LOGINAntonella saiu do bar com o coração acelerado. A proximidade daquele jovem a deixava estranhamente nervosa. Enquanto caminhava até o estacionamento, percebeu que Gustavo vinha logo atrás, mantendo uma distância respeitosa.Ela havia saído apenas para espairecer, mas acabara encontrando alguém que despertara dentro dela uma sensação que acreditava estar adormecida havia anos.— Acho que você já pode voltar. Não preciso de escolta até o meu carro.Ela falou com delicadeza, sem soar grosseira.Gustavo sorriu.— Eu sei. Mas me sentiria mais tranquilo se visse você entrar no carro em segurança. Mesmo com esse movimento todo, nunca se sabe.Antonella balançou a cabeça, quase rindo.— Você sempre é tão teimoso?— Só quando acho que vale a pena.Ela desviou o olhar para esconder o sorriso involuntário.Ao chegarem ao carro, Antonella apertou o controle da chave, destrancando as portas.Virou-se para ele.— Pronto. Cheguei. Agora pode voltar.— Posso pedir uma coisa antes?Ela arqueou uma sobr
Helena reclamou de dor de cabeça depois do jantar, e Antonella voltou com a sogra para o apartamento de Felipe. Assim que chegaram, Helena avisou que iria dormir, deixando a nora sozinha, atormentada pela ideia de que o marido estava com outra mulher enquanto ela passava a noite na companhia da sogra.Antonella olhou o relógio. Ainda era cedo. Precisava sair um pouco, respirar e colocar os pensamentos em ordem. Rever Isadora havia despertado questionamentos que ela tentava ignorar havia muito tempo.Como um encontro tão simples podia fazer alguém perceber que a vida que levava era apenas uma ilusão?Escreveu um bilhete para Helena, avisando que daria uma volta de carro pela cidade e que voltaria antes de ficar muito tarde.Parou diante do espelho da entrada. Vestia uma saia jeans, uma blusa de botões e as botas que sempre usava. Pegou a bolsa, as chaves do carro e o celular, seguindo para o elevador sem destino definido. Queria apenas ficar sozinha, longe da sogra e de qualquer pessoa
Antonella permanecia na sala do apartamento da sogra enquanto Helena tomava banho. As duas haviam combinado de jantar em um restaurante próximo.Mais cedo, ela conversara com Antônio e Lorenzo. O menino confessara que sentia muita falta da mãe, e aquelas palavras ainda ecoavam em sua mente.Somente agora, sozinha, teve tempo para organizar os pensamentos depois de um dia tão conturbado.O encontro inesperado com Isadora não saía de sua cabeça.Durante anos, Antonella acreditou que havia vencido aquela disputa silenciosa. Fez de tudo para afastar Isadora da vida de Felipe, determinada a impedir que a jovem ocupasse qualquer espaço ao lado dele. No entanto, o destino parecia zombar de todos os seus esforços.Enquanto ela vivia presa a um casamento sustentado por mentiras, aparências e frustrações, Isadora seguira em frente.Pelo pouco que conseguira observar, a antiga garota de programa transformara completamente a própria história. Agora era uma mulher realizada, casada com um homem qu
Rafaela acordou antes de Felipe. O casal havia chegado de madrugada, e ele ainda dormia profundamente quando ela saiu da cama com todo o cuidado para não despertá-lo.Pegou a camisa dele, que estava sobre o sofá, vestiu-a e foi até o banheiro lavar o rosto. Ao voltar, abriu a porta do quarto silenciosamente e caminhou até a sala, lançando um olhar para o relógio na parede. Ainda era cedo.Decidiu esperar Felipe acordar para saber quais eram os compromissos do dia. Embora ele tivesse dito que aquela viagem seria para descansarem e comemorarem, ainda que com atraso, o aniversário dela, Rafaela sabia que os negócios sempre vinham antes do lazer.Foi até a varanda e observou o céu limpo daquela manhã. Talvez aproveitasse para passear pela cidade enquanto Felipe estivesse ocupado com Fernando. Durante o voo, ele já havia comentado que jantaria com o amigo naquela noite.A ideia de conhecê-lo ainda a deixava um pouco envergonhada, mas Felipe garantira que Fernando sabia da relação dos dois
Rafaela aguardava Felipe para buscá-la. Estava ansiosa com a viagem. Depois de tantos anos, voltaria a viajar ao lado dele, e isso a deixava nervosa e feliz ao mesmo tempo.Finalmente tinha conseguido uma semana de folga no hospital. Tudo estava organizado para a lua de mel que viveriam na Argentina. As roupas de frio já estavam na mala, e a expectativa de passar dias inteiros sozinha com Felipe em outro país fazia seu coração acelerar.Pela primeira vez, poderiam caminhar de mãos dadas, sem o medo constante de encontrar alguém conhecido.O celular vibrou.Era uma mensagem de Felipe.— Estou na garagem. Pode descer.Rafaela conferiu mais uma vez se portas e janelas estavam trancadas. Pegou a mala, a bolsa e saiu do apartamento.***Felipe aguardava dentro da caminhonete.Tudo estava preparado para aquela semana ao lado de Rafaela. Não havia deixado nenhuma pendência no trabalho; queria aproveitar cada minuto da viagem.Na volta, porém, teria outro compromisso.Pretendia ir até a cidad
Rafaela foi visitar os pais no meio da semana. Felipe estava ocupado com os afazeres da fazenda e, como o casal viajaria para a Argentina em alguns dias, a jovem decidiu passar um tempo com a mãe antes da viagem.— Filha, você vai viajar com uma colega do hospital?Flora perguntou enquanto preparava o lanche da tarde.— Sim. Vamos passar uma semana viajando. Nós duas conseguimos uma ótima promoção nas passagens.Rafaela respondeu com naturalidade, tentando impedir que a mãe desconfiasse de qualquer coisa. Ainda assim, Flora tinha a impressão de que a filha escondia algo.— Então aproveitem bastante. Se puder, compre algumas lembrancinhas para nós e tire muitas fotos.Rafaela se levantou, abraçou a mãe com carinho e sorriu.— Pode deixar. Vou aproveitar bastante. E a senhora não precisa se preocupar comigo.***— Papai, quando eu vou poder viajar com o senhor?Naquele dia, Lorenzo passeava a cavalo pela fazenda ao lado de Felipe.O empresário ficaria fora por uma semana novamente, e o







