LOGINAs palavras dele me atingiram como uma lança cravada no peito. Eu sabia o quanto seria difícil para Zoe e Maicon perderem a mãe. E era exatamente por isso que Oliver precisava continuar ao lado dos nossos filhos quando eu partisse.Portanto, ele entrar naquele carro comigo, naquele momento, não era garantia alguma de que seguiria vivo para cuidar das crianças.— Eu não sairei daqui. Então, você tem duas opções: ou me leva junto, ou ficará aqui esperando que eu saia... o que não vai acontecer.Tudo o que eu queria era sair dali e me livrar de Oliver. Porém, eu mal sabia dirigir e realmente cairia uma chuva torrencial em breve.Liguei o carro. Eu não queria conversar com ele e, por isso, permaneci em silêncio.Assim que comecei a dirigir, a chuva caiu com força. Parecia que o céu tinha esperado para desabar no exato momento em qu
— Não, Jack. — Dulce Marta levantou-se do sofá, deixando Zoe, adormecida, aconchegada nos braços de Cirdan. — Um temporal está se formando lá fora.— Zoe e Maicon ficam — Cirdan disse, enfático, enquanto ajustava discretamente a posição da perna protética. — E você também.Meneei a cabeça em sinal de negação:— Não vou ficar, Cirdan.Eles tinham razão. Era absurdo levar meus filhos embora quando uma tempestade estava prestes a cair. Sem contar que aquele era o dia de Oliver. Mesmo ele tendo ido à casa dos meus pais e dado uma surra no meu irmão... Zoe e Maicon estavam bem e seguros.E, por algum motivo, ele havia deixado Brianna em casa... com chiclete grudado nos cabelos. Tive vontade de rir. Meus pestinhas eram inteligentes. E incríveis. Senti-me contemplada por
— Não, Oliver. Você... não me machucou.Aquela noite foi estranha. Estranha, mas boa.— Obrigado por me responder, Jack.Abaixei a cabeça:— Perdoe-me por aquela noite, Oliver.O silêncio foi quase massacrante. E o pior era que persistiu por tempo demais. Oliver não desviou os olhos de mim, mas também não disse nada. Por alguns segundos, tive medo de que ele retirasse tudo o que havia dito e voltasse a me culpar.Novamente, ele tocou meu rosto. Meu corpo inteiro estremeceu naquele momento:— O que você fez foi errado...Sim, eu sabia que havia sido errado. Admiti meu erro para mim mesma durante a vida inteira. Mas nunca tivera coragem de dizer aquilo para ele.— Foi errado, Jack... mas o seu erro não transforma os meus em acertos. Eu tive sete anos para ir embora. Em vez disso, fiquei. E destruí sua vida. Fiz com que perdesse toda a sua juventude esperando por alguma coisa que eu nunca pretendia oferecer
Oliver não disse nada. Tentou se aproximar, e eu me afastei. Ele continuou vindo na minha direção, e recuei até sentir minhas costas encostarem na porta.— Não encoste em mim — falei.Ele ergueu a mão e limpou a lágrima que havia parado na minha bochecha:— Só vou encostar em você quando permitir que eu faça isso, Jack.— Ou seja, você nunca mais vai encostar em mim.Minha respiração estava acelerada, e minhas pernas fraquejaram. Preferi pensar que era medo, embora meu coração insistisse em dizer que não.— Prometo que, daqui em diante, sempre vou pedir.— Pedir? — Quase ri. — Você me beijou no apartamento de Natália sem a minha permissão. E agora diz que vai pedir?Oliver abaixou a mão:— Me perdoe, Jack.— Quer o meu perdão? — Sustentei o olhar dele. — Por qual parte?— Por ter te pedido em casamento quando gostava de outra mulher. Por ter levado você comigo para uma vida que eu não estava preparado para
Acionei a campainha e logo fui atendida pela governanta.— Onde está Oliver? — perguntei, entrando sem sequer pedir permissão.— Estão... na sala de estar íntima.Eu já sabia onde ficava. Dirigi-me para lá imediatamente. Assim que cheguei, deparei-me com Oliver, Zoe, Maicon, Cirdan e Dulce Marta. Estavam todos sentados na sala, comendo... sorvete.Assim que meus filhos me viram, correram em minha direção. E, durante alguns minutos, nada mais importou. Eu já nem me lembrava do que me levara até ali. Zoe e Maicon conseguiam fazer qualquer coisa ruim desaparecer.Diferentemente de Oliver, eu não conseguia pegar os dois no colo ao mesmo tempo. Geralmente, precisava fazer um rodízio. Mas, naquele momento, eu estava tão tensa que preferi me ajoelhar e deixar que os dois me envolvessem num abraço apertado e quase eterno.Eles falavam ao mesmo tempo, felizes por eu estar ali. E, por um breve momento, senti falta dos meus dias naquela casa... dos mom
Girei a chave, e o motor ganhou vida. Permaneci imóvel por alguns segundos, olhando para tudo à minha frente.Eu havia conseguido ligar o carro, o que já era um grande avanço. Talvez dirigir não fosse tão difícil quanto as pessoas faziam parecer.Olhei para os pedais. Havia somente dois. Onde estava o terceiro?Inclinei-me para a frente, procurando melhor. Olhei para um lado, depois para o outro. Mas realmente não havia um terceiro pedal.O carro de Natália tinha três pedais. Eu sabia porque já havia visto os pés dela se movimentando enquanto dirigia. Um deles era a embreagem, embora eu não fizesse a mínima ideia de para que servia.Talvez aquele carro estivesse com defeito. Ou Brianna tivesse comprado um veículo com peças faltando.Peguei meu celular e pesquisei rapidamente: “Carro com apenas dois pedais”. Resultado: Automático. Um freio e um acelerador. Apenas aquilo.Olhei para as letras ao lado da alavanca: P. R. N.







