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O Frio Da Espera

Author: Batistad
last update publish date: 2026-09-20 07:35:27

Darius

A confiança morreu dentro dela antes que o corpo desistisse, e aquilo me ensinou que algumas mortes continuam andando. De volta ao salão, meu corpo real arqueou dentro do círculo. Meus joelhos batiam na pedra, os pulsos sangravam, mas nenhuma dor física alcançava a memória da fome dela. Alguém disse chega, longe demais. Nara. Chamou aquilo de tortura. Morvan respondeu com calma que era julgamento. Abri os olhos no salão por um instante. Selene estava diante de mim, ainda pálida, ainda co
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  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Onde Ninguém Chorou Por Ela

    DariusOs lobos selvagens eram atraídos pelo sangue dos pés dela, e Selene prendeu a respiração. Uma das feridas latejava. O cheiro do medo se espalhava apesar de toda coragem. Senti a mão dela apertar uma pedra. Uma pedra. Não lâmina. Não garra. Pedra. A mulher que deveria ter sido protegida por meu vínculo, por meu lobo, por sua alcateia, por mim, estava preparada para enfrentar predadores com uma pedra e uma vontade absurda de não morrer. O primeiro lobo se aproximou. O corpo de Selene paralisou por um segundo. Então algo dentro dela rosnou. Fraco. Novo. A futura loba. A futura Dominante. O predador parou. Não ajoelhou. Não fugiu. Apenas hesitou.Essa hesitação salvou sua vida. Selene ficou imóvel até o bando se afastar. Depois, quando o perigo passou, desabou no chão e chorou sem som. Voltei ao salão com um rugido quebrado. Eu devia ter ido atrás. O silêncio respondeu. Olhei para Selene. Ela estava muito perto agora, perto demais para segurança, longe demais para consolo. A sombra

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   O Frio Da Espera

    DariusA confiança morreu dentro dela antes que o corpo desistisse, e aquilo me ensinou que algumas mortes continuam andando. De volta ao salão, meu corpo real arqueou dentro do círculo. Meus joelhos batiam na pedra, os pulsos sangravam, mas nenhuma dor física alcançava a memória da fome dela. Alguém disse chega, longe demais. Nara. Chamou aquilo de tortura. Morvan respondeu com calma que era julgamento. Abri os olhos no salão por um instante. Selene estava diante de mim, ainda pálida, ainda com a garganta marcada pela sombra do anel negro, mas de pé. A Voz dela havia voltado em fios, e cada respiração parecia custar. Seus olhos estavam em mim, prateados e terríveis.Ela viu minhas lágrimas. Percebi pela forma como sua expressão mudou. Não suavizou. Rasgou. Como se me ver chorar fosse uma ofensa e uma vingança ao mesmo tempo. Como se uma parte dela quisesse dizer: agora sabe. E outra, menor, mais perigosa, quisesse se aproximar. Odiei essa parte por ela. O círculo me puxou de volta. A

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Neve Não Era Branca

    DariusA neve onde Selene caiu não era branca. Descobri isso quando meus joelhos bateram no chão da memória e afundaram num frio manchado de sangue. O mundo ao redor não era mais o salão inferior, nem o círculo vermelho, nem o altar da Coroa Partida. Era a fronteira norte da Lua Sangrenta na noite em que eu a expulsara. As árvores se erguiam como juízes tortos, negras contra um céu sem estrelas. O vento cortava a pele com dentes pequenos. O cheiro de pinho, lama congelada e medo vivo entrava pelos meus pulmões como punição. Eu estava no corpo dela. E no meu. Os dois ao mesmo tempo.Sentia os pés de Selene rasgados pelas pedras, a garganta ardendo de tanto segurar o choro, o estômago vazio contraindo sob o vestido fino. Sentia também meus próprios joelhos de homem ajoelhado na memória, minha mão ensanguentada tentando tocar pegadas que já haviam sido deixadas anos antes. A prova era cruel. Não permitia que eu assistisse apenas. Obrigava-me a habitar. Selene caminhava. Não havia lua suf

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Perdão Não Concedido

    DariusAquilo me destruiu, porque dentro daquela memória eu senti os joelhos de Selene querendo dobrar, sua boca querendo perguntar por quê, sua loba querendo uivar, seu coração querendo correr até o homem que deveria ser abrigo e bater no peito dele até encontrar o menino escondido atrás do Alfa. Mas Selene ficou de pé. Ficou porque cair daria prazer a eles. Eu, dentro daquela dor, quis vomitar. A memória avançou. Mirella sorrindo. Kaian observando nas sombras. Morvan com olhos satisfeitos. A ordem alterada. A expulsão. A floresta. Frio. O frio entrou em mim como verdade. Eu estava descalço. Não eu. Ela. Pedras cortavam os pés. A noite mordia os tornozelos, a panturrilha, a pele sob o vestido rasgado.Cada passo doía. Atrás, as barreiras da alcateia se fechavam. À frente, escuro. Selene não chorava ainda. Havia um tipo de orgulho que impedia até lágrimas, porque lágrimas congeladas pareciam rendição. Senti fome. Sede. Medo de lobos. Medo de homens. Medo de sobreviver tempo suficiente

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Eu Aceito Saber

    DariusEntre no círculo dela. Divida a dor. Tome para si parte do que a rejeição deixou. Meu lobo avançou contra minhas costelas. Sim. O homem parou. Não porque não quisesse. Porque sabia que dor podia ser mais um teatro masculino, outra forma de colocar o próprio sofrimento no centro da ferida dela. Selene me odiaria por isso. E talvez tivesse razão. Perguntei se, caso eu aceitasse, aquilo a obrigaria a alguma coisa. As vozes se moveram em sussurros, risos, canto distante. Disseram que não. Chamei-as de mentirosas. A prova respondeu que registrava sofrimento, não concedia perdão. Soltei uma risada sem humor. Finalmente uma lei honesta.A pedra acima mostrou Selene. Morvan retirara a mão do queixo dela, mas a Voz não voltara. A marca no peito dela tremia como chama em tempestade. Senti o terror dela pela ligação, mesmo coberto de raiva. Senti a ausência da voz como se uma parte do mundo tivesse sido apagada. Ela não precisava de mim para salvá-la. Mas talvez precisasse que eu parasse

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Dor Tem Cheiro

    DariusA dor de Selene tinha cheiro. Descobri isso preso sob a terra, com correntes vermelhas atravessando meus pulsos e a garganta cheia de um rugido que não encontrava céu. Cheirava a neve suja, a sangue pisado, a pele ferida pelo frio, a orgulho quebrado com as próprias mãos para não virar súplica. O julgamento subterrâneo não era uma sala. Era uma memória construída com pedra azul. As paredes respiravam vozes de mulheres. O chão tremia com cada batida da marca de Selene lá em cima. O ar era tão denso que parecia feito de juramentos apodrecidos, e no centro de tudo havia um círculo idêntico ao que Morvan abrira no altar, mas invertido, como se a fortaleza tivesse raízes e essas raízes fossem feitas de condenação.Eu estava ajoelhado nele. Não porque escolhera. Porque a prova me puxara. As correntes em meus pulsos não prendiam apenas carne. Prendiam lobo. Prendiam autoridade. Prendiam o instinto antigo de destruir tudo o que tocasse Selene. Cada vez que tentava me levantar, as corre

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