LOGINFelipe observou o celular sobre a mesa por alguns segundos antes de discar. Sabia que Isadora provavelmente ignoraria sua ligação. Depois de tantos anos, qualquer mulher sensata faria isso. Mas também conhecia um detalhe sobre ela: quando algo ameaçava sua tranquilidade, ela precisava encarar o problema de frente.Sorriu discretamente ao ouvir a ligação ser atendida.— Alô?A voz era a mesma. Mais madura, mais firme... mas ainda carregava aquela suavidade que ele lembrava.— Pensei que não iria atender minha ligação.O silêncio do outro lado durou apenas um instante.— Você? O que quer ligando no meu celular?Era exatamente a reação que esperava.— Simples, precisamos conversar. Estou indo para sua cidade hoje. Estava viajando, mas voltei, e temos um assunto pendente para tratar.Ele não deu espaço para recusas. Informou onde estaria e encerrou a conversa antes que ela pudesse inventar alguma desculpa.Quando ela disse que era uma mulher casada e que não se encontraria com ele, Felipe
Antonella terminava de guardar alguns brinquedos de Lorenzo quando percebeu que Felipe e Helena haviam deixado a sala juntos.A princípio, não deu importância.Continuou organizando a estante enquanto Antônio distraía o neto com um quebra-cabeça.Alguns minutos depois, estranhou o silêncio da casa.Helena demorava a voltar.Felipe também.Sem fazer barulho, caminhou até o corredor que levava à varanda dos fundos.A porta de vidro permanecia entreaberta.Foi quando ouviu a voz da sogra.— Então existe outra mulher.Antonella congelou.O coração pareceu falhar por um instante.Permaneceu imóvel, escondida atrás da parede.Não queria ouvir.Mas também não conseguia sair dali.— Há quanto tempo isso está acontecendo? — perguntou Helena, com a voz embargada.O silêncio de Felipe foi pior do que qualquer resposta.Antonella fechou os olhos.Tudo o que imaginava havia se tornado real.Não era apenas uma desconfiança.Felipe realmente tinha outra mulher.Respirou fundo quando ouviu novamente
Felipe subiu para o quarto a fim de se preparar para o jantar.Na sala, Lorenzo brincava no tapete com Antônio, que se divertia montando uma pista de carrinhos para o neto. Na cozinha, Helena e Maria terminavam de organizar a mesa.Depois da ligação do detetive, Felipe tinha a sensação de que, em poucos dias, finalmente encerraria um capítulo importante de sua vida.Ao entrar no quarto, encontrou Antonella diante da penteadeira. Ela terminava de escovar os cabelos, sem sequer olhar para ele pelo espelho.— Pensei que fosse ficar trancado no escritório até a hora do jantar.A voz dela saiu calma, mas distante.Felipe fechou a porta atrás de si.— Resolvi adiantar algumas coisas.Sentou-se na cama e começou a tirar os sapatos.— Esta semana quero passar mais tempo na fazenda. Preciso descansar um pouco... e também ficar mais perto do Lorenzo.Antonella pousou lentamente a escova sobre a penteadeira.Sorriu de lado.Mas não havia alegria naquele sorriso.— Tenho certeza de que você desca
Felipe e Lorenzo tiravam algumas fotos juntos no jardim. Assim que escolheram as melhores, Felipe as enviou para Rafaela, que, naquele horário, estava trabalhando no plantão da tarde.Junto das fotos, escreveu que já sentia saudades dela, mesmo depois de terem passado uma semana inteira juntos.Guardou o celular no bolso e observou o filho correr pela grama.Em breve, precisaria prepará-lo para a separação dos pais.Apesar do medo de como Lorenzo reagiria, Felipe tinha certeza de uma coisa: Rafaela gostava do menino de verdade. Sabia que ela o acolheria com carinho e seria uma boa madrasta.Quando os dois voltavam para a casa, Antonella estacionou a caminhonete em frente à varanda.Assim que a viu descer do veículo, Lorenzo soltou a mão do pai e correu em direção à mãe.— Mamãe!Antonella abriu os braços e o recebeu com um abraço apertado.— Que saudade do meu príncipe!Ela beijou o rosto do filho antes de voltar os olhos para Felipe.— Chegou faz tempo?— Antes do almoço. Minha mãe c
Felipe e Lorenzo caminhavam pelo jardim da fazenda. Pai e filho conversavam sobre tudo o que o menino havia feito durante os dias em que o empresário esteve viajando.— Papai, eu dormi na fazenda dos vovôs. Foi muito legal!Felipe sorriu ao ver a animação do filho.— É mesmo? E o que vocês fizeram por lá?— Brinquei com os cachorros, ajudei o vovô a dar comida para os cavalos e a vovó Constância fez bolo de milho. Eu comi três pedaços!Felipe soltou uma risada.— Três pedaços? Então alguém exagerou.Lorenzo deu de ombros, sorrindo.— Estava muito gostoso.Os dois continuaram caminhando por alguns metros até que o menino falou, com a naturalidade típica das crianças:— A vovó Constância também disse que, se eu quiser, posso morar com ela.Felipe parou no mesmo instante.Aquela frase o atingiu de um jeito que não esperava.Tentando esconder a preocupação, perguntou com calma:— E por que sua avó disse isso?Os dois foram até um tronco de árvore que servia de banco no jardim e se sentara
— Não queria ir embora, mas preciso voltar para a fazenda.Felipe terminava de se vestir enquanto Rafaela organizava os últimos itens para o plantão daquela noite.— Vou ficar bem ocupada esta semana com os plantões noturnos. Vou sentir saudades, mas pelo menos podemos conversar por telefone.Ela fechou a bolsa de trabalho, pegou o blazer de Felipe que estava sobre o sofá e o entregou a ele.— É melhor você ir. Se demorar mais um pouco, vai pegar a estrada já no fim da tarde.Rafaela se aproximou para beijá-lo, mas Felipe a envolveu pela cintura e a puxou para mais perto, demorando alguns segundos antes de soltar seus lábios.— Vamos ficar alguns dias sem nos ver... e isso já está me incomodando.Ele sorriu, acariciando o rosto dela.— Vou sentir sua falta em cada minuto. Mas preciso resolver algumas coisas quando chegar.Rafaela arqueou uma sobrancelha.— Que assunto é esse que você vive mencionando e nunca me conta?Felipe respirou fundo.— É apenas uma dúvida que surgiu. Nada grave







