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Um Acordo Sem Piedade

Author: Batistad
last update publish date: 2026-08-01 01:00:16

Mirella

Porque o nome dele também pode enterrá-la.

A frase de Kaian ficou suspensa entre as pérolas quebradas e a coroa intacta.

Mirella odiou perceber que ele tinha razão.

Darius a escolhera.

Darius também a abandonara diante de todos antes mesmo de terminar de coroá-la.

Se voltasse com Selene nos braços, se cruzasse os portões da Lua Sangrenta trazendo a rejeitada como se ela fosse algo precioso demais para permanecer perdida, a alcateia não veria dever. Veria desejo. Veria culpa. Veria a fut
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    MirellaMorvan disse que agora sabia exatamente onde cortar, e Kaian olhou para mim como se eu tivesse acabado de entregar a lâmina.A cela de Seraphine tremia atrás da grade, metade aberta, metade faminta. As correntes caídas nos pulsos dela ainda fumegavam, mas a marca no chão continuava segurando seu corpo como raiz de ferro. O ar cheirava a prata queimada, sangue Varek e minha própria pele ferida. Meus dedos ardiam onde eu tocara o fecho. A dor era limpa demais para me assustar. O olhar de Kaian, não.Ele estava parado a um passo de mim, uma mão na própria ferida, a outra fechada com tanta força que os nós dos dedos haviam perdido a cor. O homem que segundos antes pediu permissão para ficar atrás de mim agora voltava a ser algo mais antigo. Mais treinado. O filho de Aldar Ren Varek, criado para esmagar qualquer coisa que parecesse fraqueza antes que o mundo usasse contra ele.— Você abriu uma porta para Morvan — ele disse.A voz veio baixa.Perigosa.— Eu abri uma corrente.— Você

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    MirellaA irmã morta de Kaian respirava atrás de uma parede de prata lunar, e eu odiei perceber que a primeira coisa que senti não foi medo.Foi reconhecimento.Seraphine Varek estava sentada no chão de uma cela estreita, os joelhos dobrados, os pulsos marcados por correntes finas que desapareciam dentro da pedra azul. Tinha os olhos de Kaian, aquela mesma escuridão arrogante de quem nasceu perto demais do poder, mas nela a arrogância havia sido raspada até sobrar osso. Era jovem. Jovem demais para carregar aquele silêncio nos ombros. A marca da Coroa Partida no pulso brilhava fraca, como brasa sufocada. Uma moeda de sangue, pensei, e senti o pergaminho escondido contra meu peito pesar como uma segunda pele suja.Kaian deu um passo em direção à cela.— Seraphine.A menina sorriu sem doçura.— Ainda lembra meu nome. Que tocante. Pai teria ficado desapontado.A voz dela era seca, fina de desuso, mas havia uma lâmina ali. Família Varek, sem dúvida. Até quebrados, eles encontravam um mod

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    MirellaO sangue de Kaian escorria na direção da coroa de lua negra, e eu descobri, com ódio absoluto, que ainda me importava se ele morresse.Não deveria.Kaian Varek era ambição com boca bonita. Uma lâmina vestida de herdeiro. Um homem que me olhava como se eu fosse ferramenta, veneno, prêmio e pecado na mesma respiração. Ele havia calculado minha utilidade, pesado minha garganta, medido o quanto meu nome de falsa Luna ainda podia abrir portas que Selene fechava com sangue verdadeiro. Eu sabia disso. Eu carregava no corpete o pergaminho que provava o que ele aceitara: se o desafio falhasse, se a Coroa Partida não o reconhecesse inteiro, eu seria entregue como substituta ritual.Falsa Luna.Sangue útil.Cadáver conveniente.E ainda assim, quando os caçadores o arrastaram para a coroa, com o peito cortado e a arrogância rachada no rosto, algo em mim se moveu antes da raiva autorizar.Dei um passo.Um caçador bloqueou meu caminho.— Saia — eu disse.Ele não saiu.Sorri.Aquele sorriso

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    Selene A voz de Aureliane atravessou a mina como seda embebida em veneno, e todas as correntes invisíveis pareceram prender a respiração junto comigo. Finalmente a filha entendeu qual homem precisa cair primeiro. Kaian. O nome não foi dito por mim, mas ocupou o corredor inteiro. A coroa de lua negra pulsava ao fundo, lenta, viva, como um coração arrancado e mantido batendo por pura ambição. Senti Darius se mover atrás de mim, teimoso o bastante para tentar ficar de pé mesmo com o sangue ainda manchando as costelas. Virei apenas o rosto, e ele parou antes que eu precisasse falar. A obediência dele me irritava menos quando vinha misturada a dor. Isso me irritava mais. — Não levante — eu disse. — Kaian está solto. — E você está furado. Os olhos dele queimaram com febre e lobo. — Já lutei pior. — Não comigo decidindo se merece sobreviver ao próximo minuto. A boca dele quase sorriu, mas a ferida puxou a expressão para dor. Ainda assim, havia calor naquele olhar. O tipo

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