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APÓS A MORTE DELA O CEO SUPLICOU POR PERDÃO
APÓS A MORTE DELA O CEO SUPLICOU POR PERDÃO
Author: Tamires Ferreira

Capítulo 1

last update publish date: 2026-03-16 11:36:35

— "Ficaremos juntos para sempre, Ethan?"

Nyla Green, aos dezoito anos e com o rosto banhado por um rubor juvenil, aconchegou-se nos braços de Ethan Brooks. Ela o olhava com um amor que transbordava, puro e absoluto.

A resposta do homem veio em uma única palavra, curta e definitiva:

— "Para sempre."

Seu olhar, profundo e penetrante, fixou-se nas feições delicadas e luminosas da garota. Subitamente, o aperto de seus braços se intensificou, carregado de uma possessividade latente.

— Ai! — Nyla protestou baixinho, pressionando um dedo contra as costas dele. Suas pontas dos dedos encontraram a resistência dos músculos firmes e longos daquele braço que a envolvia.

Apesar da leve dor, ela sorriu. Um sorriso doce, entregue. — "Ethan Brooks, eu te amo."

Ele inclinou-se para beijar delicadamente o rastro das lágrimas nos cantos dos olhos dela, mas logo a abraçou com uma força quase esmagadora. Sua voz, profunda e dominadora, sussurrou contra o ouvido dela: — "Nyla, você sempre será minha."

Ela o enlaçou pelo pescoço, aninhando-se como uma pequena sereia que descobria o amor pela primeira vez. Naquele momento, seu sorriso era como uma flor desabrochando. Mal sabia ela que, naquele universo, o "para sempre" era apenas a unidade de medida para a paixão de um instante.

......

Meses depois.

O silêncio na sala de tribunal era solene, quase sufocante.

— "Testemunha Nyla Green, na noite de 6 de junho, a senhora esteve com o réu, Ethan Brooks, o tempo todo?"

A data queimava na memória de Nyla. 6 de junho, o dia em que completara dezoito anos. Em vez de uma festa luxuosa com a família, ela escolhera passar cada segundo no pequeno quarto alugado de Ethan.

Ela jamais esqueceria aquele amor obsessivo, devastador. Foi a primeira vez que viu Ethan demonstrar vulnerabilidade por ela, mas também foi a noite em que ele, perdendo o controle, a magoou repetidas vezes em meio ao fervor.

Nyla ergueu os olhos lentamente para o banco dos réus. Ethan vestia o uniforme azul de presidiário. O rosto belo estava marcado pelo cansaço, os olhos escuros injetados de sangue. Mas, ao encontrarem os dela, aqueles olhos ainda transbordavam uma ternura infinita.

Em apenas uma semana de detenção, ele havia definhado. Parecia desgrenhado, exausto, mas sua presença ainda era magnética. Ethan Brooks, o prodígio de origem humilde com dupla graduação em finanças e direito, o homem cujo futuro era descrito por mentores como um talento "único em um século". Sua mente para o mercado de ações era implacável; seu destino deveria ser o topo do mundo.

Agora, vê-lo ali causava em Nyla uma dor lancinante, como se seu coração estivesse sendo retalhado.

— "Testemunha Nyla Green!" — a voz do juiz ecoou. — "Às 22h do dia 6 de junho, a senhora confirma ter visto o réu dirigindo o veículo de placa PTA6688?"

O Mercedes preto que tirou a vida de Orlando Pratz.

O tribunal mergulhou em um vácuo. Um minuto... dois... três.

Estrondo. O juiz bateu o martelo, a paciência se esgotando. — "Testemunha, responda à pergunta!"

Nyla sentia o peso do mundo. Naquela noite trágica, fora seu meio-irmão, Bryan, quem atropelara o homem e fugira sem prestar socorro nas redondezas de Ulares. Para proteger o herdeiro legítimo, seu pai Luis  Green não hesitou: incriminou o filho do motorista da família Ethan.

