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CAPÍTULO 2

Author: Moore
A minha mão se fechou com força em torno do celular enquanto eu desligava. Quando eu me virei, eu encontrei o olhar de Leo levemente nervoso, e o meu peito se apertou com uma mistura amarga de dor e ressentimento.

— Era um amigo. — Eu mantive a voz estável, mesmo sentindo a garganta arder. — Ele está prestes a virar pai… você quer ser pai?

Leo relaxou de forma visível. Ele deu um passo à frente e me puxou para um abraço profundo, daqueles que antes me faziam acreditar que eu era o lugar mais seguro do mundo.

— Está tudo bem. — A voz dele veio suave, gentil. — Eu não tenho pressa.

Um gosto amargo se espalhou pela minha boca.

"Não tem pressa?" Se ele não tinha, então por que me traiu quando engravidou a Ariel?

O carinho nos olhos de Leo pareceu o mesmo de sempre, quente e sincero, como se não existisse nada escondido sob aquela superfície impecável.

— De qualquer maneira, a vida a dois é muito melhor. — Ele continuou, como se estivesse oferecendo um futuro perfeito, embrulhado em palavras bonitas. — Eu comprei passagens para a gente fazer um cruzeiro daqui a três dias. Vamos viajar pelo mundo juntos, tudo bem?

O roteiro que ele descreveu era tentador, o tipo de sonho que eu teria aceitado sem pensar duas vezes… só que, em três dias, eu estaria indo para longe dele.

Eu o empurrei de leve, engolindo a dor que subia pelo meu peito, e perguntei:

— Leo… e se eu te desse um filho?

A minha mão, sem que eu percebesse, repousou sobre o meu baixo ventre. Aquela gravidez inesperada me pegou totalmente desprevenida. Mesmo já tendo tomado a decisão de partir, eu não queria mentir sobre a existência da criança. Leo era o pai. Ele tinha o direito de saber.

Em vez disso, ele ficou em silêncio, e aquela hesitação lançou um frio cortante direto dentro de mim.

— Fawn… — Ele pronunciou meu nome como se fosse um pedido de compreensão. — Nós ainda somos jovens. Vamos falar sobre filhos mais pra frente.

O meu coração levou um choque, como se alguém o apertasse com força. Demorou um instante longo demais até eu conseguir responder, baixinho:

— Tá bom.

Se aquela criança não era desejada pelo próprio pai, então não havia motivo para eu revelar sua existência. Eu iria embora com ela. Mesmo sem pai, ela ainda seria a coisa mais preciosa da minha vida.

Leo soltou um suspiro de alívio, como se tivesse escapado de uma armadilha. Acreditando que tínhamos chegado a um entendimento, ele tirou uma caixa e, de dentro, revelou um colar de diamantes de um brilho impecável.

— No momento em que eu vi isso no leilão, eu soube que era seu. — Ele falou com um sorriso que, em outro tempo, teria me feito sorrir também.

Ele me olhou com ternura e prendeu o colar ao redor do meu pescoço com as próprias mãos. Quando os lábios dele estavam prestes a roçar na minha bochecha, a porta do quarto foi empurrada com força.

Ariel apareceu na entrada, com uma das mãos apoiando a barriga de grávida. O rosto dela estava pálido e, quando o olhar dela caiu sobre nós, o corpo dela vacilou, fraco, como se fosse desmaiar a qualquer instante.

A expressão de Leo mudou na hora. Ele avançou e a puxou para os braços, enquanto eu, pega de surpresa, fui empurrada para trás e caí no chão. O meu joelho bateu com força na quina da mesa, e lágrimas escaparam pela dor. Ainda assim, toda a atenção de Leo permaneceu em Ariel. Ele nem sequer me lançou um olhar.

— Você está grávida. Como pôde sair correndo desse jeito? — A repreensão dele veio dura, carregada de preocupação. — E se tivesse acontecido alguma coisa com o bebê?

Ele a protegeu com cuidado, e a ternura no olhar dele atravessou o meu como uma faca, roubando meu ar.

Ariel agarrou o colarinho dele e se aninhou contra o peito dele, a voz tremendo de choro.

— Eu fiquei com medo enquanto estava sozinha no quarto…

Leo a acalmou com suavidade e, então, se virou para mim com uma expressão impotente, como se eu devesse entender e aceitar.

— Fawn, você sabe o quanto essa gravidez é importante. Nada pode acontecer com o bebê. — Ele falou rápido, decidido. — Eu vou deixá-la confortável e volto já.

Eu permaneci em silêncio por um momento, e então assenti, obediente, como a esposa perfeita que eu tinha sido por tempo demais.

O olhar dele suavizou ainda mais, e a voz dele ficou gentil.

— Descansa um pouco. Eu volto para te fazer companhia assim que eu cuidar da Ariel.

Com isso, ele apoiou Ariel e saiu apressado. No último instante, Ariel virou o rosto e me lançou um olhar provocador, como se roubar o meu marido lhe desse um prazer imenso.

Sem perceber, os meus pés foram atrás deles. Talvez, se eu não visse a traição de Leo com os meus próprios olhos, eu nunca conseguiria deixá-lo de uma vez por todas.
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