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Capítulo 86

Author: Sem Asas
Henrique enrijeceu por um instante. Ao ouvir o murmúrio engasgado dela, o rosto mudou bruscamente. Irritado, arrancou a mão de Carolina, que se agarrava ao seu pescoço.

Ele segurou os pulsos dela e os prendeu de cada lado do travesseiro. O olhar, frio como gelo, carregava uma fúria contida. De cima, fitou-a sem piscar.

— Carolina, quem foi que te abandonou, afinal? Abre os olhos e olha direito para mim. Eu passei a noite inteira bebendo com você, e mesmo assim a pessoa em quem você pensa é o Mar
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    O coração de Carolina disparou, inquieto, e ela recuou um pouco, sem jeito.Henrique falou em voz baixa:— Quando a saudade apertar, a gente se vê. Quando der vontade, a gente dorme junto. Quando você precisar de mim, eu vou estar do seu lado. E, quando eu precisar de você, não me deixa sozinho. A vida passa num piscar de olhos. Então por que a gente precisa se prender tanto a um rótulo?Carolina hesitou.As palavras dele caíram sobre ela com um peso sufocante, como uma pedra esmagando seu peito e roubando seu ar.O rosto de Henrique foi se aproximando devagar, cada vez mais perto, quase roçando os lábios dela. Assustada, Carolina virou o rosto às pressas e escapou do beijo.— Não faz isso.Os dedos dele, apoiados no sofá, se crisparam de leve. Então seu olhar desceu lentamente, parando com intensidade nos lábios rosados que haviam acabado de fugir dos dele.A garganta de Henrique secou. O desejo o consumia por inteiro. Ele engoliu em seco e murmurou, rouco:— Carol... Pensa com carinh

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    No bilhete, havia apenas uma frase:[O bem é recompensado. O mal paga caro.]As palavras eram ambíguas.Henrique ergueu os olhos para Carolina, visivelmente preocupado.— Isso já aconteceu antes?— Uhum. — Carolina assentiu, entrou na sala de chinelos e pegou o outro bilhete para lhe mostrar.Henrique trocou os sapatos pelos chinelos, foi atrás dela, recebeu o papel e leu com atenção.— Você chamou a polícia?— Chamei. Pelas imagens das câmeras, parecia ser uma mulher. — Carolina se deixou cair no sofá, exausta. — Não dá para ver o rosto e, pelo conteúdo dos bilhetes, a polícia disse que isso ainda não configura ameaça direta.Henrique se sentou ao lado dela e pousou os dois papéis sobre a mesa de centro.— Muda daqui, Carolina. Vai morar comigo.Carolina soltou um muxoxo, mordeu de leve o lábio e lançou a ele um olhar de lado. Depois de alguns segundos em silêncio, perguntou:— Você não disse que queria usar o banheiro?Só então Henrique pareceu se dar conta disso.Levantou-se.— Esqu

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