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Começo do amor

Author: D'Leosha
last update publish date: 2026-09-05 03:47:08

Pierre se aproximou de mim completamente em choque. Eu não conseguia entender. O que aquela escultura estava fazendo ali?

— Sara, nós tínhamos um acordo... O que você fez?! — sussurrou.

— Eu... Eu não sei. Eu não coloquei aquilo ali. Eu jamais faria isso com você, você sabe!

— Meu Deus... E agora?

A questão era que a escultura mostrava uma mãe acariciando o filho. Ele estava fardado, mas morto em seu colo.

Era, de fato, uma obra impactante.

Para a surpresa de todos, aquele homem foi o primeiro a falar. Era como se todos estivessem esperando sua reação, prendendo a respiração para não demonstrar nada antes dele.

— Interessante. Qual é a história dessa obra?

— Ehh... Bom...

Pierre mal conseguia falar. Foi então que, sem perceber, comecei a explicar.

— Ela retrata a vida. Em tempos normais, os filhos enterram os pais. Mas, em tempos de guerra, os pais enterram os filhos. A obra mostra não apenas a dor de uma mãe que perdeu seu filho, mas também a aceitação daquilo que não podemos controlar. Reis mandam seus filhos para lugares seguros, enquanto mandam os filhos de seus súditos para a morte.

Eu havia esquecido completamente que Pierre tinha me alertado sobre aquele homem.

Na verdade, eu mal sabia quem ele era e sequer o olhei enquanto falava. Aquela obra era importante demais para mim. Quando comecei a explicá-la, esqueci completamente de medir minhas palavras.

Entretanto, o que ele disse em seguida fez todos respirarem aliviados.

— Eu gostei. Foi a melhor obra que vi hoje.

Pierre então decidiu pedir que eu apresentasse todas as minhas outras esculturas.

“Ódio de um Anjo”, “Cobras e Maçãs” e “Toque de Midas”, uma obra que transformava a riqueza em fome.

Todas eram impactantes e visualmente muito diferentes do padrão convencional.

Depois das apresentações, Pierre desabou ao meu lado.

— Eu estou tão aliviado...

— Por que você tem tanto medo desse homem?

Ele me encarou, incrédulo.

— Você realmente não sabe quem ele é?

— E deveria?

— A família Bellini controla uma parte enorme do comércio e dos negócios de São Paulo. Se eles não gostarem de alguma coisa, você pode perder tudo! E, normalmente, eles não gostam de nada contemporâneo. Por isso apresentamos apenas obras clássicas hoje.

— Nossa...

Eu nem sabia o que dizer.

Mas minha surpresa veio logo depois.

O leilão começou.

E aquele homem comprou todas as minhas obras.

Todas.

Quando terminou, ele caminhou até mim.

Admito que minhas pernas ficaram bambas quando nossos olhos se encontraram.

— Eu adorei seu trabalho. Realmente é incrível.

— O-obrigada. Fico feliz que tenha gostado.

— Não agradeça. Eu que agradeço por ter feito meu tempo valer a pena. Pietro é o meu nome.

— Eu sou Sara. Muito prazer.

Ele estendeu a mão, mas, sem pensar, eu o abracei.

Quando percebi o que havia feito, ele estava com um sorriso levemente constrangido.

— Ai, desculpa... É que...

— Está tudo bem. Estou tempo suficiente no Brasil para conhecer os costumes.

— Você é estrangeiro?

— Nasci e vivi uma parte da minha vida na Itália, mas amo o Brasil. Também me considero brasileiro.

— Que bacana. Fico feliz que goste do nosso país.

Ele sorriu.

— E eu, por poder chamá-lo de nosso.

Naquele momento, nossos olhares permaneceram presos um ao outro.

— Você aceita tomar um café comigo? Quero conhecer melhor a artista que fez obras tão belas.

Sorri.

— Eu aceitaria, sim.

Naquele momento, eu não sabia, mas aquele dia mudaria completamente a minha vida.

Nós conversamos muito.

Depois disso, passamos a nos falar praticamente todos os dias. Alguns meses depois, já estávamos namorando.

Dois anos após nosso primeiro encontro, estávamos deitados em sua cama depois de uma noite de amor quando Pietro me disse algo que eu jamais esperava ouvir.

— Eu quero que você conheça meus pais.

Sorri, imaginando que finalmente conheceria a família do homem que amava.

Eu ainda não sabia.

Aquela frase seria o começo do fim da minha vida tranquila.

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