LOGINCapítulo dois
Depois da cerimônia, meu novo marido e eu saímos da sala de casamentos. Na saída da prefeitura, o fotógrafo nos pediu que ficássemos nos degraus para tirar algumas fotos de recordação. Eu realmente não estava com vontade de sorrir… não depois de ter meu coração partido em mil pedaços. Apesar de tudo, consegui esboçar um sorriso enquanto posávamos lado a lado. O fotógrafo tirou várias fotos de nós dois e depois com as testemunhas. Poucos instantes depois, meu novo marido me entregou a certidão de casamento que o prefeito nos havia dado. Meu olhar pousou nos nomes escritos nela: Diana Rodrigues… e Lucas Bernard. Enquanto isso, ele trocou algumas palavras com o fotógrafo, pegou as cópias digitais e certificou-se de que a versão impressa seria entregue assim que estivesse disponível. Depois disso, voltou para perto de mim. — Vamos para casa. Meu coração começou a bater rapidamente, enquanto eu me perguntava no que tinha acabado de me meter. Eu o segui. Ele parou diante de um Maybach preto que parecia novinho em folha. Eu não entendia muito de carros, mas até eu sabia que um veículo daquele tipo custava uma fortuna. Parecia luxuoso… e impressionante. — Entre — disse ele. Obedeci quase mecanicamente. O ar-condicionado lá dentro estava agradavelmente fresco. Eu aproveitava o conforto do interior… até que minha mente voltou para David, e meu rosto imediatamente se fechou. — Que idiota — murmurei. Ele voltou sua atenção para mim. — O que você disse? — perguntou. — Nada — respondi, sem ver sentido em repetir. — Recupere-se. Vamos conhecer meu avô — declarou ele. — Por quê? Eu esperava ser levada primeiro para a casa dele… não conhecer sua família tão cedo. — Acabamos de nos casar. Quero apresentá-la ao meu avô. Há algum problema? Eu percebia claramente que ele estava acostumado a conseguir o que queria. Eu estava exausta. Tudo o que queria era tomar um banho quente e descansar. — Outra hora — respondi. Mas ele não era do tipo que aceitava um não. — Vamos simplesmente vê-lo, não vai demorar — insistiu. — Está bem — respondi, contrariada. Chegamos a um hospital, e o motorista parou. Fiquei estupefata. — Eu deveria ter contado antes… meu avô tem câncer de fígado. Ele está acamado no momento. Naquele instante, ele parecia entender que precisava me explicar a situação para que nosso acordo pudesse funcionar. — Meu nome é Lucas Bernard — continuou ele. — Meu avô me implora há muito tempo para que eu me case. — Eu disse a ele que estávamos namorando há um ano… e que foi por isso que nos casamos. Eu estava completamente atônita. Sua pergunta me trouxe de volta à realidade: — O que você faz da vida? — Trabalho como chef em um restaurante. — Você dirá ao meu avô que ainda é estudante. Eu me perguntava o que ele sentiria se descobrisse que estávamos mentindo para ele. Mas eu já tinha ido longe demais para recuar. — E você, o que faz? — perguntei. Ele me olhou, incrédulo. — Você não me conhece? — Você é uma celebridade? — Não. Sua expressão endureceu. Era visivelmente a primeira vez que uma mulher não o reconhecia. Entendi que muitas mulheres deviam conhecê-lo… e provavelmente acompanhar cada um de seus passos. — Eu administro o Grupo Bernad, que aparece regularmente nas manchetes das revistas de negócios e de moda — explicou ele. Fiquei em silêncio por alguns segundos. O nome do Grupo Bernad me parecia vagamente familiar, então uma lembrança me veio à mente: eu já havia enviado várias candidaturas para um de seus hotéis para uma vaga de assistente de chef de cozinha. Nunca havia sido selecionada, mas continuava tentando a sorte todos os anos. — Quais revistas? — perguntei. — Todas — respondeu ele. — Como assim, todas? Meus olhos se arregalaram. — Sou o herdeiro do império Bernad. — O quê?! Será que eu realmente tinha acabado de me casar com um bilionário? Depois dessas palavras, Lucas entrou no hospital, deixando-me paralisada no lugar. Eu não conseguia acreditar. Olhei para a aliança que ele havia colocado em meu dedo na prefeitura. Não era uma simples aliança. Ela era cravejada com um diamante de uma raridade excepcional. Eu não fazia ideia de quanto valia, mas sabia que ultrapassava em muito tudo o que eu poderia imaginar. Eu deveria ter desconfiado. David… ele jamais poderia me oferecer um anel como aquele. O anel se ajustava perfeitamente ao meu dedo… como se tivesse sido feito sob medida para mim.Capítulo Vinte e NoveEle voltou para casa ansioso para me ver. Quando chegou, não conseguiu me encontrar.Ele olhou para o relógio e percebeu que já estava tarde. Era muito mais tarde do que o horário em que eu deveria ter voltado para casa.Ele pegou o celular para me ligar. Atendi no primeiro toque.—Onde você está? —perguntou ele.—Na casa de uma amiga —respondi.Ele pareceu insatisfeito do outro lado da ligação e desligou.Tentei ligar para ele novamente, mas Ashley me interrompeu.—Quem ligou? —perguntou ela.—Lucas… Preciso ir vê-lo.—Está bem —disse ela, olhando para mim.—Que assunto é tão urgente, Diana?Revirei os olhos. Não era apenas porque ele sentia minha falta e queria me ver o quanto antes.—Você precisa se acalmar, querida… Se apressar nunca é uma coisa boa.Assenti distraidamente. Minha mente já estava em outro lugar.Levantei-me e saí. Ashley veio comigo para que eu não precisasse me preocupar.Peguei o carro e voltei para casa, onde o encontrei esperando por mim.
