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28 Michelle

last update publish date: 2021-06-01 05:09:45

28

Michelle

Michelle estava tão  “fula da vida” com toda aquela bajulação em cima de sua mãe, que ligou para Leide convidá–la para passar uns dias em sua casa de praia em Salvador, na Bahia.

     Leide sempre teve um jeito especial de conversar e convencer Antônia, nunca ninguém entendeu essa força sobrenatural que somente Leide tinha sobre ela, e é lógico que mesmo naquela agitação toda sobre Antônia, ela aceitou o convite imediatamente.

     Michelle sempre quis saber o que ela falava para Antônia sempre comer na mão dela, mas não importava, o que realmente deixou Michelle feliz foi que Antônia tinha desmarcado todos os seus compromissos e estava se preparando para aproveitar um carnaval fora de época na Bahia.

Leide foi buscá–la no dia seguinte – quarta–feira após a publicação da entrevista – e foram para a Bahia.

     As duas deram inúmeras risadas, Rennan – o filho de Leide – tinha ficado em Nova York fazendo um curso nas férias, então, as duas poderiam curtir tranquilamente aquela semana que Leide tinha programado para elas.

Estava acontecendo um carnaval fora de época, e Antônia detestava as músicas baianas – ela adorava Agnaldo Timóteo, João Gilberto e Caubi Peixoto, esses eram seus cantores favoritos.

     –– Se eu soubesse que você iria me trazer para ouvir essas porcarias eu tinha ficado em casa... – disse ela resmungando de tudo, como sempre.

     –– Desde quando eu te levei nos lugares para ouvir música?

     Leide deu uma risada gostosa enquanto ajudava Antônia a desfazer as malas.

     –– Você precisa agitar os esqueletos um pouco – continuou Leide – você está um pouco enferrujada:

     Bem enferrujada – pensou ela.

     –– E nada melhor do que um bom baiano para colocar esse corpinho maravilhoso em forma novamente.

     –– Como assim?

     –– Confia em mim, você vai voltar novinha em folha para São Paulo.

     Antônia adorava Leide, era a sua melhor amiga, mas ela tinha um certo poder negativo sobre Antônia.

Leide já tinha programado tudo para aqueles dias, contratou alguns garotos de programas para elas se divertirem bastante.

     Antônia acompanhou Leide em um trio elétrico e aos poucos foi se soltando, mas a cada beijo que ela dava em alguns morenos que apareciam, ficava ainda mais chocada com sua melhor amiga.

     –– Se solta Tônia, olha só aquele morenaço te olhando... – e aponta para um rapaz extremamente bonito.

     –– Você só pode estar maluca Leide, eu jamais trairia o Paulo.

     –– Paulo já morreu... acorda... – Leide deu um chacoalhão em Antônia – você nunca aprendeu que só ama que está vivo? A vida é assim... ou você aproveita, ou a vida passa e não te dá trégua, vai lá – e empurra Antônia na direção do rapaz.

     –– Oi gata – disse ele – você é amiga da Lelê?

     Antônia olha para Leide que faz um gesto para ela retribuir a conversa.

     –– Claro... – ela deu uma leve gaguejada – a Leide é minha amiga... – disse Antônia tentando se soltar.

     –– Ela é demais mesmo – disse o rapaz extremamente empolgado –, que tal a gente tomar algo, eu pago...

     –– Claro...

     Eles foram até um bar discreto e ficaram conversando por mais de duas horas.

     Antônia bebeu demais – foi uma das dicas que Leide tinha dado para Joacir fazer com ela para que Antônia se soltasse.

     Antônia ficou tão bêbada que quase nem sabia voltar para a casa na praia sozinha.

     Eles entraram na casa às gargalhadas, mas uma cena chocou Antônia. Leide estava transando com três rapazes enormes, ela ficou em êxtase olhando para a amiga. Leide estava tão excitada que nem a viu entrando, só gritava de tanto prazer que estava sentindo, tendo aqueles três homens ao seu redor, a acariciando e penetrando–a sem dó e nem piedade.

     Joacir abraçou Antônia – que a princípio ainda estava relutante – mas depois com alguns carinhos dele, ela se entregou completamente também.

     Antônia fechou os olhos e se sentiu com dezessete anos de idade novamente – quando estava nos braços de Cícero –, Joacir não entendeu nada o porquê ela gritava aquele nome, mas como ele estava sendo muito bem pago para fazer aquilo, Antônia poderia tê––lo chamado de Branca de Neve que ele nem ligaria.

No dia seguinte, Antônia se levantou quase ao meio–dia.

     Quando ela olhou para o lado e viu aquele rapaz esbelto completamente nu em pelo em sua cama, percebeu que estava com uma enxaqueca de matar, ela olhou para seu pênis e viu que, mesmo estando amolecido, aquilo era enorme, ela nem quis saber como conseguiu aguentar um homem daqueles.

     Antônia foi até a cama de Leide e a viu enroscada entre três rapazes, com um sorriso de satisfação no rosto.

     –– Leide... – disse ela baixinho, dando uma leve cutucada em seu braço esquerdo – Leide... – mesmo sem querer, Antônia não pôde deixar de olhar para aqueles três homens nus na cama de sua melhor amiga.

     –– O que aconteceu Tônia? – disse ela dando uma bocejada, e logo em seguida tentou sair do abraço do homem mais alto.

     As duas foram até a varanda.

     Leide ainda estava completamente nua. Antônia percebeu que o tempo tinha sido muito bom com Leide, mesmo depois dos cinquenta anos, ela ainda tinha um corpo muito lindo, sem gordura alguma, com as curvas em dia, e os seios ainda apontando para o Norte.

     –– Você não vai se vestir não? – perguntou Antônia se abismando com aquela atitude.

     Leide deu um sorriso.

     –– Não tem nada aqui – ela apontou para o seu corpo – que a maioria dos homens aqui de Salvador já não tenha visto, e outra, quem você acha que vai passar por aqui? É propriedade particular.

     –– E aquele garoto ali? – Antônia aponta o dedo para um garoto empinando pipa.

     –– Ele é filho da minha empregada, adoro ficar nua perto dele, ele fica maluquinho – Leide deu uma cutucada com o cotovelo em Antônia.

     –– Você não vale nada mesmo Leide.

     –– Se não te conhecesse há tantos anos, diria que você é uma verdadeira santa – Leide deu uma gargalhada.

     –– Eu era... até você aparecer em minha vida...

A semana passou rápido para as duas.

     Leide ia para cama todos os dias com dois ou três rapazes diferentes. Antônia ficava abismada com o apetite sexual da amiga.

     Ela ficou com Joacir mais três vezes. De certa maneira, aquela viagem foi revigorante para Antônia, mesmo ela se achando uma católica tão fervorosa, sua mente não estava ligando muito para isso não naquele momento, afinal, era algo que ela levaria para o túmulo, assim como os seus demais pecados – ou pecadinhos, como diria ela em seu diário.

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