LOGINZOE MONDEGO
— Pois não, Sr. Lecos — falei, tentando disfarçar a raiva na minha voz. Pousei a xícara de café ao meu lado e me concentrei na tela, focando no olhar de Hugo.
Em contrapartida, ele olhou-me com aquela expressão de “desculpe, mas não posso fazer nada”, e eu senti um peso enorme no peito. Eu odiava essa expressão, era uma das piores coisas que alguém poderia me dizer.
— Não me trates assim, Zoey — disse, com uma voz que tinha um tom de pena, mas que para mim soava como uma desculpa vazia. — Eu não posso interferir numa reunião da mesa de congresso, eu, de qualquer forma, não tenho tanto poder para isso, ainda mais com uma decisão já pré-estabelecida. A decisão final é da mesa de congresso, sabe disso, se eu pudesse, jamais te colocaria em uma situação dessas.
— Mas não estão sendo respeitosos comigo! — Eu praticamente gritei. — Esforcei-me tanto, dediquei-me tanto, e ninguém está levando em consideração isso! — A raiva estava estampada no meu rosto.
O meu amigo ficou em silêncio por um momento, e eu senti a tensão crescer ainda mais. Ele sabia o quanto eu estava a ser sincera, sabia que eu estava em um ponto de rutura.
— Eu sei, Zoey — ele finalmente falou, com a voz mais baixa. — Mas nesse momento, eu estou de mãos atadas. Eu lamento, mas não é dessa vez.
Foi então que, sem pensar, as palavras saíram da minha boca.
— Então certamente terei que dar a novidade mais rápido do que imaginava.
Hugo ficou em silêncio, como se não soubesse o que eu estava querendo dizer.
— Que novidade? — Perguntou, desconfiado.
Respirei fundo, tentando manter a calma, mas sabia que era tarde demais para voltar atrás, já estava mesmo dentro do jogo, não havia como sair agora.
— Estou noiva! — Eu disse por fim, de forma calma, quase sem expressão, como se estivesse somente falando sobre algo simples, como a cor do tempo. Em resposta, houve um silêncio profundo, e logo em seguida uma sequência de risos incontroláveis que invadiu a tela.
Eu podia sentir as gargalhadas ecoando na sua sala e sabia que ele estava achando tudo uma grande piada, o pior era que, ao ouvi-lo rir, a minha raiva crescia ainda mais.
— Você, noiva? — Ele perguntou entre risos. — Boa, tens sempre uma boa piada para aliviar o momento — ele limpou uma lágrima do canto do olho.
— Não estou brincando, Hugo — falei, tentando não deixar transparecer o quanto estava magoada. — Estou falando sério, estou noiva. Não queria que o meu estado civil interferisse nas suas decisões, que ignorassem todas as minhas capacidades, mas, se é assim que tem que ser, então será.
De repente, ele parecia incrédulo, como se eu fosse a última pessoa do mundo a fazer esse tipo de coisa. Ele olhou para mim com um sorriso cínico, mas não disse nada. Eu podia ver que ele não acreditava em mim, ele nunca acreditaria, é claro.
— Zoey, olha para mim — ele disse, com um tom de voz mais suave, mas ainda assim cheio de condescendência. — Eu sei o quanto você trabalhou para isso. As noites mal dormidas, eu sei disso. Mas…
— Mas nada, Hugo! Chega! — Eu não pude mais conter a minha frustração. A raiva estava me consumindo por dentro. Respirei profundamente e, em seguida, disse o que tinha que ser dito. — Vou fazer isso, a bem ou a mal, não importa mais. Estou noiva e se você não acredita nisso já não é problema meu.
Hugo levantou as mãos, como se estivesse se rendendo.
— Ok! — Ele respondeu, já visivelmente irritado. — E agora, o que você quer que eu faça?
Eu olhei-o diretamente nos olhos, a única coisa que eu sabia era que não podia dar um passo para trás. Eu não estava nenhum pouco disposta a perder isso.
— Quero que você mande uma carta para o vice-presidente, dizendo para ele analisar melhor o meu caso. E, junto com a carta, você vai enviar um convite de jantar para ele e a sua esposa, e também para o restante do pessoal da mesa de congresso, para eu apresentar o meu noivo — disse, sem hesitar, vendo o espanto no rosto de Hugo.
Ele parecia cada vez mais incrédulo, mas o que importava?
— Você realmente não está pedindo algo fácil, Zoey — ele disse, balançando lentamente a cabeça, como se estivesse tentando processar o absurdo da situação. — De qualquer forma, eu espero não estar perdendo o meu tempo e, principalmente, não estar a desperdiçar o tempo do vice-presidente.
— Dê-me somente um voto de confiança, Hugo, por favor — implorei, sentindo a minha voz falhar pela pressão.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de dar a sua resposta final.
— Você tem 360 horas para arranjar um noivo, Zoey — disse, e, antes que eu pudesse responder, ele encerrou a ligação.
Fiquei ali, sozinha, olhando para a tela escura do computador. Lentamente, fechei o computador portátil e deixei a minha cabeça cair sobre a mesa.
Não sabia se estava rindo ou chorando, o que eu sabia era que, se não arranjasse um noivo até a próxima semana, a minha carreira estaria realmente comprometida, talvez eu nem fosse promovida.
Talvez fosse demitida.
