LOGINAssim que Adam assumiu como novo CEO, a empresa virou caos. Repórteres por todos os lados, flashes, microfones, todos ansiosos para registrar o rosto do CEO jovem e talentoso, Adam Smith.
Eu, como assessora, tive que organizar aquela bagunça. Adam estava estranho comigo, distante. Talvez tivesse finalmente entendido que não poderíamos repetir o que já havia acontecido entre nós. Era melhor assim. Ou pelo menos eu tentava acreditar nisso. Enquanto respondia um e-mail do jornal local, meu Squad vibrou. Preciso falar com você agora. Meu coração falhou uma batida, mas respondi: “Sim, senhor.” Levantei-me imediatamente e fui até a sala dele. Bati antes de entrar. Ele escolhera continuar na mesma sala de quando era diretor de marketing — um gesto tão dele: simples, zero soberba, completamente diferente do pai. Eu vestia uma saia vermelha justa, uma blusa preta sem mangas com um decote moderado, mas tentador. O colar de pérolas falsas completava o look. Havia cortado a franja naquela semana, meus cabelos soltos me deixavam mais jovem. A sandália vermelha de salto alto… bom, essa era pura provocação estética. Quando entrei, o rosto de Adam se iluminou. Não era imaginação minha — ele brilhou por me ver. O sorriso de canto apareceu. Ah, aquele sorriso… Ele apontou a poltrona para mim. Estava lindo demais: camisa branca com as mangas dobradas, três botões abertos mostrando parte do peito, músculos marcando o tecido. Calça preta impecável. Sapatos italianos. E o cabelo bagunçado que parecia feito por encomenda só pra me provocar. — Senhorita Ester, sente-se. Eu me dirigi à poltrona mais distante, mas seria ridículo, infantil. Acabei sentando na mais próxima a ele. Cruzei as pernas devagar, e o olhar dele acompanhou o movimento. — Pode me chamar só de Ester — murmurei. Adam se levantou, contornou a mesa e veio até mim. Sentou-se na poltrona à minha frente, tão perto que eu sentia o cheiro dele — amadeirado, quente, masculino. — Por quê? — ele perguntou, a voz baixa, firme. — Pelo que tivemos… ou pelo que ainda vamos ter? Meu estômago revirou. — Você agora é o chefe. Se quiser me demitir, me demita. Já falei que não teremos nada. Levantei-me, mas ele reagiu rápido. Muito rápido. Sua mão segurou minha cintura. A outra tocou minha nuca com firmeza, posicionando meu rosto — e antes que eu pudesse pensar ou respirar — ele me beijou. Não foi um beijo gentil. Foi urgente. Fome. Calor. Um arrebatamento. Meu corpo esqueceu todas as decisões racionais que eu tinha tomado. A boca dele dominava a minha, profunda, quente, como se ele buscasse algo que perdeu há muito tempo. Eu perdi o fôlego. Minhas pernas tremiam. Se eu não o tivesse empurrado, teria perdido o controle ali mesmo. — Você me quer, Ester — ele sussurrou, ofegante. — Eu sinto. — Você não me dá escolha — retruquei, respirando rápido. — Me pega de surpresa, me invade… e eu… Não terminei. — Então por que ainda está aqui? — Porque é meu trabalho. — Recuei um passo. — Era só isso? Posso ir? Ele respirou fundo, passou a mão pelos cabelos, claramente tentando se recompor. — Não… desculpe. Quando estou perto de você, eu… perco o eixo. Silêncio. Então a voz dele voltou ao tom profissional: — Preciso dos relatórios das lojas de Minas e do Rio. Me envie por e-mail. Estou saindo para um almoço com o prefeito. Volto no fim do dia, não precisa me esperar. — Sim, senhor. — E… — seu olhar me percorreu devagar — me chame de Adam. Saí da sala tocando meus próprios lábios. O gosto do beijo ainda estava ali. E a vontade de voltar para dentro da sala e beijá-lo novamente era gigante. Após enviar os relatórios, tentei focar no trabalho. Mas Adam, ao sair, deu uma piscadinha discreta para mim. O paletó jogado nos ombros, aquela caminhada… aquele corpo… aquele homem. Respirei fundo. Foco, Ester. Foco. Você prometeu que não sofreria por amor outra vez. Então decidi: precisava sair. Beber. Dançar. Conhecer alguém. Qualquer coisa que não fosse… sentir o que eu sentia por Adam. Eulália