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Abandonando os Canalhas, um Novo Caminho
Abandonando os Canalhas, um Novo Caminho
Author: Água com Gás

Capítulo 1

Author: Água com Gás
Depois de cinco horas de resgate, Fabiana finalmente saiu de perigo.

Quando Fabiana recuperou a consciência, ela sentiu como se até respirar causasse dor. Seu rosto estava tão inchado que parecia prestes a explodir. Ela abriu os olhos com dificuldade, instintivamente buscando por duas figuras familiares, mas logo ela percebeu que o quarto estava completamente vazio.

O celular dela estava em cima de um armário ao lado. Fabiana tentou levantar o braço para alcançá-lo, mas ele estava longe demais. Quando ela se preparava para, com muito esforço, erguer o corpo, uma enfermeira entrou no quarto para trocar o soro e prontamente impediu seus movimentos:

— Você acabou de sair da sala de emergência, não pode se mexer assim. Eu pego para você.

A enfermeira, com boa vontade, entregou o celular e, enquanto trocava o soro, fez questão de alertá-la:

— Você não sabia que tem uma alergia grave a castanhas? Da próxima vez, lembre-se: jamais coma algo que contenha castanha. Desta vez, você teve sorte de ser trazida ao hospital a tempo. Caso contrário, sua vida teria acabado.

Fabiana não sabia como responder. Será que ela deveria dizer que foi o próprio filho quem escolheu um bolo de castanha, sabendo de sua alergia?

Seus olhos caíram sobre o próprio corpo conectado a vários aparelhos. Ela abriu a boca com dificuldade para perguntar:

— Onde eles estão?

Ela não queria usar as palavras "meu marido" e "meu filho" para se referir a Yuri e Caio.

A enfermeira pensou por um momento antes de responder:

— Você está se referindo ao seu marido e ao seu filho, certo? Eles trouxeram você para o hospital, pagaram as despesas e saíram com pressa. Eles disseram que tinham algo importante para fazer. Ligue para eles.

Depois de dizer isso, a enfermeira murmurou baixinho enquanto terminava o trabalho:

— Não sei o que pode ser mais importante do que a esposa e a mãe deles. Dois caras de coração duro, isso sim.

Essas palavras diretas atingiram Fabiana como uma faca no peito. Ela sabia muito bem o que poderia ter feito aqueles dois saírem tão apressados.

Fabiana desbloqueou o celular e abriu o chat com Yuri. A conversa ainda estava completamente vazia, sem mensagens.

Ela entrou no Instagram e, logo no topo do feed, viu uma postagem de Cecília Santiago.

[Agradeço aos dois cavalheiros que vieram correndo me ajudar a capturar uma barata. Realmente, uma casa não pode ficar sem homens (emoji de risada).]

A foto mostrava Yuri segurando uma vassoura que não combinava em nada com sua elegância usual pressionando uma barata no chão. Ao lado dele, Caio estendia os bracinhos, como se quisesse proteger Cecília.

Aquelas duas figuras tão familiares, uma grande e outra pequena, fizeram os olhos de Fabiana arderem. A sensação de sufocamento voltou a invadi-la.

Eles haviam deixado Fabiana, que quase morreu por causa de uma reação alérgica, para ajudar Cecília a lidar com uma barata.

E pensar que a alergia de Fabiana tinha sido causada por Caio. Ainda assim, eles não demonstraram um pingo de culpa ou preocupação.

Fabiana deixou escapar um sorriso amargo. Claro, Caio desejava que ela nunca mais acordasse.

Quanto a Yuri, mesmo que ele não soubesse da intenção do filho, Fabiana tinha certeza de que, no fundo, ele também preferia que Cecília fosse sua esposa.

Dois homens que a desprezavam tanto jamais ficariam no hospital esperando por ela.

Fabiana colocou o celular de lado e olhou para a luz branca e fria do hospital. Memórias do passado começaram a inundar sua mente.

Fabiana e Yuri cresceram no mesmo bairro. Os dois eram praticamente amigos de infância.

Yuri sempre foi brilhante. Ele terminou o ensino médio cedo e foi estudar no exterior para se preparar para assumir os negócios da família.

Fabiana, por outro lado, sempre foi introspectiva. Quando o grupo de amigos brincava na rua, ela apenas observava de longe. Conforme crescia, sua presença parecia se tornar ainda mais insignificante.

Mas foi exatamente essa Fabiana, tão apagada, que se apaixonou pelo radiante Yuri na adolescência.

Fabiana achava que seu amor secreto terminaria no momento em que Yuri se casasse com outra pessoa.

No entanto, para sua surpresa, assim que Yuri voltou ao Brasil, ele a procurou imediatamente e perguntou se ela aceitava se casar com ele.

Fabiana ficou atônita com a surpresa inesperada. Incapaz de conter os sentimentos que cresciam dentro dela, disse "sim" sem pensar duas vezes.

Foi assim que Fabiana acabou se tornando esposa de Yuri.

No entanto, em uma noite de bebedeira, Fabiana descobriu, pelas próprias palavras de Yuri, que ele havia tido uma namorada que amava profundamente durante o período em que estudava no exterior.