Capítulo Vinte e OitoLucas chegou cedo. Annabel já estava trabalhando no projeto.Ele passou por ela, cumprimentando-a, e depois entrou em seu escritório.Ele se sentou e tentou se concentrar no trabalho, mas seus pensamentos voltaram para Diana.Droga… por mais que tentasse, não conseguia parar de pensar nela.Ele sorriu levemente ao perceber que ela se lembrava de cada pequeno detalhe sobre ele.E até mesmo do fato de que, recentemente, ela havia demonstrado interesse em sua vida amorosa.Enquanto ele ainda estava perdido em pensamentos, Annabel entrou. Ela desabotoou a camisa, deixando o peito à mostra.Os olhos de Lucas se arregalaram de surpresa ao vê-la aparecer daquela maneira e sorrir para ele.—Eu sei que você sentiu minha falta, Lucas —disse ela, sentando-se sobre a mesa.Lucas engoliu em seco com dificuldade.Ela começou a deslizar a mão sobre o peito dele e tentou desabotoar sua camisa, mas ele a impediu.—Não… eu não vou fazer isso.—Por quê… Lucas… você sabe que quer… p
Capítulo vinte e seteLucas voltou para casa tarde e entrou em seu quarto particular.Fiquei sozinha na sala, andando sem rumo, sem outra escolha a não ser começar a planejar a expansão da minha empresa, como ele havia me aconselhado.Assim que terminei, fui até seu quarto particular para informá-lo.Ao chegar, encontrei-o conversando com alguém.Virei-me e voltei lentamente para o meu quarto. Lágrimas escorriam pelas minhas bochechas.Apertei o plano de negócios contra o peito ao chegar ao meu quarto. Deitei-me na cama e acabei adormecendo.Na manhã seguinte, acordei e percebi que o plano de negócios não estava mais comigo.Ele estava colocado no centro da mesa.Levantei-me e o peguei. Enquanto o relia, ouvi passos.“Foi brilhante... quando você começa as operações?”, perguntou ele.“Muito em breve”, murmurei.Ele não disse mais nada e se virou para sair.Minhas palavras o fizeram parar.“Com quem você estava falando ontem?”, perguntei.“Foi uma reunião de negócios”, respondeu ele an
Capítulo vinte e seisMinha mente divagou para a maneira como ela agia, uma maneira que dizia mais do que as palavras poderiam descrever.O que realmente estava acontecendo era que ele não estava me contando tudo. Eu tinha o direito de saber.Saber, pelo menos uma vez, onde eu me encontrava. Saber o que ele pretendia fazer comigo quando eu não fosse mais útil para ele.Ele hesitou antes de falar.Senti minha garganta apertar.“Viu? Esse é exatamente o problema. Você se recusa a me deixar entrar.”“Estou tentando”, disse ele em voz baixa.“Tentar não é suficiente quando você continua fechando a porta para mim”, respondi.Lucas soltou um suspiro lento, seu olhar baixando para as mãos.“Não sei como explicar isso sem piorar as coisas”, admitiu ele.Soltei uma respiração trêmula.Então ele ergueu os olhos para mim, algo cru atravessando seu olhar — algo que eu nunca tinha visto antes.“Não é sobre ela”, disse ele suavemente.Meu peito apertou.“Então por que tenho a impressão de que é?”“
Capítulo vinte e cincoLucas não respondeu à minha pergunta. Ele simplesmente se virou e adormeceu. Eu estava fervendo de raiva sem saber o que fazer.Por que ele me tratava como se eu não significasse nada?Perdida em meus pensamentos, acabei adormecendo.Na manhã seguinte, acordei e percebi que ele já havia ido trabalhar. Suspirei profundamente, mil e um pensamentos passando pela minha mente.Eu não conseguia mais suportar aquilo e decidi aceitar o fato de que havia cometido um erro enorme.Peguei meu telefone para ligar para minha amiga de infância. Ela era a única pessoa que poderia me entender.Ela atendeu no primeiro toque.«Alô, Ashley…», disse com a voz quebrada, entre soluços contidos.«Alô, Diana… está tudo bem?», perguntou ela.«Não… cometi um erro», respondi.Ashley fez uma pausa antes de falar.«O que realmente aconteceu?»Contei tudo a ela enquanto ela ouvia calmamente.«Não consigo acreditar que David tenha feito isso com você… e por que você guardou tudo isso para si?»
Capítulo vinte e quatroAcordei no dia seguinte e o vi entrar no quarto com uma bandeja.Meus olhos se arregalaram de surpresa, minha mandíbula se abriu ligeiramente ao vê-lo fazer aquilo.«Espere… isso é para mim?», perguntei enquanto ele a colocava ao meu lado.«Sim», respondeu ele suavemente.Mas a maneira como seu olhar permaneceu sobre mim por uma fração de segundo a mais do que o necessário dizia algo completamente diferente.Engoli em seco, sem saber o que fazer com aquele olhar.Ele se endireitou, colocando as mãos nos bolsos como se precisasse se agarrar a alguma coisa.«Você deveria comer antes que esfrie.»Seu tom era calmo, mas havia uma distância… como se já tivesse decidido até onde estava disposto a ir.Ele me observou enquanto eu saboreava a refeição. Meu estômago começou a borbulhar.Então, simplesmente assim, ele se levantou e foi embora, com um sorriso congelado no rosto, preparando-se para ir trabalhar.Levantei-me da cama, mil e um pensamentos passando pela minha







