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Capítulo 7

Author: Água com Gás
Quando Fabiana abriu os olhos novamente, o cheiro forte de desinfetante invadiu suas narinas. Ela estava no hospital. Antes que ela pudesse entender tudo o que havia acontecido, ela ouviu a voz fria de Yuri, que estava sentado ao lado da cama, sem sequer olhar diretamente para ela:

— Quando Cecília acordar, você vai pedir desculpas a ela.

O coração de Fabiana apertou. Um frio cortante percorreu seu corpo. Acabara de recobrar a consciência, mas as primeiras palavras de Yuri não foram para perguntar como ela estava, nem para demonstrar qualquer preocupação. Ele só queria que ela se desculpasse com Cecília.

Ela ergueu os olhos e perguntou, com a voz ainda fraca:

— Foi ela quem me puxou para a água. Por que eu deveria pedir desculpas?

Yuri franziu as sobrancelhas, a desconfiança estampada em seu rosto:

— Ainda tem coragem de mentir? Todo mundo sabe que você ficou com ciúmes porque Cecília deu aquelas camisetas combinando para o Caio. Você tentou empurrá-la na piscina, mas acabou caindo junto por acidente.

Fabiana olhou para o homem que ela havia amado por tantos anos. O rosto dele não mostrava nenhuma preocupação pelo que havia acontecido com ela, nenhum traço de remorso. Havia apenas irritação e acusação.

Afinal, seis anos de convivência dia e noite não foram suficientes para conquistar nem um mínimo de confiança dele.

Ela soltou uma risada suave, mas havia uma frieza assustadora em seu tom de voz:

— Se você não acredita em mim, Yuri, pode verificar as câmeras de segurança.

Fabiana já tinha decidido abandonar o papel de esposa de Yuri e de mãe de Caio. Ciúmes? Por que ela perderia tempo com algo tão irrelevante?

Yuri a encarou, os olhos estreitados, como se tentasse decifrar suas palavras. Algo nele parecia inquieto. A Fabiana diante dele não era a mesma de antes.

— Você...

Antes que ele pudesse continuar, o toque do celular o interrompeu. Ele atendeu, e a voz de Caio soou animada do outro lado da linha:

— Papai! A tia Cecília já acordou!

A expressão de Yuri mudou instantaneamente. A frieza desapareceu, dando lugar a uma leve alegria:

— Estou indo agora.

Ele desligou o celular e olhou para Fabiana mais uma vez. Sua voz voltou a ser dura e indiferente:

— Pense no que você fez. Eu não quero que minha esposa seja uma mulher desequilibrada por ciúmes, e Caio também não merece uma mãe assim.

Sem esperar por uma resposta, ele virou as costas e saiu do quarto.

Fabiana observou o marido se afastar, a expressão vazia, os olhos tranquilos como um lago sem vida.

Coincidentemente, ela também estava prestes a deixar de ser a Sra. Miranda e a mãe de Caio.

O som de uma notificação no celular a tirou de seus pensamentos.

[Prezada passageira, o seu voo partirá em 3 horas.]

Fabiana se levantou, fez os procedimentos de alta médica e saiu do hospital. No caminho, ela passou por uma sala e, por reflexo, parou ao reconhecer as vozes familiares vindas de dentro.

Pela janela da porta, ela viu Yuri sentado ao lado da cama de Cecília, segurando uma tigela. Ele estava dando comida para Cecília com cuidado, a cada colherada, enquanto seus olhos a encaravam com uma ternura que Fabiana nunca havia experimentado.

— Não quero que você chegue perto da tia Cecília! Se não fosse por você, ela nem estaria doente e no hospital. Você é uma mãe horrível!

Caio surgiu sabe-se lá de onde, abrindo os braços e se posicionando na frente da porta do quarto do hospital. Seu rosto estava tomado por uma expressão de hostilidade enquanto encarava Fabiana.

Aquelas palavras atingiram Fabiana como uma faca. Era a primeira vez que Caio, cara a cara, deixava tão claro o quanto desprezava a própria mãe. Cecília realmente havia conquistado um espaço profundo no coração dele.

Os dedos de Fabiana tremeram levemente, mas, no final, ela não fez nenhum movimento. Ela apenas se agachou e ficou olhando para o filho que ela havia carregado por nove meses em seu ventre:

— Não esqueça de abrir aquele presente de aniversário. É... minha última tentativa de te fazer feliz.

Caio, naquele momento, só tinha Cecília em mente e sequer prestou atenção no que Fabiana disse. Ele virou o rosto para o lado e soltou um resmungo frio:

— Que presente ridículo. Não preciso disso. Ficar longe da tia Cecília já seria o melhor presente que você poderia me dar!

Fabiana soltou uma leve risada, sem se incomodar em responder. O desejo de Caio estava prestes a se realizar.

Uma hora depois, Fabiana chegou ao aeroporto com sua bagagem em mãos.

[Edgar, envie para o Yuri as imagens das câmeras de segurança de hoje, na área da piscina.]

Ela mandou a última mensagem para o mordomo Edgar. Em seguida, ela retirou o chip do celular, quebrou-o e o jogou no lixo.

No momento em que o avião rompeu as nuvens em direção ao céu, a luz dourada do sol envolveu Fabiana, criando ao seu redor uma aura suave e serena.

Fabiana exibiu um sorriso genuíno, o primeiro em muito tempo.

“Yuri, Caio, os títulos de Sra. Miranda e de mãe do Caio... Eu não quero mais nenhum deles. Agora, vou viver a minha própria vida. A partir de hoje, nunca mais nós veremos.”

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