ZOE MONDEGO Os meus pais não têm o jato privado, tudo porque o meu pai sempre manteve a política de que não pagaria por algo que ficará metade do ano parado. Nesse caso, eu concordava plenamente com, porém, isso não fazia com que polpa-se quando foi reservar literalmente toda a primeira classe do avião comercial. Nós somos seis, contando com as mais seis melhores amiga da noiva, fez-se no total doze pessoas, ocupando toda a área. Assim que eu entrasse na aeronave, faria questão de procurar os assentos mais distantes deles para ir durante todas as seis horas de viagem. Estamos todos sentados na sala VIP do aeroporto, cercados pelo luxo discreto e pela atmosfera de exclusividade que permeia o ambiente. Os assentos são confortáveis, o serviço é impecável e o silêncio tranquilo oferece um refúgio bem-vindo da agitação lá fora, quer dizer, silêncio entre aspas, porque era impossível não ouvir os cochichos das meninas, mesmo que elas tentassem falar o mais baixo possível. Observei vagam
ZOE MONDEGO E como se tudo não pudesse piorar, senti logo uma pontada de indignação ao ver Kristen se aproximando do meu marido de mentira. Ela estava vestindo um biquíni amarelo clarinho que evidenciava os seus cabelos ruivos presos por um coque alto, que, apesar de ser bonito, era excessivamente sensual aos meus olhos. Aquela escolha de traje, somada à maneira como ela segurava as taças de vinho e uma garrafa de vinho branco, deixava claro que ela tinha algo em mente, algo que eu não estava disposta a permitir. Eu definitivamente não queria ficar com ciúmes dela, mas ainda me admira como ela ousava se insinuar para qualquer homem que não seja o seu marido Colton. Talvez eu simplesmente devesse deixar o próprio Christian lidar com isso, certo? Eu estou pagando para que ele finja me amar, ele não faria a bobagem de corresponder as investidas dela, não é? Porém, decidi que não deixaria esse ultraje passar impune quando vi o loiro segurar uma das taças de vinho que Kristen o ofereceu
Olhar penetranteImpávido e serenoTentações que sonheiPrazeres imagináriosConvites recusadosSerei eu próprioDe me seduziresDe me levares deste conforto calmoDe me mostrares quem realmente ésDe te abrires comigoContar-me todos os teus segredosToda a tua intimidadeDe ficar com o teu perfume cravado na minha peleDos teus beijosLeva-meEm qualquer sítio, em qualquer lugarNum canto só nossoPara aí te abrir o meu fatoDescair toda a roupa que há em nósPara nos entregar-nos mutuamentePara realizar o nosso desejoPara sentir o sabor da tua pelePara trocar os nossos valoresPara sermos únicosSermos um sóPorque amanhã nem sequer nos conhecemosMas ficou a marcaFicou o momentoPara mais tarde recordar — Adonis silvaZOE MONDEGO— Sabe como é, neh? Tudo está tão entediante com a sua ausência — Louise resmungou audivelmente. — O bom é que essa é a última semana, não é? O dia após a despedida de solteiro será o casamento, certo? Sorte a nossa. — Sim, ao menos, tudo isso deixa
— Ei — ele disparou com a voz baixa, com o canto do lábio se curvando para cima e morrendo em seguida assim que ele a reconheceu. Os seus olhos inclinaram-se para cima e para baixo no seu corpo de uma maneira que quase faz a pele de Louise.Porém, nesse momento ela gostaria que fosse realmente um serial killer.— Hugo Lecos — ela disse, mantendo a porta aberta por mais tempo do que desejava. O gesto parecia um convite, mas, na verdade, era um esforço para conter o seu surto interno. — Você é casado! O que estava fazendo num aplicativo de encontro as cegas? — Tudo o que conseguiu ouvir dele foi um suspiro resignado.— Posso entrar? Eu trouxe vinho. — Pediu ele, enquanto Louise hesitava por quase um minuto inteiro, debatendo internamente sobre a sabedoria de permitir a sua entrada. No final, ela cedeu, abrindo um pouco mais a porta para que ele pudesse, finalmente, entrar.Para ser sincera, Louise sabia muito pouco sobre Hugo. Desde que Zoe chegou a Los Angeles, ela havia-o visto apenas
A bela floricultura em uma estrada movimentada de Los Angeles é um oásis de luxo e elegância no coração da cidade. A sua fachada principal é um espetáculo à parte, projetada com uma estética de classe mundial em tons de preto e dourado.Ao se aproximar do vivero de plantas, você é recebido por um majestoso portal de vidro, que se estende do chão ao teto, permitindo que a luz natural ilumine o interior e realce a beleza das flores e arranjos. O vidro é complementado por uma estrutura de metal preto, que cria um contraste impressionante e enfatiza a sofisticação do estabelecimento.Logo na entrada, uma impressionante variedade de flores exala as suas fragrâncias e cores irresistíveis. Grandes vitrines de vidro, também em tons de dourado, exibem cuidadosamente os buquês e arranjos exuberantes, criados com uma seleção das plantas mais raras e deslumbrantes. Rosas, lírios, orquídeas, petúnias e outras flores exóticas se destacam, cada uma na sua própria beleza única.No interior, o ambient
ZOE MONDEGOA nossa ida a Strip District foi feita em silêncio, na verdade, Christian Mcnegro se concentrava em falar com alguém no celular no qual eu novamente não prestei atenção, e eu mantive-me atenta ao meu trabalho, discutindo algumas coisas com Hugo, que se preocupava em saber detalhadamente das fofocas da minha família e ocasionalmente me ralhando por eu não estar me divertindo.Seria possível eu conseguir mentir com todo o peso da mentira dando cabo das minhas costas? Tenho certeza que não.Christine se me visse agora, estaria dando risada da minha cara e garantido que eu não conheço a palavra diversão, apenas trabalho, e para ser sincera, neste momento, não tenho autonomia para discordar.Olhei mais uma vez de forma discreta para o homem cheiroso ao meu lado.Eu sempre admirei a habilidade dele em fingir que está totalmente envolvido em conversas quando estamos com a minha família. Ele não é do tipo que gosta muito de falar, apenas o necessário, especialmente quando está fle







