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O Trono Acordado

Author: Batistad
last update publish date: 2026-09-13 04:49:01

Mirella

Kaian me mostrou que eu já havia pedido sem voz, e o som que escapou de mim não combinava com a mulher que aprendera a ser silenciosa em público. Ele me segurou pelos quadris, mantendo-me presa ao prazer que eu fingia desprezar, e me conduziu com boca, mãos e uma atenção cruel até que a raiva virasse tremor. Não foi gentil, mas foi atento. Leu cada contração, cada pausa, cada tentativa minha de fechar as pernas e transformou tudo em mais provocação. Quando ergueu os olhos e disse que nã
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  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Mirella e Kaian, Veneno e Coroa Mirella

    A mão de Kaian ainda tremia quando se afastou do meu pescoço, e eu compreendi que um homem podia desejar uma mulher desesperadamente sem jamais escolher ficar ao lado dela.A marca de Seraphine ardia no chão da cela, espalhando veios vermelhos pela pedra azul. Minha garganta conservava o calor dos dedos dele. Não havia marcas, mas a lembrança daquele gesto me enojava mais do que qualquer ferimento. Kaian estivera perto demais de atravessar uma fronteira sem retorno. O pior era saber que uma parte de mim ainda queria a boca dele. Desejo, descobri, não tinha a menor obrigação de possuir dignidade.— Afaste-se — ordenei.Ele obedeceu.O gesto deveria ter me satisfeito. Em vez disso, deixou entre nós um vazio quente, quase ofensivo.Seraphine se apoiou na parede da cela, respirando com dificuldade.— Se terminaram de tentar destruir um ao outro, Morvan continua ouvindo.A voz dele respondeu das pedras:— E aprendendo.A marca vermelha avançou pelo chão. Kaian encontrou uma fenda na parede

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Kaian Não Perdoa Fraqueza

    MirellaMorvan disse que agora sabia exatamente onde cortar, e Kaian olhou para mim como se eu tivesse acabado de entregar a lâmina.A cela de Seraphine tremia atrás da grade, metade aberta, metade faminta. As correntes caídas nos pulsos dela ainda fumegavam, mas a marca no chão continuava segurando seu corpo como raiz de ferro. O ar cheirava a prata queimada, sangue Varek e minha própria pele ferida. Meus dedos ardiam onde eu tocara o fecho. A dor era limpa demais para me assustar. O olhar de Kaian, não.Ele estava parado a um passo de mim, uma mão na própria ferida, a outra fechada com tanta força que os nós dos dedos haviam perdido a cor. O homem que segundos antes pediu permissão para ficar atrás de mim agora voltava a ser algo mais antigo. Mais treinado. O filho de Aldar Ren Varek, criado para esmagar qualquer coisa que parecesse fraqueza antes que o mundo usasse contra ele.— Você abriu uma porta para Morvan — ele disse.A voz veio baixa.Perigosa.— Eu abri uma corrente.— Você

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar    A Primeira Escolha Certa de Mirella

    MirellaSeraphine me pediu ajuda com a mão estendida através da grade, e eu senti a parte mais feia de mim procurar vantagem antes de encontrar compaixão.Foi rápido. Quase imperceptível. Um cálculo antigo, elegante, treinado em salões onde sobreviver significava sorrir enquanto alguém decidia meu valor. A irmã secreta de Kaian era uma chave. Uma garantia de sangue. Uma arma contra Morvan, contra Aldar, contra a Coroa Partida e, talvez, contra o próprio homem que me olhava como se eu fosse o erro mais bonito e perigoso de sua vida. Se eu a libertasse, poderia negociar. Poderia cobrar. Poderia fazer Kaian ajoelhar, pedir, sangrar orgulho diante de mim.A velha Mirella teria amado essa ideia.A nova, se é que eu podia chamar aquela rachadura de novidade, olhou para a menina acorrentada e viu outra peça usada por homens que escreviam destinos com tinta de sangue feminino.Aquilo me enojou.Principalmente porque reconheci o tabuleiro.— Não toque nela — Kaian disse.O tom dele era baixo,

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Irmã de Kaian

    MirellaA irmã morta de Kaian respirava atrás de uma parede de prata lunar, e eu odiei perceber que a primeira coisa que senti não foi medo.Foi reconhecimento.Seraphine Varek estava sentada no chão de uma cela estreita, os joelhos dobrados, os pulsos marcados por correntes finas que desapareciam dentro da pedra azul. Tinha os olhos de Kaian, aquela mesma escuridão arrogante de quem nasceu perto demais do poder, mas nela a arrogância havia sido raspada até sobrar osso. Era jovem. Jovem demais para carregar aquele silêncio nos ombros. A marca da Coroa Partida no pulso brilhava fraca, como brasa sufocada. Uma moeda de sangue, pensei, e senti o pergaminho escondido contra meu peito pesar como uma segunda pele suja.Kaian deu um passo em direção à cela.— Seraphine.A menina sorriu sem doçura.— Ainda lembra meu nome. Que tocante. Pai teria ficado desapontado.A voz dela era seca, fina de desuso, mas havia uma lâmina ali. Família Varek, sem dúvida. Até quebrados, eles encontravam um mod

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Mirella Descobre o Sacrifício

    MirellaO sangue de Kaian escorria na direção da coroa de lua negra, e eu descobri, com ódio absoluto, que ainda me importava se ele morresse.Não deveria.Kaian Varek era ambição com boca bonita. Uma lâmina vestida de herdeiro. Um homem que me olhava como se eu fosse ferramenta, veneno, prêmio e pecado na mesma respiração. Ele havia calculado minha utilidade, pesado minha garganta, medido o quanto meu nome de falsa Luna ainda podia abrir portas que Selene fechava com sangue verdadeiro. Eu sabia disso. Eu carregava no corpete o pergaminho que provava o que ele aceitara: se o desafio falhasse, se a Coroa Partida não o reconhecesse inteiro, eu seria entregue como substituta ritual.Falsa Luna.Sangue útil.Cadáver conveniente.E ainda assim, quando os caçadores o arrastaram para a coroa, com o peito cortado e a arrogância rachada no rosto, algo em mim se moveu antes da raiva autorizar.Dei um passo.Um caçador bloqueou meu caminho.— Saia — eu disse.Ele não saiu.Sorri.Aquele sorriso

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar    A Verdade Sobre Aldar

    Selene A voz de Aureliane atravessou a mina como seda embebida em veneno, e todas as correntes invisíveis pareceram prender a respiração junto comigo. Finalmente a filha entendeu qual homem precisa cair primeiro. Kaian. O nome não foi dito por mim, mas ocupou o corredor inteiro. A coroa de lua negra pulsava ao fundo, lenta, viva, como um coração arrancado e mantido batendo por pura ambição. Senti Darius se mover atrás de mim, teimoso o bastante para tentar ficar de pé mesmo com o sangue ainda manchando as costelas. Virei apenas o rosto, e ele parou antes que eu precisasse falar. A obediência dele me irritava menos quando vinha misturada a dor. Isso me irritava mais. — Não levante — eu disse. — Kaian está solto. — E você está furado. Os olhos dele queimaram com febre e lobo. — Já lutei pior. — Não comigo decidindo se merece sobreviver ao próximo minuto. A boca dele quase sorriu, mas a ferida puxou a expressão para dor. Ainda assim, havia calor naquele olhar. O tipo

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