LOGINChegamos ao meu prédio. Adam estacionou o Porsche em frente à entrada, e nós estávamos tão envolvidos um no outro que mal conseguimos sair do carro. O porteiro lançou aquele olhar maroto de “hoje tem”, e eu segurei a mão de Adam pelos dedos enquanto chamava o elevador.
Senti sua respiração quente no meu pescoço. Assim que a porta se abriu, ele me puxou para dentro e me beijou com urgência. Levantou minha perna até o quadril dele, e suas mãos grandes exploraram cada centímetro do meu corpo. Chegamos rápido ao andar do meu apartamento — ainda bem, porque eu já o queria ali mesmo. Assim que saímos do elevador, ele tirou a gravata jogando em mim, com um sorriso malicioso. Depois foi o blazer. Abri a porta entre risos, tentando acompanhar o ritmo dele. Adam foi direto ao aparelho de som. — Spotify. A caixinha é Bluetooth — expliquei, apontando para o rack. Ele escolheu uma playlist romântica e continuou se despindo, devagar, deliberadamente. Eu mal acreditava na cena: aquele deus grego na minha sala, fazendo um strip-tease só para mim. Quando ficou apenas de cueca, me puxou pela cintura, desabotoou meu vestido e deslizou pelo meu corpo como se fosse seda. Depois retirou meu sutiã com a mesma calma tentadora. No sofá, me puxou para sentar em seu colo, com as pernas ao seu redor, uma de cada lado. O calor do corpo dele queimava contra o meu. Seu olhar era intenso, faminto. Logo estávamos encaixados. A conexão entre nós foi inevitável, ardente e profunda. Ele me levou a lugares aonde eu nunca tinha chegado antes, e eu não tive força nenhuma para lutar contra aquilo. Ele me possuiu com doçura mas também com urgência. Depois, exaustos, adormecemos no sofá. Acordei sozinha. Minhas roupas estavam pela sala e Adam tinha ido embora — provavelmente para não me despertar. E agora? Temos que trabalhar juntos. Eu preciso fingir que nada aconteceu. Eu jurei que não ficaria com mais ninguém. A decisão está tomada… certo? Nunca mais. Vesti um conjunto preto elegante: blazer, blusa vermelha, saia envelope e salto agulha. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo e segui para o escritório. Mas ao chegar, uma decepção: Adam tinha viajado pela empresa e só retornaria no dia seguinte. Talvez por isso tenha saído sem se despedir. O dia foi cheio, e no fim da tarde recebi um e-mail dele. A secretária estava ao meu lado, então abri acreditando que fosse algo profissional — e fechei num pulo. Não era. “Boa tarde, gostosa. Nunca estive com uma mulher tão linda e deliciosa como você. Quero repetir a noite que você me deu. Volto amanhã. Prepare-se. Estou com saudade. — Adam PS: Não quis te acordar.” Meu coração disparou. O que ele quer comigo? Eu não posso me envolver. Ele é meu chefe. Chamei um carro por aplicativo e voltei para casa. No saguão, um buquê de flores do campo me esperava. De Adam. Coloquei as flores num jarro, tomei banho e vesti minha roupa de “mendigo” — aquelas velhas e confortáveis. Fiz uma panelinha de brigadeiro e sentei no sofá assistindo a uma série na TV. Mas meus pensamentos não me deixavam em paz. O toque dele… o beijo… a intensidade… — Para, Ester! Foi só uma vez. Você não quer sofrer de novo! Eu precisava decidir como agir no dia seguinte. Ser fria. Pôr um ponto final. Meu celular tocou. Senti um arrepio e... na tela: “MAMÃE”. Suspirei aliviada. Depois da conversa, a sensação ruim voltou. Minha mãe provavelmente ainda gostava de Jefferson. Talvez ele tivesse aparecido lá. Eu sempre fui a ovelha negra e ele o genro querido. Sacudi a cabeça. Não quero pensar nisso. Dormir. Eu só precisava dormir. De manhã, escolhi uma blusa branca de gola alta e a saia preta envelope. O salto vermelho para dar poder. Maquiagem leve. No carro, notei o motorista me encarando pelo retrovisor, mas ignorei. Eu só pensava em Adam. Eu precisava ser firme. Eu precisava ser fria. Eu precisava deixar claro: “Nunca fico com ninguém duas vezes. E com você não será diferente. NUNCA MAIS.” Essa frase ecoava forte na minha mente enquanto o elevador subia. Meu coração estava prestes a sair pela boca.É verão em Nova York.Estou sentada sobre uma toalha xadrez, no Central Park, observando Adam jogar Diego para o alto. Aquelas brincadeiras que deixam qualquer mãe apreensiva — e que as crianças simplesmente adoram. Diego gargalha alto, solto, confiante. Para ele, o pai é um herói invencível.Adam brinca com nosso filho como se o mundo ao redor não existisse. Quando está com Diego, nada mais importa. E eu fico ali, observando, com o coração cheio demais para caber no peito.O parque está lotado. Todos querem aproveitar o sol, o calor, a vida pulsando. Diego está prestes a completar dois anos. Fala pelos cotovelos, corre para todos os lados. Não posso desgrudar os olhos dele nem por um segundo. Aqui não tenho babá. Somos apenas nós dois. Nós três.Adam realizou o sonho de abrir a filial da AVANCE nos Estados Unidos. Mas foi além: a sede da empresa agora é aqui. Nova York se tornou o centro de comando. O Brasil virou filial. A AVANCE cresceu, se impôs, ganhou o mundo.Nicole assumiu a f