Essa mulher fez um pedido inusitado: ela disse que só aceitaria se casar com ele se ele a pedisse em casamento 99 vezes. Na centésima, ela finalmente diria "sim".

Yuri acreditou nela.

Os Alpes Suíços, a Torre Eiffel, as praias de areia negra na Islândia, a Catedral de Milão... Todos esses lugares se tornaram testemunhas de cada um dos pedidos de casamento feitos por Yuri.

Até que, no dia da formatura, Yuri organizou uma grande cerimônia para o centésimo pedido de casamento. Yuri estava certo de que ela aceitaria e que eles poderiam voltar ao Brasil e se casar imediatamente. Mas, diante de amigos e colegas, naquela ocasião especial, ela o rejeitou pela centésima vez.

A garota disse que não queria se casar tão cedo e pediu que ele esperasse mais três anos.

Yuri perdeu toda a paciência. Irritado, ele voltou para o Brasil e decidiu se casar com qualquer pessoa. Fabiana acabou sendo a escolha óbvia, já que era a mulher que vivia mais próxima da família Miranda.

Quando descobriu a verdade sobre o casamento, Fabiana não se importou no início. Ela acreditava que o tempo os uniria e que Yuri acabaria se apaixonando por ela.

Um ano após o casamento, Fabiana deu à luz Caio, e a relação entre ela e Yuri parecia estar melhorando. Eles já eram vistos como a família perfeita aos olhos dos outros: um casal feliz e um adorável filho.

Até que, há um mês, a primeira namorada de Yuri, Cecília, voltou.

Yuri parecia ter esquecido os cem pedidos de casamento fracassados da época da universidade. Ele não conseguia evitar se aproximar de Cecília, demonstrando por ela um cuidado e uma atenção que Fabiana nunca havia recebido.

Yuri começou a passar noites fora de casa, e até mesmo Caio, seu filho, frequentemente o acompanhava para visitar Cecília.

Fabiana acreditava que os seis anos de casamento com Yuri e os cinco anos como mãe de Caio tinham algum peso no coração deles. Ela achava que, no fundo, eles ainda se importavam com ela.

Mas foi só hoje que ela finalmente acordou do mundo de mentiras que havia construído para si mesma.

Seis anos não foram suficientes para aquecer o coração de Yuri. Nem mesmo o filho que ela trouxe ao mundo parecia enxergá-la como sua mãe.

O som de uma porta se abrindo interrompeu os pensamentos de Fabiana. Instintivamente, ela olhou para a entrada do quarto. Um adulto e uma criança estavam parados na porta.

Yuri empurrou Caio levemente com a mão, com uma expressão séria no rosto:

— Vá pedir desculpas à sua mãe.

Caio, nervoso, começou a apertar os dedos das mãos enquanto caminhava lentamente até a cama dela. Ele murmurou com uma voz quase inaudível:

— Mamãe, me desculpa.

Fabiana virou o rosto para o lado, sem dar qualquer resposta. Ela viu nos olhos de Caio a completa falta de vontade em pedir desculpas.

Yuri, com o tom de voz grave, completou:

— Caio não fez por mal. Ele não sabia que você era alérgica a castanhas. Eu já o repreendi e prometo que isso não vai se repetir. Nunca mais vamos trazer nada com castanhas para você. Quando você desmaiou, eu tive que voltar para o trabalho porque havia uma emergência na empresa.

Era pleno verão, e o calor fazia o ar parecer pesado e sufocante, mas Fabiana sentiu como se estivesse congelando. O frio que invadiu seu coração parecia ser cem vezes mais intenso do que o inverno mais rigoroso.

Desde que Fabiana havia acordado, Yuri não havia enviado sequer uma mensagem para saber como ela estava. Cada palavra que ele dizia desde que entrou no quarto era uma mentira.

Quando Fabiana permaneceu em silêncio, Yuri franziu as sobrancelhas, claramente incomodado:

— Já chega. Hoje é seu aniversário. Não guarde rancor de uma criança. Eu e Caio trouxemos um presente para você. Veja se gosta. Quando você sair do hospital, vou colocá-lo em você.

Depois de falar, Yuri retirou uma caixa de presente e a abriu, revelando um colar de diamantes. Era óbvio que eles haviam passado no shopping normal e para comprar algo qualquer antes de vir ao hospital.

Fabiana deu apenas uma olhada no presente, desviou o olhar e respondeu com voz baixa:

— Eu também tenho um presente para vocês.

Yuri, surpreso, perguntou automaticamente:

— Hoje é seu aniversário. Que presente você quer nos dar?

Caio olhou para ela, igualmente confuso.

Fabiana esboçou um sorriso tranquilo, como se tivesse finalmente se libertado de um fardo:

— É um presente que precisamos trocar. Não se preocupem, vocês vão recebê-lo em alguns dias. Tenho certeza de que vão adorar.

"Um acordo de divórcio assinado. Exatamente o que vocês sempre quiseram."

Fabiana pensou, decidida.

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