LOGINA porta se fechou atrás deles com um estrondo seco.Helena se virou imediatamente.— Não!Correu até a porta e tentou girar a maçaneta.Nada.Trancada.Dante chegou ao lado dela e tentou forçar a fechadura com o ombro.— Está reforçada.Henrique permaneceu alguns passos atrás, olhando para a fotografia que ainda estava nas mãos de Helena.O rosto dele havia perdido completamente a cor.— Henrique? — Helena chamou.Ele não respondeu.— Henrique!O homem finalmente levantou os olhos.— Nós precisamos sair daqui.— Antes você vai me dizer quem é esse homem.Helena ergueu a fotografia.Nela, seu pai aparecia mais jovem, sério, parado ao lado de um homem que ela nunca tinha visto.Mas havia algo naquele desconhecido.Uma semelhança.O formato dos olhos.A linha do maxilar.Algo que fazia seu estômago se revirar.Dante também parecia perceber.— Henrique — disse ele, com a voz baixa. — Quem é ele?Henrique passou a mão pelos cabelos.— Eu não posso.Dante avançou.— Você já escondeu coisas
A mensagem continuava aberta na tela do celular de Helena.“Vocês demoraram.”Abaixo, um endereço.E a frase que fazia seu coração bater mais rápido:“A verdade sobre seus pais começa aqui.”Dante leu novamente.— Nós vamos.Helena ergueu os olhos.— Você nem sabe o que pode estar esperando por nós.— Sei.— O quê?Dante segurou seu rosto entre as mãos.— Que eu não vou deixar você enfrentar isso sozinha.Ela respirou fundo.— Pode ser uma armadilha.— Provavelmente é.Henrique se aproximou.— E é exatamente por isso que vocês não deveriam ir.Dante o encarou.— Então nos diga quem enviou.Henrique ficou em silêncio.— Você sabe — Dante insistiu.— Não tenho certeza.— Você acabou de dizer que meu pai pode estar vivo.Henrique desviou o olhar.— Eu disse que talvez.Helena colocou a mão sobre a mesa.— Chega de “talvez”. Chega de segredos.Augusto se aproximou lentamente.— O endereço fica em Vale Negro.Helena sentiu um arrepio.— Onde tudo começou.Augusto assentiu.— Era uma propri
Dante permaneceu imóvel.Aquelas últimas palavras da carta pareciam ter arrancado o ar da sala.“Nunca permita que Dante descubra quem realmente era o pai dele.”Ele encarou Augusto.— O que meu pai fez?Augusto não respondeu.Dante deu mais um passo.— Eu tenho o direito de saber.— Tem — Augusto respondeu, finalmente. — E talvez já tenha esperado tempo demais.Helena apertou a carta contra o peito.— Então conte tudo.Henrique permaneceu próximo à porta, visivelmente abalado.— Não é tão simples.Helena virou-se para ele.— Nada nesta família é simples. Mas eu estou cansada de descobrir a verdade sempre tarde demais.Dante segurou a mão dela.— Dessa vez, ninguém vai esconder nada de nós.Augusto respirou profundamente.— O pai de Dante não era apenas um membro da organização.Dante franziu a testa.— O que ele era?— O homem escolhido para substituí-la.O silêncio caiu novamente.— Substituir quem? — Dante perguntou.— O fundador.Henrique baixou os olhos.— Seu pai descobriu que o
Helena não conseguiu desviar os olhos de Augusto.A fotografia permanecia sobre a mesa.Henrique ao lado de sua mãe.A mensagem continuava aberta no celular:“Perguntem a Augusto onde estava na noite em que seu pai morreu.”O silêncio na sala parecia pesado demais.Dante se aproximou de Helena e segurou sua mão.— Augusto... — ela finalmente disse. — Onde você estava naquela noite?O homem fechou os olhos por alguns segundos.Quando tornou a abri-los, havia algo diferente em seu olhar.Cansaço.Culpa.E medo.— Eu sabia que esse dia chegaria.Helena sentiu o coração apertar.— Então é verdade?Augusto respirou fundo.— Eu estava lá.Dante imediatamente ficou atento.— Na noite em que o pai dela morreu?— Sim.Helena soltou a mão de Dante por um instante.— E você nunca me contou?— Eu queria contar.— Queria? — A voz dela tremeu. — Você teve anos para contar!Augusto abaixou a cabeça.— Porque contar significaria colocar você em perigo.— Eu já estava em perigo!A resposta ecoou pela
Helena leu a mensagem novamente.“Adrian foi preso. Mas alguém apagou os arquivos antes da polícia chegar.”Abaixo, uma segunda frase:“A verdadeira guerra ainda não terminou.”Seu coração acelerou.— Isso não é possível.Dante levantou-se.— Foi o que eu pensei.— A polícia estava com os computadores.— Exatamente.Helena pegou o celular.— Então alguém teve acesso aos arquivos antes deles.Dante assentiu.— E alguém sabia exatamente o que procurar.Ela ficou em silêncio.— Quem?— Não sei.Helena caminhou pela sala.Depois parou.— Minha mãe.Dante franziu a testa.— O que tem ela?— Ela passou anos dentro da organização. Se alguém soubesse onde estavam os arquivos secretos...— Você acha que ela roubou os documentos?— Não. Acho que ela sabe quem poderia ter feito isso.Dante pegou o casaco.— Então vamos perguntar.---A mãe de Helena estava em um quarto reservado pela polícia.Quando os dois entraram, ela percebeu imediatamente que alguma coisa havia acontecido.— O que foi?Hele
As sirenes se aproximavam cada vez mais.Adrian olhou para a porta, depois para Helena.Pela primeira vez desde que ela o conhecera, havia medo em seus olhos.— Você não entende o que está fazendo — ele disse.Helena permaneceu firme.— Pela primeira vez, entendo exatamente.Os policiais invadiram o corredor.Adrian tentou recuar, mas Augusto apontou a arma.— Acabou.Adrian soltou uma risada amarga.— Você realmente acredita nisso?— Sim.— Então ainda é ingênuo.Dois policiais entraram na sala.— Adrian Montenegro, você está preso.Ele não resistiu.Apenas passou por Helena lentamente.Quando ficou diante dela, parou.— Você acha que venceu.Helena não respondeu.— O que existe no caderno não é nem metade do que está escondido.Dante segurou a mão dela.— Continue andando.Adrian sorriu.— Aproveite enquanto pode.Os policiais o levaram.Quando a porta se fechou, Helena finalmente conseguiu respirar.Mas ainda havia uma pessoa diante dela.Sua mãe.Ela estava chorando.— Helena...H







