LOGINNa infância, o pai a usou e a colocou numa situação que destruiu parte dela. Quando cresceu, fui eu quem se aproveitou de seus sentimentos. Não da mesma forma monstruosa que Jaziel, mas o bastante para usar o amor dela como se não valesse nada.
Jaqueline renunciou a muitas coisas por mim. Abandonou os estudos, não construiu uma carreira, não fez amigos, não viveu a juventude e, aos poucos, abriu mão até do amor-pr&oac
Brianna me abraçava. Percebi que o carro estava parado no acostamento e que eu segurava o cinto de segurança com tanta força que meus dedos doíam.Fiquei atordoado. Fazia muito tempo que aquilo não acontecia. Depois de anos de terapia, consegui empurrar aquelas lembranças para uma parte escura da minha mente. Uma parte que eu acreditava controlar.Mas não controlava. Eu não dominava porra nenhuma na minha vida. Nem o passado, nem o presente, muito menos o futuro.Olhei para Brianna e me afastei de seus braços.— Você... nunca mais tinha feito isso, Oli.— Dirija — ordenei. — Quero voltar para casa.— Não. Eu não vou dirigir como se nada tivesse acontecido. Já faz doze anos, Oli... doze anos desde aquela noite. E você nunca me contou a verdade.— Não existe verdade alguma para contar — respond
Eu traí Jaqueline. E exatamente por esse motivo não tinha direito algum de cobrar nada dela. Tampouco acreditava que ela tivesse mantido um caso com Adriel antes do divórcio. Eu a conhecia o suficiente para saber que ela não era filha da puta como eu.Por que traí? E não sabia.Talvez fosse da minha índole. Talvez estivesse no meu sangue por eu ser filho de um homem que também havia traído a esposa. Ou talvez eu simplesmente fosse o pior ser humano da face da Terra e devesse parar de procurar justificativas para decisões que tomei plenamente consciente.Quando reencontrei Brianna, foi como se tivesse reencontrado a mim mesmo. E agora eu compreendia que realmente havia sido isso. Desde aquele momento, tentei voltar no tempo e viver o que acreditava ter perdido. Mas aquele reencontro também me obrigou a entender que algumas coisas, quando se perdem, jamais voltam a ser como antes.
Na infância, o pai a usou e a colocou numa situação que destruiu parte dela. Quando cresceu, fui eu quem se aproveitou de seus sentimentos. Não da mesma forma monstruosa que Jaziel, mas o bastante para usar o amor dela como se não valesse nada.Jaqueline renunciou a muitas coisas por mim. Abandonou os estudos, não construiu uma carreira, não fez amigos, não viveu a juventude e, aos poucos, abriu mão até do amor-próprio.E eu assisti a tudo sem enxergar. Quando percebi que nosso casamento havia se transformado numa prisão, poderia ter feito alguma coisa para mudar. Mas não fiz. Preferi puni-la emocionalmente, culpando-a por estar na minha vida quando fui eu mesmo quem a colocou nela.Eu sabia que não tinha nenhum direito sobre Jack. Eu a perdi porque quis. Deixei que fosse embora porque fui covarde demais para me abrir para o futuro. Passei anos lamentando e chorando
Enquanto nos dirigíamos para a mansão, Brianna disse:— Estou tão feliz que você tenha mudado de ideia, Oli.Eu não estava nada feliz. Não queria morar naquela porra de cobertura. E, principalmente, não queria morar com ela.Aceitei porque aquela seria uma forma de acompanhar Jaqueline e as crianças. Se Jack realmente aceitasse morar na cobertura de Adriel, eu estaria do outro lado do corredor. Perto o suficiente para saber quem entrava, quem saía e quanto tempo meu irmão passava lá.Adriel havia dito que não imporia sua presença a Jack. Mas eu sabia que era apenas uma questão de tempo. Os dois já estavam namorando e os próximos passos seriam consolidar a relação.Primeiro ele emprestaria a cobertura. Depois passaria algumas noites. Quando eu percebesse, estaria tomando café da manhã com os meus filhos e a
— Oliver... a cobertura tem trezentos metros quadrados. Que diferença faz existir outra no mesmo andar? O elevador é privativo e cada imóvel possui sua própria entrada. Provavelmente nunca veremos quem mora do outro lado.Caminhei em direção à porta, decidido:— Não.Eu nem sabia se nosso relacionamento duraria até a semana seguinte. Por que, afinal, moraria com ela?— Oli... o lugar é incrível. Eu comprei justamente pensando nas crianças e...— Não — fui enfático, abrindo a porta para sair.— Minha bolsa. Espere! — Brianna voltou para buscar a bolsa que havia deixado na sala.Foi então que reconheci a voz vinda da cobertura do outro lado do corredor. Aliás, eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, em qualquer tempo, em qualquer vida. Era a voz que eu escutava havia duas d&eacut
Eu não esperava nada em troca daquele presente. Tampouco gratidão. Não queria impressioná-la nem obrigá-la a sentir alguma coisa por mim. Eu apenas achava... que Jack merecia receber aquela joia para compensar, mesmo que de uma forma insignificante, os sete anos durante os quais nunca lhe dei absolutamente nada.Aquilo faria com que eu me sentisse menos culpado? Certamente não, porque sabia que carregaria aquela culpa para sempre. Mas Zoe e Maicon gostariam de dar algo especial para a mãe. E eu queria que, ao olhar para aquelas pedras azuis, Jack se lembrasse de nossos filhos.E breve, teríamos a consulta de Maicon. E eu estava pensando em tirar o dia de folga. Talvez pudesse fazer alguma coisa com eles e com Jack depois de sairmos do médico.Jack e eu estávamos separados, mas eu sabia o quanto Zoe e Maicon sentiam falta da nossa família. E, nos últimos dias, Jack sequer permitir