*Ponto de Vista de Adam* O Arquiteto de um Novo Amanhã O batizado do Diego não era apenas um rito religioso para mim; era o encerramento de um ciclo de sombras. Eu queria que tudo fosse impecável, uma celebração da vida que quase nos foi tirada. Escolhi a casa dos meus pais por ser um terreno sagrado, um lugar onde as paredes guardavam a história da minha própria infância e onde, agora, meu filho receberia sua primeira benção. Ester organizou cada detalhe do buffet, do estrogonofe ao penne, com uma precisão que beirava a obsessão. Eu queria que Ester se sentisse em um santuário, cercada apenas por aqueles que realmente importavam. Estávamos todos de branco, uma unidade visual de paz que eu esperava que se refletisse em nossas almas. Na igreja, ver a luz filtrada pelos vitrais atingir o rosto do pequeno Diego, enquanto meu pai e Cristina o seguravam, foi o momento de maior clareza que já tive. Eu não era apenas o CEO da AVANCE; eu era o guardião de um legado. Diego não chor
Organizei o batizado de Diego com cuidado quase obsessivo. A celebração seria na casa dos avós paternos. Contratei um buffet completo, responsável por toda a estrutura do evento. Como o batizado aconteceria às onze da manhã, optamos por um almoço tradicional, leve e elegante. Entradas com tábuas de frios e frutas, finger foods variados. Nos pratos principais, saladas frescas, penne ao forno e estrogonofe de filé-mignon. Tudo em sistema self-service, para que os convidados ficassem à vontade. O buffet também cuidou da decoração e da equipe de garçons. Restringi a lista de convidados. Primeiro porque a casa não era minha. Segundo porque se tratava de um momento íntimo, familiar. Na igreja, tudo transcorreu em paz. Os padrinhos — minha irmã Cristina e o Dr. André, pai de Adam — conduziram Diego até a pia batismal. O padre disse palavras bonitas, profundas. Diego não chorou. Adam e eu nos emocionamos. A igreja estava cheia; outras crianças também seriam batizadas naquela manhã
O dia estava bonito demais para ficar em casa. O parque cheio, famílias espalhadas pelo gramado, corredores dividindo o espaço com carrinhos de bebê e bicicletas. Enquanto eu corria, Dona Aidê cuidava de Diego ali perto. Era o nosso pequeno ritual de normalidade. Minha garrafa ficou vazia. Fui até a fonte. Quase trombei com alguém. — Ops, desculpa. — Tudo bem. Pode encher primeiro. — Não, eu faço questão. Levantei o olhar. Ele era bonito. Bonito demais para ser ignorado com naturalidade. Corpo atlético, olhos verdes, sorriso largo, boca bem desenhada. Enquanto falava, eu me dei conta de que não estava ouvindo nada. Só observando. — Você vem sempre aqui? — Eu… sim. Corro quase todos os dias. — Legal. Até mais. — Até. Fiquei parada por um segundo, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Eu havia flertado. Eu, que tinha um marido atencioso, um homem que me amava, que me desejava, que me deu um filho saudável depois de tudo que pass
*O Ponto de Vista do Adam* A Ester estava exausta. Dava para ver nos olhos dela, no jeito que ela segurava o Diego como se fosse o único porto seguro em um mar de privação de sono. Quando ela me disse que a babá tinha vindo, mas que não sabia se precisava, eu nem dei espaço para discussão. Eu precisava da minha mulher de volta, e ela precisava de descanso. "Vou mandar colocar uma cama no quarto do Diego", decidi. Mal sabia eu o que estava colocando para dentro de casa. Naquela noite, tentei focar apenas na Ester. Dei banho nela, cuidei de cada detalhe com toda a paciência que eu ainda tinha, já que o resguardo estava testando meu autocontrole. Eu estava contido, mas o desejo por ela era uma chama constante. Na manhã seguinte, eu estava na cozinha preparando o café quando o interfone tocou. Tobias avisou que a Bruna havia chegado. Abri a porta e... uau. Eu esperava uma enfermeira padrão, talvez alguém com cara de avó. Em vez disso, vi uma mulher de vestido branco curto e u
Bruna era linda. Linda demais. Loira, cerca de um metro e setenta, corpo escultural, curvas bem desenhadas, cabelos longos que iam até a cintura. Técnica de enfermagem, especializada em cuidados com recém-nascidos. Perfeita no currículo. Excessiva na presença. E eu ia colocar essa mulher dentro da minha casa. Brincadeira, né? Cheguei a rir sozinha do absurdo — de nervoso, talvez. Até eu fiquei levemente afetada pela beleza dela. Ri, mas foi um riso desconfortável. — Então… o horário de trabalho — comecei tentando manter a postura. — Posso dormir no emprego, se desejar — respondeu com naturalidade. Aquilo soou íntimo demais. — Não sei se é uma boa ideia. Vamos fazer um período de teste. Tudo bem? — Claro. — Começamos amanhã. Ela foi embora. Quando Adam chegou, me encontrou descabelada, exausta, sentada na poltrona de amamentação com Diego no colo. — Então, amor… a babá veio? — Veio. Mas… não sei se preciso. — Claro que precisa — ele disse, olhan







