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Capítulo 1
Primeiro dia de aula Deise Hoje acabam as férias! Escuto o despertador, mas a vontade é de continuar na cama. Mamãe abre a porta do meu quarto e fala: — Hora de acordar, Deise! Primeiro dia de aula, não quer chegar atrasada. — Bom dia, mamãe, só mais 5 minutos! — Deise, você entra na escola em 30 minutos! Eu dou um pulo da cama: — Mamãe, eu coloquei o relógio para despertar às 05:30! — Você dormiu de novo! Eu me arrumo e desço as escadas que nem vejo. Mamãe fala: — Vem tomar café! — Não dá tempo, mamãe, tomo café na escola! E saio correndo. Quando vou atravessar o farol da avenida, vem um carro em alta velocidade! Escuto os pneus derrapando no asfalto. Escuto um riquinho metido a besta xingar: — Menina estúpida, eu poderia ter te matado! Eu olho para o farol, que está vermelho, e falo: — Riquinho desequilibrado, eu estou na faixa, presta atenção na rua e esqueci o celular! — Garota petulante, tem sorte de eu estar atrasado ou ia te ensinar uma lição! O farol abre e ele sai em alta velocidade! Fico olhando ele sumir, que cara louco, quase passa com o carro por cima de mim! Continuo correndo, já estou atrasada! Quando chego no portão da escola, Dona Marlene, a inspetora, já olha reclamando: — Primeiro dia de aula e atrasada, garotinha! Eu peço desculpas e entro como um furacão! Quando chego na porta da sala, escuto a voz da professora Carol. Meu Deus, não acredito! Essa professora me odeia, como vou conseguir estudar o ano todo com ela? Saio dos meus pensamentos e bato na porta. — Posso entrar, professora? Ela me olha com uma cara de poucos amigos e responde: — Deveria ter chegado mais cedo, agora vai ter que esperar a segunda aula! — Tudo bem, desculpa ter atrapalhado a sua aula! Vou para o pátio e espero a segunda aula. Entro na sala e ela continua lá, como assim, ela vai dar duas aulas? Essa mulher não vale nada, custava deixar eu entrar? Mas fico quieta, escuto toda a explicação dela sem falar nada. A aula acaba e entra na sala a professora Andreia de Artes! Ufa, ela é maravilhosa e vai dar aula para a nossa turma de novo! Saímos para o intervalo, falo para os meus amigos: — Esse é o último ano do colegial e estamos todos na mesma sala! Nic, Carlos, Lucas, Pedro, Paulo, Débora, Larissa e Bárbara: estudamos juntos desde a 5ª série, somos inseparáveis. O intervalo acaba e voltamos para as duas últimas aulas de matemática, professora Regina, a minha matéria preferida. Só tiro ótimas notas e me dou bem com a professora! A aula termina e vou direto para casa. Vou pensando em tudo que estamos vivendo. Me chamo Deise Alencar, tenho 17 anos e estou no terceiro ano, sou filha única de Eliana Munhoz e Arthur Alencar. Mamãe é nutricionista, mas parou de trabalhar quando eu nasci, e papai era dono de uma empresa de contabilidade com o seu sócio, Tiago Souza. Infelizmente, papai teve um infarto quando eu tinha 13 anos. Foi aí que a nossa vida mudou drasticamente, mamãe teve que voltar a trabalhar. Não conseguiu na sua área de nutrição, então começou a fazer faxina uma vez por semana e atende algumas pacientes online; assim, conseguimos seguir a vida com dificuldade. Depois que papai faleceu, o sócio dele mudou muito, disse que papai não tinha dinheiro e a empresa estava falida. Como eu era muito pequena e mamãe não entendia nada de números, ficou difícil. Papai sempre foi conservador, mulher não precisa trabalhar, pois, na família dele, o homem é responsável pela família. Mamãe tentou questionar, mas papai sempre alegava que estava tudo bem e que ela não precisava se preocupar. Papai cuidava de tudo, ela nunca se preocupou em saber senhas nem sobre a empresa.Vamos tomar um caféSou a escritora e terapeuta Renata Rodrigues, mas nem sempre foi assim. Se vocês estão lendo esse livro, foi porque eu venci a mim mesma. Vou contar uma parte da minha história, os meus fracassos e vitórias até aqui.2019 foi o pior ano da minha vida. Perdi meu pai em 2000 e minha mãe em 2021, e ainda sim, 2019 conseguiu ser o pior ano da minha vida. Estava doente, sem dinheiro para comprar um ovo de Páscoa para minha filha. Não passei fome porque minha mãe me sustentou. Era humilhação em cima de humilhação. Estava em um relacionamento fracassado e infeliz. Me ajoelhei, chorando, e pedi para Deus me levar, eu não aguentava mais aquela situação. Ele não levou.Após algum tempo, conversei com Ele mais uma vez e falei, com o Senhor não adianta lágrimas de crocodilo, não é, não te comove. Já que o Senhor não vai me levar, me mostra os meus dons, me capacita, me dá sabedoria, inteligência e criatividade.Em 2020, Ele me entregou um livro pelo Facebook, o livro que mudou
