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CAPÍTULO 4

Penulis: Moore
Eu encarei aquela mulher sem conseguir acreditar. Eu sabia que a mãe de Leo nunca tinha gostado de mim, mas eu nunca teria imaginado que ela seria capaz de mentir na cara dura e me incriminar daquele jeito.

Ela evitou o meu olhar, e a culpa chegou a tremular no rosto dela por um segundo, mas a voz permaneceu teimosa, dura como pedra.

— Ela nem consegue ter filhos. — Ela disparou, com desprezo. — É claro que ela ia ter inveja da Ariel e fazer uma coisa dessas.

Leo fechou os olhos por um breve instante. Quando os abriu de novo, só restava uma indiferença gelada, como se todo sentimento tivesse sido arrancado dali.

— Fawn, você me decepcionou. — A frase saiu reta, sem espaço para defesa. — Vá refletir sobre o que você fez. Alguém, tranquem a senhora no porão. Sem a minha permissão, ninguém vai deixar ela sair.

Eu permaneci ali, sentindo como se a vida tivesse sido sugada do meu corpo.

— Leo… você não acredita em mim? — A pergunta escapou, fraca, como se eu ainda estivesse esperando que ele fosse o homem que eu amava.

Ele não respondeu. Em vez disso, eu vi Leo erguer Ariel nos braços e se afastar sem olhar para trás, como se eu não passasse de um detalhe inconveniente no caminho dele.

Dois seguranças que eu não conhecia deram um passo à frente e me arrastaram até a porta do porão. Lá embaixo, o ar estava frio e úmido, e havia até aglomerados de larvas se contorcendo no chão, no canto, como uma massa viva e nojenta.

O meu couro cabeludo formigou. O terror subiu com tanta força que o meu corpo inteiro tremeu.

— Leo nunca me trancaria aqui! — Eu gritei, desesperada. — Ele sabe que eu tenho medo do escuro, e eu morro de pavor de insetos e vermes! Me tirem daqui! Agora!

Impassíveis, os seguranças não se moveram. Com expressões indiferentes, eles me empurraram para dentro e bateram a porta com violência.

— A Sra. Sullivan vai te dar uma lição pra você aprender o seu lugar.

Claro. Era Ariel. Eu devia ter imaginado.

— Não, por favor! — Eu berrei. — Digam pra ela que eu vou embora! Eu vou embora agora mesmo! Só me tirem daqui!

A minha voz falhou de pânico enquanto eu socava a porta de ferro, mas ninguém respondeu. Em vez disso, a fechadura fez um clique seco e os passos se afastaram, sumindo no silêncio.

Cercada pela escuridão completa, eu já não consegui conter o medo e o desespero. As lágrimas escorreram pelo meu rosto. O som de coisas rastejando ficou mais nítido no escuro e, atraídos pelo calor do meu corpo, os insetos começaram a se mover na minha direção em enxames.

Eu gritei e passei as mãos freneticamente na minha pele, tentando arrancá-los de mim, implorando por ajuda com tudo o que ainda me restava. Por fim, eu ouvi passos do lado de fora da porta.

— Por favor… — Eu supliquei, desesperada. — Me deixem sair. Eu não vou aguentar por muito tempo.

Depois de um silêncio longo, a voz da mãe de Leo veio do outro lado, fria, controlada, como se aquilo fosse apenas um ajuste necessário.

— Fawn, não me culpe por isso. — Ela falou. — Ariel está grávida. Fique no porão por uma noite. Quando ela se acalmar, você vai ser solta.

Eu desabei no chão, apertando o meu baixo ventre com força e mordendo o lábio, recusando-me a dizer mais qualquer coisa.

Depois que casei com o Leo, eu tinha tratado a mãe dele como se fosse a minha. Quando as costas dela doíam, eu tinha passado noites em claro massageando, só para que ela conseguisse dormir com conforto. Qualquer desejo que ela mencionasse de passagem — custasse o que custasse — eu fazia de tudo para realizar.

Embora ela sempre tivesse favorecido a família do filho mais velho, a atitude dela comigo tinha amolecido ao longo dos anos. Eu tinha acreditado que o tempo e a sinceridade conseguiriam aquecer até o coração mais frio, mas eu tinha me enganado. Não importava o quanto eu a tratasse bem, quando se tratava da esposa do filho mais velho dela, ela ainda ficava contra mim sem hesitar.

Ela falou por muito tempo através da porta. Ainda assim, mesmo quando os passos dela foram se afastando aos poucos, eu não implorei novamente.

Eu não sabia quanto tempo tinha passado. Quando a lua já estava alta no céu, eu mal estava consciente quando, de repente, ouvi passos caóticos se aproximando.

Um grupo de homens de terno preto entrou correndo e me cercou na mesma hora. Em seguida, um homem alto e bonito deu um passo à frente. Era Will Harmon, o antigo secretário pessoal do meu pai e meu amigo de infância.

Diante de mim, com o rosto tenso, ele deu uma ordem imediata às pessoas ao lado dele:

— Verifiquem ela agora. Ela está grávida. Não pode sofrer nenhum tipo de dano.

Só depois que o médico confirmou que eu estava fora de perigo é que Will finalmente soltou um suspiro de alívio.

— Senhora Jossa… — Ele falou com suavidade. — Me desculpe por ter chegado tarde. Eu vou te levar pra casa agora.

As lágrimas explodiram dos meus olhos. Eu sempre soube que, quando tudo desabasse, o Will era a única pessoa em quem eu realmente poderia confiar.

Com o apoio dele, eu saí do porão. Os papéis do divórcio na minha mão escorregaram entre meus dedos e caíram em silêncio num canto. Antes de ir embora, eu ateei fogo no porão. Enquanto as chamas rugiam atrás de nós, eu segui com Will sem olhar para trás.
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