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Amarras: Uma história de amor e prazer
Amarras: Uma história de amor e prazer
Penulis: D'Leosha

O primeiro encontro

Penulis: D'Leosha
last update Tanggal publikasi: 2026-09-05 03:46:21

Hoje era um dia importante. Como sempre, corri para a agência. Trabalho como arquiteta em São Paulo e, apesar de ganhar bem, meu verdadeiro sonho é expor minha arte. Amo esculpir, e foi justamente por isso que comecei na arquitetura.

Meu chefe, João Paulo — ou apenas Paulo para os amigos — sempre me apoiou, mas também adorava me encher de trabalho. Falando nele...

— Sara, temos uma cliente que quer reformar um salão inteiro. Ela pretende transformá-lo em um espaço para casamentos. Você pode ir vê-la às 15h? Preciso da sua ajuda.

— Paulo, já tínhamos combinado... Hoje é o dia da minha exposição. Falei disso a semana inteira. Eu não posso.

— Sua exposição não era à noite?

— À noite começa o leilão das obras, Paulo. Eu ainda preciso levar tudo, organizar as peças... Quebra essa para mim, por favor.

Ele não resistia a um olhar de súplica.

Paulo suspirou antes de responder:

— Tudo bem, Sara... Mas você vai receber o relatório ainda hoje e preciso de você aqui amanhã. Quero você nesse projeto.

— E a Maria?

— Ela não pode. Já está cuidando de dois projetos.

— Tudo bem. Vai estar tudo na sua mesa amanhã pela manhã.

— Acho bom... Já que sua exposição vai precisar de você, vá logo. Só termine o que falta.

Sorri e o abracei, dando um beijo em sua bochecha.

— Valeu, você é o melhor.

— É, eu sei...

Depois disso, me apressei como nunca. Precisava apenas organizar algumas planilhas e papeladas. Assim que terminei, fui direto para o ateliê.

Comecei a preparar minhas obras. Gosto de criar esculturas que retratam momentos: um pai abraçando o filho, uma mãe amamentando seu bebê ou até mesmo o último suspiro de alguém.

Pierre era o dono do ateliê e um grande amigo. Sempre apoiou meu trabalho e valorizou minha arte.

— Sarita bon amour, você está belíssima como sempre.

— Gostou do meu vestido?

— Ui, monsieur! Está belíssima! Se eu gostasse de mulheres, eu iria devorá-la.

— Pierre... Quando fala assim é porque quer alguma coisa. O que foi?

— Ah, chérie... É que hoje teremos uma visita inesperada.

— Como assim?

— A família Bellini. Um deles virá aqui hoje.

— Primeiro, quem é a família Bellini? E segundo, o que isso tem de importante?

— Chérie, você não conhece eles? É uma família rica que controla parte dos negócios de São Paulo. E o que tem de importante? Se ele não gostar do que vir, pode comprar meu ateliê só para me expulsar.

— Não sei se é bem assim que funciona...

— Para eles, é assim, sim, mon amour. Preciso que hoje tudo esteja impecável. Então não posso permitir que suas obras mais excêntricas apareçam. Por favor, apenas as convencionais.

— Você está pedindo para eu esconder o meu trabalho?

— Non, non, non! Pardon. Não é isso, chérie. Estou dizendo apenas para não exibir aquilo que for mais... excêntrico. Como aquele filho morto no colo de uma mãe em lágrimas.

— Pierre...

— Por favor. Por mim.

— Tudo bem... Eu vou expor somente o convencional.

Aquilo me deixou triste, mas aceitei. Afinal, o ateliê era dele e ele sempre havia apoiado meu trabalho. Era hora de retribuir.

Com a ajuda dos funcionários, preparei apenas minhas obras mais convencionais: um casal apaixonado esculpindo juntos e algumas peças de animais. Tudo ficou coberto por panos e, na correria, mal consegui prestar atenção no que estava sendo colocado em cada lugar.

Quando percebi, a exposição havia começado.

Como era de costume no ateliê de Pierre, as obras permaneciam cobertas e eram reveladas uma por uma enquanto ele contava a história de cada artista.

Eu estava nervosa. Até que chegou a vez das minhas esculturas.

— E agora, apresentarei as obras da nossa artista Sara Gonçalves, uma das poucas escultoras capazes de extrair da arte a mesma grandiosidade dos gregos antigos.

A primeira obra mostrava um casal esculpindo juntos, enquanto se olhavam apaixonadamente.

— Esta é “O Começo do Amor”. Representa um casal construindo não apenas uma obra, mas a própria história e a vida que terão juntos.

Baixinho, sussurrei:

— Representa eles tendo um filho... A escultura é sobre paternidade e maternidade.

Eu não havia percebido, mas aquele homem estava ao meu lado.

Ouvi uma leve risada e virei o rosto. Foi difícil esconder o susto.

Era ele.

Tão próximo que eu conseguia sentir seu perfume. Aquele homem poderia deixar qualquer mulher louca, mas eu não podia me distrair.

Pierre continuou apresentando minhas obras, enquanto ele permanecia ao meu lado, sempre sorrindo. Eu não sabia se era admiração ou deboche.

Então aconteceu.

A obra que deveria ser um panda se alimentando foi revelada.

Todos ficaram boquiabertos.

Pierre arregalou os olhos ao olhar para mim.

E o sorriso daquele homem desapareceu, dando lugar a uma expressão séria.

— O que eu fiz?!...

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