uma câmara azul; Liora acorrentada no coração da mina. A verd

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Sem Mentir Para Si

    SeleneA água morta tremeu como se já tivesse escolhido quem substituir, e Darius perguntou, com o lobo rosnando por baixo da voz, quem seria substituído. Morvan olhou para mim. A Dominante central, respondeu. Liora ocupava o coração do selo havia anos. A mina estava faminta por uma Voz mais jovem, mais inteira. Se eu entrasse ligada a um Alfa que se oferecia como culpa, a mina leria sacrifício. E todo sacrifício precisava de altar. A água negra tremeu. Liora fechou os olhos na superfície e sussurrou que ele dizia uma parte da verdade. Senti o sangue gelar e perguntei qual parte faltava. O rosto de minha mãe se distorceu, como se uma corrente a puxasse para longe.A voz veio mais fraca. A mina não queria apenas minha Voz. Queria minha escolha. Darius levantou-se devagar. Ninguém se moveu para impedi-lo. Senti cada centímetro daquele movimento no vínculo: dor nos joelhos, ferimentos nos pulsos, o peso da memória da rejeição ainda pregado aos ossos. Ele ficou de pé atrás de mim, mas não

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Água Que Não Reflete

    SeleneA água morta mostrou o rosto de Liora sem devolver reflexo algum aos vivos. A fonte escondida na parede da sala inferior escorria negra como noite sem lua, mas, em sua superfície, os olhos de minha mãe permaneciam abertos. Prateados. Fundos. Feridos por uma sobrevivência que já não parecia vida inteira, mas também não aceitava o nome de morte. Não me aproximei. O corpo queria. A filha queria. A Dominante dentro de mim ficou imóvel. Havia armadilhas demais naquele lugar para que qualquer desejo inocente merecesse confiança. Então apenas encarei a água, sentindo a marca lunar responder com dor, como se meu corpo reconhecesse minha mãe antes que minha mente conseguisse suportar.— Filha — a água sussurrou de novo.A voz de Liora vinha quebrada, atravessando pedra, corrente e febre. Cada sílaba parecia arrancada de uma garganta usada por outros por tempo demais. Atrás de mim, Darius ainda estava de joelhos. Não porque a prova o prendesse. Porque talvez não soubesse como levantar se

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