recusou meu convite, então fui sozinha. O pub era pequeno e simpático. Pedi um chopp. Depois outro. A jukebox me convidava e escolhi Creedence. Todos cantaram comigo, e meus ombros relaxaram pela primeira vez no dia. Foi quando um cara alto, forte, barba cheia, vibrou com a música e me abraçou. O amigo dele veio logo depois — mais contido, mas ainda assim… interessante. Jonas. Quarenta e poucos, cabelo preto na altura dos ombros, olhar penetrante. Conversamos, bebi, ri. Ele me beijou — um beijo bom, mas… vazio. Quando tentou avançar demais num canto escuro, perdi completamente o encanto. Tive que inventar a desculpa que deixei meu bebê em casa com a babá chorando. Funcionou. Saí dali leve, quase divertida com a própria mentira. O elevador estava no meu andar quando o chamei. Quando a porta abriu — Adam me puxou para dentro. Eu nem tive tempo de reagir. Ele me beijou com uma intensidade que fez meu corpo inteiro despertar. Era desejo acumulado, proibido, irreprimível. O elevador chegou ao meu andar. Saímos tropeçando, rindo entre beijos, as mãos dele na minha cintura, nas minhas costas, no meu rosto. Era como se ele precisasse sentir cada parte de mim ao mesmo tempo. Entramos em meu apartamento, e ali não houve fala. Houve apenas a verdade crua entre nós: A gente se queria. Muito. Ele me tomou pela cintura, me puxando para mais perto. Meu corpo respondeu antes de qualquer pensamento. As mãos dele deslizavam firmes, explorando, marcando presença, enquanto meus dedos percorriam o contorno dos ombros, o peito, o pescoço. O ar ficou quente. A respiração dele no meu ouvido me fez perder o chão. A minha no dele fez Adam soltar um gemido baixo, quase animal. Apenas isso — o toque, a proximidade, o calor — já me deixava trêmula. E então… o resto se perdeu num turbilhão de desejo contido demais por tempo demais. Uma noite intensa, urgente, profunda — mas só nossa. Indescritível. Quando tudo se acalmou, ele me puxou para seus braços. Dormimos juntos, encaixados, como se fosse a posição natural dos nossos corpos. Como se nunca tivéssemos estado longe.É verão em Nova York.Estou sentada sobre uma toalha xadrez, no Central Park, observando Adam jogar Diego para o alto. Aquelas brincadeiras que deixam qualquer mãe apreensiva — e que as crianças simplesmente adoram. Diego gargalha alto, solto, confiante. Para ele, o pai é um herói invencível.Adam brinca com nosso filho como se o mundo ao redor não existisse. Quando está com Diego, nada mais importa. E eu fico ali, observando, com o coração cheio demais para caber no peito.O parque está lotado. Todos querem aproveitar o sol, o calor, a vida pulsando. Diego está prestes a completar dois anos. Fala pelos cotovelos, corre para todos os lados. Não posso desgrudar os olhos dele nem por um segundo. Aqui não tenho babá. Somos apenas nós dois. Nós três.Adam realizou o sonho de abrir a filial da AVANCE nos Estados Unidos. Mas foi além: a sede da empresa agora é aqui. Nova York se tornou o centro de comando. O Brasil virou filial. A AVANCE cresceu, se impôs, ganhou o mundo.Nicole assumiu a f
*Ponto de Vista de Adam* O Arquiteto de um Novo Amanhã O batizado do Diego não era apenas um rito religioso para mim; era o encerramento de um ciclo de sombras. Eu queria que tudo fosse impecável, uma celebração da vida que quase nos foi tirada. Escolhi a casa dos meus pais por ser um terreno sagrado, um lugar onde as paredes guardavam a história da minha própria infância e onde, agora, meu filho receberia sua primeira benção. Ester organizou cada detalhe do buffet, do estrogonofe ao penne, com uma precisão que beirava a obsessão. Eu queria que Ester se sentisse em um santuário, cercada apenas por aqueles que realmente importavam. Estávamos todos de branco, uma unidade visual de paz que eu esperava que se refletisse em nossas almas. Na igreja, ver a luz filtrada pelos vitrais atingir o rosto do pequeno Diego, enquanto meu pai e Cristina o seguravam, foi o momento de maior clareza que já tive. Eu não era apenas o CEO da AVANCE; eu era o guardião de um legado. Diego não chor