CAPÍTULO 131 Festa de debutante Fernando Estou impactado com esse aniversário de Deise. Foram tantas descobertas. A minha Marrentinha me puniu por todos os meus erros, ainda comprou sua casa de volta debaixo do meu nariz. Quando ela começou a falar tudo que fez, juro que me deu vontade de virar as costas e nunca mais olhar no rosto dela, mas minha curiosidade foi maior. Cada minuto que ela abria a boca, um segredo era revelado. Estou até agora me perguntando como ela conseguiu fazer tanta coisa sem ninguém perceber. Nem tia Eliana sabia o que Deise estava fazendo. Quando meu pai anunciou que ele e tia Eliana iam morar juntos, eu fiquei todo feliz e Deise pediu para eles esperarem até o aniversário dela. Eu fiquei indignado, como ela queria adiar a nossa oportunidade de morar juntos? E em poucos dias a garota aparece com o pai vivo, uma tia gêmea e nos revela que meu pai e tia Eliana nunca se amaram e ainda prova com um filho legítimo. — Fernando, você está bem? Parece distante. —
CAPÍTULO 130Realização de um sonhoDeiseEu e meus amigos estávamos comemorando o fim das maldades do Tiago Souza. Até minha família e a de Fernando decidiram passar o final de semana no Espírito Santo. Lá juntamos todas as nossas famílias na casa do meu avô Joel e contamos a todos que eu e Fernando estávamos juntos. Nós tornamos a realização do sonho de juntar a família Freitas e Munhoz, depois de todos esses anos.Decidimos ir na casa da senhora Joana, mãe do tio Ezequiel, procurar provas para entender por que ela fez tudo isso. Achamos uma carta com todas as explicações. Ali todos acharam que o caso estava resolvido, até eu olhar para o lado e ver algumas fotos. Chamo o Pablo e pergunto quem é a senhora nas fotos. Ele me informa que é a avó Joana, mãe do tio Ezequiel. Ali descubro que estávamos fazendo parte de mais um plano sórdido. Conto para ele que a senhora Joana e a diretora da clínica em que meu pai estava internado são a mesma pessoa. Mas como isso é possível? Pablo viu a
CAPÍTULO 129Tem algo acontecendoDeise— Vocês devem estar se perguntando por que eu não chamei a polícia e soltei todos. Pois bem, no dossiê que Wesley me entregou tinha vários nomes de pessoas em clínicas e colégios internos, eu não poderia correr o risco de denunciar sem achar todos.Chegou o julgamento. O advogado Luís Henrique pediu para eu pedir para minha mãe perguntar ao juiz quem ficaria com a nossa casa. No mesmo minuto em que o juiz disse que a casa seria vendida e o dinheiro depositado em juízo para pagar a dívida, a professora Kátia estava assinando o contrato de compra e venda.Sejam todos bem-vindos à minha casa.— Deise, você está nos dizendo que essa casa nunca deixou de ser nossa?— Sim, mamãe, desculpa não ter te contado, eu precisava proteger meu pai a todo custo.Toda ação tem uma reação, chegou a hora de o Fernando sofrer. Nada melhor do que usar a Nic. Como ela não sabia que a casa continuava sendo minha, ela fez da vida dele um inferno, ele teve que aprender a
CAPÍTULO 128Sou sua cúmpliceDeiseChegou a hora de ir para casa, eu estava radiante de alegria, tinha conseguido a oportunidade de devolver a casa dos meus pais.Eu estava olhando as árvores do parque, quando levanto os meus olhos agradecendo a Deus por um milagre, recebo outro, o maior milagre da minha vida, estava prestes a acontecer. Olho para frente, tem uma clínica de recuperação, tinha uns entregadores em frente, o portão estava aberto, eu tinha que entrar naquele lugar, não sei explicar o motivo, eu tinha que entrar, mas tinha que ser do jeito certo. Fui em direção àquele portão, perguntei ao porteiro onde era a secretária, ele me mostrou, eu agradeço e vou à secretária. Peço para falar com o responsável, era uma senhora de idade, explico para ela que estou estudando e queria trabalhar voluntária ali por alguns dias para decidir se quero trabalhar na área da saúde. A senhora abriu um sorriso e na mesma hora permitiu o meu acesso à clínica, me apresentou a todos, eu conversei
CAPÍTULO 127Tudo sobre as fraudesDeiseVocês acreditam em milagres?Wesley é meu milagre, graças a ele eu voltei a viver e sorrir, ele é mais que um amigo, é meu irmão.Vamos resumir nossa conversa para vocês.— Deise, podemos ser melhores amigos sem ninguém saber? Você me ajuda a encontrar minha irmã e eu te ajudo a encontrar seu pai.— Ficou maluco, Wesley? Meu pai faleceu de infarto fulminante, mas eu te ajudo a encontrar sua irmã.— Deise, eu escutei uma conversa do meu pai com outro homem, eles estavam planejando dar um sumiço no seu pai, mas ele está vivo.— Você tem certeza disso?— Tenho, vamos procurar os dois juntos, minha irmã e seu pai.No outro dia, esse garoto me aparece com algumas fichas de pessoas que o pai dele mantinha em clínicas de recuperação, e lá estava o nome do meu pai. Comecei a procurar por todos os lados e nada de eu achar.Wesley foi preso, agora além de procurar meu pai sozinha, tinha que procurar a Carol. Dei minha palavra, que maluquice era essa? Eu