Ethan se recusara a confessar um crime que não cometeu. Então, o pai de Nyla usou sua última carta: a vida da mãe biológica dela. Menos de seis meses após sua mãe cair da escada e ser condenada ao estado vegetativo, o pai trouxera a amante e Bryan para dentro de casa.

A ordem era clara: Nyla deveria apontar Ethan como o assassino. Se não obedecesse, o suporte vital de sua mãe seria desligado. O fluido que a mantinha viva era o preço da liberdade de Ethan.

Nyla Green sentiu o ar escapar de seus pulmões. Ela não tinha escolha. Evitando o olhar que queimava em sua direção, ela encarou o juiz e pronunciou cada palavra como se estivesse engolindo vidro:

— Sim. Às 22h do dia 6 de junho, eu estava no banco do passageiro do carro de Ethan Brooks. Eu vi... com meus próprios olhos... ele atropelar e matar aquela pessoa.

No banco dos réus, o corpo de Ethan enrijeceu instantaneamente. A pouca luz que ainda restava em seus olhos extinguiu-se, dando lugar a um vazio abissal.

— Réu Ethan Brooks — a voz do juiz ecoou pelo recinto — tem algo a declarar diante do testemunho?

Ethan não desviou o olhar de Nyla. Seus olhos, injetados de sangue, tornaram-se frios como uma geleira eterna. Um sorriso desesperado e carregado de um ódio amargo surgiu em seus lábios. Ele respondeu, cada sílaba carregada de um peso mortal:

— Não tenho nada a dizer.

O mundo inteiro poderia tê-lo traído e ele teria suportado. Mas por que tinha que ser ela? Por que Nyla Green, a única pessoa por quem ele daria a vida, era quem o enterrava vivo?

O martelo bateu, selando o destino de ambos.

— O réu, Ethan Brooks, é condenado a três anos de prisão e ao pagamento de uma multa de R$500.000,00 reais.

Enquanto era escoltado pelos guardas, Ethan virou o rosto uma última vez. A ternura de antes fora substituída por um ódio implacável que atravessou a alma de Nyla. Ela sabia: naquele momento, o homem que ela amava havia morrido, e um estranho nascera em seu lugar.

.....

Três dias depois, o frio vidro da sala de visitas separava dois mundos agora irreconciliáveis.

— Ethan, por favor... eu encontrarei uma forma de tirar você daí o mais rápido possível! — Nyla implorou, as mãos pressionadas contra o painel gelado.

Ethan soltou uma risada gélida, um som que não lembrava em nada o homem que a abraçava. — Nyla Green, acabou. Você pode parar com o teatro. De agora em diante, você retoma seu lugar como a herdeira intocável da família Green, e eu apodreço aqui como o criminoso que você criou.

— Sinto muito, Ethan... me perdoa... — As lágrimas lavavam seu rosto, e a dor no peito era tão aguda que ela mal conseguia respirar.

Em um gesto lento, Ethan tirou um pequeno caderno do bolso do uniforme. Era um retrato dele que ela havia desenhado em segredo, um registro de dias em que o futuro ainda brilhava. Com seus dedos longos e finos, ele rasgou o papel em pedaços minúsculos, sem desviar os olhos dela.

— Não existe mais "nós", Nyla. E a culpa é sua.

Os guardas o puxaram para se levantar. A cada passo que ele dava em direção à cela, ele pisava nos fragmentos do desenho, esmagando o que restava do coração de Nyla sob suas botas pesadas.

— Ethan! — ela gritou, a voz falhando em um soluço desesperado.

Ele nunca olhou para trás.

Sozinha na sala vazia, Nyla cobriu a boca, as palavras saindo em um sussurro que ele jamais ouviria: — Eu estou grávida, Ethan... nós teremos um filho.

No segundo seguinte, uma pontada violenta atingiu o baixo ventre. Ela baixou o olhar, aterrorizada, enquanto o vermelho vivo manchava impiedosamente o tecido branco de sua calça.

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