Organizei o batizado de Diego com cuidado quase obsessivo. A celebração seria na casa dos avós paternos. Contratei um buffet completo, responsável por toda a estrutura do evento. Como o batizado aconteceria às onze da manhã, optamos por um almoço tradicional, leve e elegante. Entradas com tábuas de frios e frutas, finger foods variados. Nos pratos principais, saladas frescas, penne ao forno e estrogonofe de filé-mignon. Tudo em sistema self-service, para que os convidados ficassem à vontade. O buffet também cuidou da decoração e da equipe de garçons. Restringi a lista de convidados. Primeiro porque a casa não era minha. Segundo porque se tratava de um momento íntimo, familiar. Na igreja, tudo transcorreu em paz. Os padrinhos — minha irmã Cristina e o Dr. André, pai de Adam — conduziram Diego até a pia batismal. O padre disse palavras bonitas, profundas. Diego não chorou. Adam e eu nos emocionamos. A igreja estava cheia; outras crianças também seriam batizadas naquela manhã
O dia estava bonito demais para ficar em casa. O parque cheio, famílias espalhadas pelo gramado, corredores dividindo o espaço com carrinhos de bebê e bicicletas. Enquanto eu corria, Dona Aidê cuidava de Diego ali perto. Era o nosso pequeno ritual de normalidade. Minha garrafa ficou vazia. Fui até a fonte. Quase trombei com alguém. — Ops, desculpa. — Tudo bem. Pode encher primeiro. — Não, eu faço questão. Levantei o olhar. Ele era bonito. Bonito demais para ser ignorado com naturalidade. Corpo atlético, olhos verdes, sorriso largo, boca bem desenhada. Enquanto falava, eu me dei conta de que não estava ouvindo nada. Só observando. — Você vem sempre aqui? — Eu… sim. Corro quase todos os dias. — Legal. Até mais. — Até. Fiquei parada por um segundo, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Eu havia flertado. Eu, que tinha um marido atencioso, um homem que me amava, que me desejava, que me deu um filho saudável depois de tudo que pass
*O Ponto de Vista do Adam* A Ester estava exausta. Dava para ver nos olhos dela, no jeito que ela segurava o Diego como se fosse o único porto seguro em um mar de privação de sono. Quando ela me disse que a babá tinha vindo, mas que não sabia se precisava, eu nem dei espaço para discussão. Eu precisava da minha mulher de volta, e ela precisava de descanso. "Vou mandar colocar uma cama no quarto do Diego", decidi. Mal sabia eu o que estava colocando para dentro de casa. Naquela noite, tentei focar apenas na Ester. Dei banho nela, cuidei de cada detalhe com toda a paciência que eu ainda tinha, já que o resguardo estava testando meu autocontrole. Eu estava contido, mas o desejo por ela era uma chama constante. Na manhã seguinte, eu estava na cozinha preparando o café quando o interfone tocou. Tobias avisou que a Bruna havia chegado. Abri a porta e... uau. Eu esperava uma enfermeira padrão, talvez alguém com cara de avó. Em vez disso, vi uma mulher de vestido branco curto e u
Bruna era linda. Linda demais. Loira, cerca de um metro e setenta, corpo escultural, curvas bem desenhadas, cabelos longos que iam até a cintura. Técnica de enfermagem, especializada em cuidados com recém-nascidos. Perfeita no currículo. Excessiva na presença. E eu ia colocar essa mulher dentro da minha casa. Brincadeira, né? Cheguei a rir sozinha do absurdo — de nervoso, talvez. Até eu fiquei levemente afetada pela beleza dela. Ri, mas foi um riso desconfortável. — Então… o horário de trabalho — comecei tentando manter a postura. — Posso dormir no emprego, se desejar — respondeu com naturalidade. Aquilo soou íntimo demais. — Não sei se é uma boa ideia. Vamos fazer um período de teste. Tudo bem? — Claro. — Começamos amanhã. Ela foi embora. Quando Adam chegou, me encontrou descabelada, exausta, sentada na poltrona de amamentação com Diego no colo. — Então, amor… a babá veio? — Veio. Mas… não sei se preciso. — Claro que precisa — ele disse, olhan







