MasukCapítulo 55Chega de mentiras e segredosFernandoEssa noite não consegui dormir nada, não via a hora de amanhecer. Preciso ver Deise. Levanto, tomo banho e desço para tomar café; meu pai está na mesa lendo um jornal.— Bom dia, papai! Convide meu avô para jantar, precisamos conversar sobre a transportadora e quero que Nic e mamãe estejam presentes.— Bom dia. O que está acontecendo? Por que elas duas têm que estar presentes? A transportadora não tem nada a ver com sua mãe, e Nic vai assumir a Nic Cosméticos quando terminar seus estudos.— Ontem me lembrei de uma briga de vocês e quero conversar sobre ela, e tem a ver com a transportadora.— Fernando, vamos deixar isso para outro dia, já estamos com problemas demais.— Vamos resolver isso hoje no jantar. Chame meu avô e esteja em casa também, por favor.— Bom dia, vocês já estão discutindo logo cedo...— Bom dia, filha! É seu irmão que se lembrou de uma briga minha com sua mãe e quer marcar um jantar para hoje à noite para conversar s
Capítulo 54Vivem em um pé de guerraDeiseChegamos em um condomínio fechado lindo no bairro vizinho. Quando descemos do Uber, o porteiro sai da cabine correndo e vem em direção à gente.— Eliana, minha menina! Você voltou! Está tão linda!Minha mãe chega mais perto e abraça ele.— Tio José, que saudades! Quanto tempo! O senhor está bem?— Sim, e você, minha menina?— Estou ótima! Essa é minha filha, Deise.— Olá, tio José! Tudo bem?— Sim, princesa! Você é igualzinha à sua mãe!— Deise, ele é pai da Lenice, enfermeira.Ele me abraça também. Ficamos um pouco conversando, mamãe pede para ele não avisar meu avô: vamos fazer uma surpresa.Mamãe toca a campainha, vem uma senhora atender e já vem chorando:— Minha menina! Você voltou! Que saudades!Ela abraça minha mãe.— Eu senti tanto sua falta, Eliana.Mamãe abraça ela também.— Tia Lia, quantos anos sem ver a senhora! Estou tão feliz em te ver bem! Deise, essa é a Tia Lia, irmã do meu pai.— Olá, tia Lia! Tudo bem?— Sim, filha! Você é
Capítulo 53Vou te dar o divórcioFernandoComecei pedindo perdão a Nic por não ter percebido o sofrimento dela e por ter afastado ela dos amigos.Nic sempre foi tão doce, carinhosa. Éramos tão próximos, era só eu, ela e tia Marta. Cometi um grande erro de deixar minha menininha para ir estudar fora do país. Eu sou o maior culpado. Graças a Deus tia Marta nunca a deixou. No país tem milhares de faculdades, eu poderia ter me formado aqui mesmo, mas não quis, preferi aperfeiçoar outras línguas e não pensei que estaria deixando Nic sem família nenhuma. Literalmente foi isso que aconteceu: eu era a única família que Nic tinha e ela a mim. Meus pais nunca foram pais de verdade. O senhor Hugo só tinha olhos para o trabalho. Maiara foi embora muito antes de mim. Nic tinha menos de sete anos. Como estou errado em querer que minha irmã considere Maiara como mãe dela? Maiara nunca ficava em casa, estava sempre na empresa de estética dela, e quando estava em casa estava chorando porque meu pai n
Capítulo 52Essa pergunta de novoFernandoO dia começou estressante, cheio de reuniões na empresa Freitas. Meu pai me liga e pede para eu ir para a Nic Cosméticos: aconteceu algo muito sério com a transportadora. Agora entendo por que ele nunca ficava em casa; nem resolvemos um problema, já tem outro para ocupar o lugar. Nic tem razão: ser CEO é ser escravo do trabalho. Vou ter uma conversa com minha irmã, preciso escutar as alternativas dela. Não vou perder a minha vida como meu pai, só trabalhando.Saiu dos meus pensamentos quando Andrey entra na minha sala sem bater.— Fernando, algo aconteceu com a transportadora: o Governo Federal bloqueou o funcionamento, não entra e não sai mercadoria.— Qual o motivo?— Pelo que entendi, não estão declarando os impostos, fraudando notas.— Isso é impossível! A gente repassa todos os relatórios para eles.— Fernando, depois da fraude com a empresa de contabilidade eu não duvido de mais nada. Provavelmente estamos com problemas nas três empresa
Capítulo 51Eu te conheço, sou sua mãeDeiseO tio Otávio tentou me colocar para trabalhar na farmácia e também tentou me pagar uma pensão; ele sempre se sentiu culpado pelo que o pai e o filho dele fizeram.Ele se afastou dos dois, ficou trabalhando na farmácia e proibiu Hugo de se aproximar.Nunca mais o vi depois que me mudei para São Paulo, mas acredito que acabou ficando com a transportadora também. A empresa agora se chama Transportadora Nic Freitas.— Nossa, que povo safado e interesseiro!— Filha, o sucesso só vale a pena se não prejudica ninguém. A vida sempre vem cobrar a conta. Veja: Nic foi criada sozinha, em uma família destruída. Hugo é infeliz, teve um casamento mal‑sucedido, não criou os filhos e vive só pelo dinheiro. Pelo contrário, nós vivemos felizes, com amor, respeito e lealdade. Passamos dificuldades, mas sempre tivemos nossa casa e nunca faltou comida. Temos amigos verdadeiros.Dessa história toda, tenho dó de Fernando: esse garoto não é ruim, ele só não sabe o
Capítulo 50Brincadeira de mau gostoDeiseEles não poderiam jogar minha vida assim: ou eu fico com Hugo, ou a empresa vai ser disputada em uma mesa de jogo.Que brincadeira de mau gosto! Mas eles sempre resolveram tudo na mesa de jogo. Se fosse desafiado, tinha que jogar ou seria a chacota da cidade.Marcaram para o mesmo dia na parte da tarde.Fomos todos; eu chorava desesperada, trabalhei tanto por aquela empresa, ela era minha.O senhor Otávio tentou convencer o pai a desistir dessa loucura, mas acabou levando um tapa na cara e sendo chamado de frouxo. O pai dele perguntou:— Você não é homem? Está com medo do quê? Se eu perder a perfumaria, você ainda tem a farmácia. Agora, se eu ganhar, a transportadora fica conosco e ficamos milionários.Meu avô perdeu as três jogadas ali. A empresa que eu trabalhei tanto, dei meu sangue por ela, e meu avô perdeu.Hugo riu da minha cara:— Bem feito! Agora vai trabalhar de empregada para mim. Se quiser, me caso com você e você continua dona da







