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CAPÍTULO 3

Author: Moore
Eu os segui em silêncio até eles chegarem à porta do quarto de Ariel.

De volta ao próprio território, Ariel tinha ficado ousada. Ela envolveu os braços no pescoço de Leo, e os lábios vermelhos recém-pintados roçaram nele de propósito, provocando, brincando com o limite.

— Eu vi aquele colar de diamantes. — Ela deixou a inveja escorrer na voz. — É uma peça única, exclusiva no mundo inteiro. Eu fiquei com tanta inveja dela!

— Não faz isso. — Leo a afastou com delicadeza, mas a voz dele saiu tensa, como se ele estivesse lutando contra um desejo que não queria admitir. — Você ainda está no primeiro trimestre. Não pode fazer isso agora.

Os lábios de Ariel se curvaram em um sorriso, e ela se inclinou ainda mais, como se quisesse atiçar as chamas em vez de apagá-las.

— Eu não me importo. Eu também quero um colar de diamantes… maior e mais caro do que o dela.

Leo soltou um suspiro baixo. O tom dele suavizou, se transformando em um tipo de indulgência que eu nunca tinha ouvido da boca dele, não daquela forma, não com aquela naturalidade.

— O seu filho vai ser o sucessor da família Carter. Todo o poder e todo o status vão ser seus. Não fica se prendendo a essas coisinhas sem valor.

Cada palavra tinha sido uma punhalada. Ele entregava a Ariel tudo o que realmente importava — poder, status e futuro — enquanto para mim sobravam apenas enfeites comprados por impulso, migalhas brilhantes para disfarçar o vazio.

Naquele instante, alguma coisa dentro de mim finalmente morreu. Eu recuei cambaleando até o meu quarto, com as pernas mal me sustentando, e liguei de novo para Sr. Harmon.

— Prepare os papéis do meu divórcio. — Balbuciei. — Resolva tudo por aqui também. Compre uma passagem pra mim. Eu não vou voltar.

Quando eu terminei de arrumar as malas, a madrugada já tinha virado amanhecer sem que eu percebesse. Eu chequei o celular. Não havia uma única mensagem. Leo tinha esquecido a promessa de voltar imediatamente e tinha passado a noite inteira no quarto de Ariel. O meu coração ainda doía, mas eu já não me sentia decepcionada.

Durante o café da manhã na sala de estar, Leo desceu correndo as escadas, com o cabelo todo bagunçado. Quando me viu sentada à mesa de jantar, ele soltou um longo suspiro de alívio, como se finalmente tivesse voltado a respirar.

— Eu não te vi no quarto. — A voz dele ainda vinha abalada. — Você quase me matou do coração. Eu achei que você tivesse ido para algum lugar.

Ele se aproximou e me puxou para os braços, e o medo que tremia na voz dele teria sido convincente… se eu não tivesse ouvido tudo o que eu tinha ouvido na noite anterior.

— Eu fiquei apavorado quando não consegui te encontrar. — Ele apertou o abraço, como se tentasse me prender ali. — De agora em diante, aonde você for, você tem que me avisar antes, tá bem?

Um sorriso amargo puxou meus lábios. Se ele tivesse mesmo medo de me perder, ele não teria feito as coisas que tinham me ferido tão fundo.

Depois de hesitar por um instante, eu tirei os papéis do divórcio que Sr. Harmon tinha preparado. No entanto, antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, Ariel desceu as escadas correndo, chorando.

A mãe de Leo veio atrás dela, ansiosa, gritando:

— Não corre! Minha preciosidade, cuidado com o bebê!

Ariel a ignorou. Ela ergueu um bilhete de cruzeiro e exigiu, furiosa:

— Você vai fazer uma volta ao mundo com ela? E quanto a mim? Você vai simplesmente me deixar aqui?

Leo me empurrou para o lado sem hesitar e se virou para Ariel, e um pânico claro cruzou o rosto dele.

— Não se estressa! — A urgência dele saiu rápida, desesperada. — Cuidado com o bebê. Se você quiser ir, eu compro uma passagem agora mesmo!

Ele puxou o celular e se afastou, já pronto para resolver aquilo. No segundo em que ele virou as costas, Ariel olhou para mim e abriu um sorriso cruel. Então, num movimento rápido, ela puxou a própria roupa, beliscou o próprio braço com força e desabou contra a parede, com o cabelo todo desarrumado, encenando dor e fragilidade.

— Fawn, eu não vou mais na viagem! — Ela gritou, chorosa. — Por favor, não me bate!

Leo se virou a tempo de ver Ariel escorregar devagar até o chão. A expressão dele escureceu na mesma hora.

Ele correu para pegá-la no colo e me encarou, decepcionado.

— Ela está carregando o bebê dos Carter. — Falou grosseiramente. — Como você pôde levantar a mão pra ela?

Eu acenei as mãos, desesperada, sentindo o mundo apertar ao redor de mim.

— Eu não toquei nela…

No entanto, a mãe de Leo apontou direto para mim e gritou, acusatória:

— Ela empurrou! Eu vi com os meus próprios olhos.
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