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Ari
O pai de Ari não estava gostando muito do namoro de seu filho. Michelle era um amor de pessoa – disso ninguém duvidava –, mas estava trazendo mais problemas do que soluções. Amar alguém tinha que ser recíproco, não apenas em sentimentos, mas as situações que os cercam também e, Ari se enfiava em uma enrascada atrás de outra por causa dela.
Eles decidiram ir para a praia aproveitar o final de semana de folga de Michelle, e para comemorarem a entrada dele na faculdade.
Eles alugaram um apartamento de frente para o mar.
Michelle estava muito confiante que enfim faria amor com ele. Ela sentia uma vontade voraz dentro de si por Ari, ele era o homem de sua vida. Michelle jamais viu um homem ser tão cordial e respeitador quanto ele, mas ali não era o lugar dele ser tão bonzinho assim, ela queria um homem de verdade – um ogro rústico...
E tinha que ser naquele dia.
Eles aproveitaram bem o dia.
Curtiram o belo dia de sol que estava fazendo, comeram peixe frito, andaram de bicicleta pela cidade, tudo o que qualquer turista faria naquela cidade.
À noite a coisa ficou apertada para Ari.
Michelle foi com tudo para cima dele.
No começo ele retribuiu, afinal...
O que há de mal em uns bons beijos em sua namorada?
Mas como a Michelle já estava de biquíni, a coisa ficou feia para o seu lado – ou bela demais, depende de como você analisaria a situação.
Ela percebeu a excitação dele e continuou.
Ari parou bruscamente saindo da cama num pulo, Michelle estava com os seios de fora e Ari pediu para ela colocá–los de volta no lugar.
–– Você não gostou deles?
Ari nem sabia o que responder.
–– Que pergunta cretina Mi... e–e–eu a–a–amo vo–você – ele gaguejou – são lindos... mas é errado, entende? Prometi me guardar até o casamento, você disse que respeitaria isso...
–– Eu acho lindo, meu amor... mas com os outros, você acha que é fácil me segurar? Eu te amo muito, nem posso ficar perto de você que já me vem algo bom...
–– Eu também – disse ele enxugando o suor em sua testa com o biquíni dela – você acha que nunca me masturbei pensando em você?
Ela o interrompeu.
–– Você fez isso? – disse ela com a voz excitada – que lindo, nunca ninguém disse algo tão lindo para mim...
–– Para de ser sarcástica Michelle, eu te amo, mas não posso... não é que eu não queira... quero até mais do que você...
–– Não estou sendo sarcástica, mas eu acho lindo você assumir que me ama dessa maneira, nunca ninguém me disse que eu era atraente a esse ponto, de fazer parte dos seus sonhos mais íntimos...
Eles dormiram juntos, apesar de não terem transado.
Michelle ficou feliz por saber que o amor dele por ela ia além de um simples desejo sexual.
Aquilo sim era amor de verdade, já que ele queria fazer o que fosse correto, mesmo que para isso tivesse que enfrentar a maior de todas as suas tentações, ela mesma...
EpílogoMichelle estava no restaurante ansiosa, ela sabia que aquela noite seria o dia do pedido de casamento, Ari não conseguia se conter nas últimas semanas, ela também não, afinal, agora já era uma doutora, Ari um advogado que estava já ganhando um bom nome no meio jurídico, mas muitas coisas tinham acontecido além deles. Ari chegou e lhe deu um beijo. –– Aconteceu alguma coisa? Michelle não sabia muito o que dizer. –– Sinto que nossos caminhos estão saindo do que planejamos. –– Pensei que era o único que tinha reparado. –– Você sabe que te amo, não é mesmo? –– N&a
49AntôniaO casamento entre Antônia e Cícero não poderia ter sido mais lindo, o sítio dele estava repleto de convidados ilustres, artistas famosos, grandes empresários e tudo o mais. Antônia estava deslumbrante em seu vestido branco de cetim, entrou abraçada com Phillip, ele a elogiou muito, se Antônia não o conhecesse tão bem, ela diria que ele estava flertando com ela, mas como bons amigos, ela apenas agradeceu. A cerimônia foi presidida pelo pastor Gil – pastor da igreja que Ari e Michelle frequentavam –, e logo depois Antônia e Cícero também passaram a frequentar. O pastor Gil falou sobre I Coríntios 13, onde o apóstolo Paulo fala sobre o amor, não teve quem não se sentisse emocionado com o serm&atil
48AriUm dia antes do julgamento de Rodrigo, Ari foi visitá–lo. –– Não acha que é muita impertinência sua vir até aqui? – disse Rodrigo num tom sarcástico. –– Só gostaria de saber por que disso tudo... Porque eu? Porque a Michelle? Rodrigo deu uma gargalhada, a mesma que tirou o sono inúmeras vezes de Ari. –– Tenho os meus motivos, moleque, mesmo assim, você era apenas a cereja no bolo, minha vingança não tinha nada a ver contigo... você era apenas um bônus para me divertir, eu gostava da sua ousadia, queria ver até onde você iria, mas o que tinha que fazer mesmo, fiz e não me arrependo. Rodrigo foi julgado e condenado h&aacu
46Ari e MichelleAri comprou as alianças de noivado sem falar nada a ninguém, estava tão irradiante que nem prestou atenção que estava sendo seguido por Rodrigo e um de seus capangas. –– É hoje que eu pego esse safado – disse Rodrigo ensaiando aonde atiraria em Ari. –– É isso mesmo chefe, vamos pegar esse cara. Ari guardou a caixinha com as alianças no bolso esquerdo de sua calça Armani – que ganhou de seu chefe – todo feliz da vida quando foi abordado por Rodrigo. Rodrigo o levou até seu carro, pegou as alianças do bolso de Ari e disse: –– Para um pé–rapado, até que ele tem bom gosto – mostrando as alianças para
45AntôniaAntônia e Cícero voltaram a se encontrarem naturalmente, uma visita aqui, outra coincidência ali, parecia que aqueles quase trinta anos jamais tivessem existido, eram muitos encontros, desencontros, despedidas e fugas que Antônia já não estava entendendo mais nada. Marcelino – ela já não o chamava mais de padre – sumiu do mapa, ela até queria contar a verdade para ele, afinal, se ele tinha um filho, deveria saber, mas ninguém mais ouviu falar dele. Cícero contou que era dono de um hospital muito importante – Hospital St. Filipo – que assim que Antônia se casou, ele voltou para a faculdade e se formou entre os melhores, mas cada esforço dele fazer uma carreira bem-sucedida se tornava em vão quando conversava com a Leide, já que Ant&oc
44AntôniaTodos choraram muito no enterro, foi algo muito comovente, apenas uma pessoa em especial não tinha ido ao enterro – o padre Marcelino – mas como a Leide não era católica nem nada, ninguém deu muita importância para aquilo. Infelizmente aquele enterro estava desenterrando algo na vida de Antônia, alguém que há mais de vinte e cinco anos ela não via... Cícero. Eles mal se falaram, ele parecia que não tinha mudado nada, o que fez Antônia se sentir com dezoito anos novamente.Antônia jamais imaginou que descobriria algo sobre a sua melhor amiga. No testamento ela deixou tudo o que tinha para o seu filho – Rennan – e tinha deixado uma carta em especial para ela. A carta dizia o seguinte:






