LOGINRebeca sabia melhor do que ninguém que tipo de homem Bruno era. Bruno era um demônio.Brincava com sentimentos, pisava na sinceridade dos outros, desprezava a vida alheia... era alguém que merecia desaparecer.E era justamente por saber de tudo isso que ela queria se aproximar dele.— Rebeca...— Ayla, não se mete. Cuida de você. Mesmo que Bruno esteja interessado em mim, ainda está por ver quem vai sair por cima.Foi a primeira vez que Rebeca interrompeu Ayla.Havia firmeza em seu rosto, mas a frieza que atravessava seus olhos era algo que Ayla nunca tinha visto antes.A garota sempre doce, quase mansa, pareceu outra pessoa de repente.A voz dela saiu decidida, como se já não houvesse volta.— Rebeca, o que está acontecendo com você? Tem alguma coisa entre você e Bruno que eu não sei?Ayla segurou a mão dela e sentiu a palma gelada.Rebeca baixou os olhos. Naquele momento, a porta do elevador se abriu.Tinham chegado ao estacionamento, e Ayla também precisava ir.— Ayla, me desculpa.
Pelo visto, Felipe não escondeu nada dela.André provavelmente só queria mesmo vê-la a sós.— O que foi? — Nuno percebeu que Ayla parecia absorta em algo.Ayla sorriu de leve.— Nada demais. Só estou um pouco nervosa. Carolina também está com o velho, e eu fico pensando se ela não vai tentar dificultar as coisas para mim.— Então eu posso ir com você. — Nuno se ofereceu. — Na próxima semana, devo estar livre.— Deixa para lá. Você mal voltou de Eldoria da outra vez, e eu ainda fico com medo.Ayla sorriu com malícia suave, só para provocá-lo.Nuno soltou um riso curto, sem jeito.Mas, antes de ir embora, ainda falou com uma seriedade tranquila:— Ayla, não tenha medo. Seja como for, a família Fonseca também é a sua casa.Foi só uma frase. Simples, sem grandes gestos. Ainda assim, pareceu dar a Ayla uma força silenciosa por dentro.Tocada, ela respondeu com um sim firme.Pouco depois da saída de Nuno, Ayla também organizou suas coisas e deixou a empresa mais cedo.A partir daquele dia, e
Ele apertou o copo com tanta força que quase derramou o café em si mesmo.Porque o que Ayla disse foi:— Mafalda, o Nuno falou que, aconteça o que acontecer, ele não quer desistir de você. Que tal dar uma chance a ele?Naquela noite em que bebeu com Mafalda, Ayla já pensou em tocar nesse assunto. Para ela, estava claro que Nuno ainda não conseguiu deixar aquilo para trás.E quanto mais cautelosa Mafalda se mostrava, mais isso só confirmava que ela também não sairia ilesa.Se os dois realmente conseguissem se conter e seguir a vida sem nunca mais se aproximar, tudo bem. Mas, se já chegaram ao ponto de se declarar, então o mínimo era falar do que sentiam com clareza.— Ayla!Nuno ainda tossia, mas já chamou o nome dela no meio da crise.O rosto dele ficou vermelho.Ayla correu para pegar um lenço.— Vai devagar com esse café, não precisa ficar tão agitado...— Eu...Ainda tossindo, Nuno franziu a testa para ela. Só depois de engolir o caos que subia pela garganta conseguiu dizer:— Que m
Mafalda até quis dizer mais alguma coisa. Só que, naquele momento, já não havia como consertar.Nuno não respondeu. Apenas apertou o copo de café ainda morno na mão e foi embora.Os assistentes lançaram um último olhar para Mafalda. Até no rosto deles apareceu um desânimo difícil de esconder.Quando Mafalda voltou para a entrada do setor, o grupo que estava amontoado ali se dispersou de uma vez. Aquilo a fez sentir uma pontada na testa.Nesse instante, um colega apareceu com um café na mão.— Mafalda, então você não gosta do Sr. Bruno? De que tipo de homem você gosta?— De qualquer um, menos de você.Mafalda respondeu com frieza. Ao notar que o copo que ele segurava fazia parte dos cafés que ela comprou, estendeu a mão e tomou de volta.Ela só pagou café para as colegas.Os homens não entravam nessa conta....Nuno foi até ali por causa de Ayla. Os dois tinham combinado de se encontrar à tarde, mas, como ele ficou livre no horário do almoço, decidiu aparecer antes.Ayla não estava na s
Ao ouvir aquilo, o ambiente inteiro se calou.Os olhares se cruzaram de um lado para o outro. Aos poucos, pareceu que todo mundo entendeu o que Nuno tinha presumido. Alguns ainda olharam para Mafalda, sem saber se deviam falar alguma coisa.Depois de alguns segundos, um dos funcionários tratou de aliviar o clima:— Tudo certo, tudo certo. O Sr. Bruno só se preocupou com a gente.O rosto de Mafalda ficou vermelho na mesma hora.— Nuno... quer dizer, Sr. Bruno. Não foi isso. Ninguém me mandou buscar café. Fui eu que quis pagar. E... também não foi ninguém que me deixou carregando tudo sozinha. Fui eu que insisti.O pessoal do setor sempre tratou Mafalda muito bem. Ela não sabia se isso tinha a ver com algum aviso de Ayla ou se todos ali eram assim por natureza, atentos, acolhedores, gentis.No meio deles, Mafalda quase se sentia a caçula do lugar.Já no primeiro dia, recebeu vários presentes de boas-vindas, todos escolhidos com cuidado. Depois que entrou na equipe, surgiram muitos proced
Por quê...Por que Ayla pôde feri-lo de todas as formas, ir embora sem olhar para trás, e ainda assim ele conseguiu perdoá-la?Mas ela, que entregou tudo o que tinha para amá-lo, recebeu dele apenas frieza?...No fim da manhã do dia seguinte, Mafalda vinha apressada em direção ao elevador, carregando vários cafés, quando alguém esbarrou nela ao passar.Era horário de almoço. O movimento estava intenso.Por muito pouco ela não deixou tudo cair.— Vem.A voz passou por ela de repente, familiar demais.Mafalda ergueu os olhos e viu Nuno passando ao lado, já seguindo em frente com os assistentes, sem sequer desviar o olhar, na direção de um elevador reservado.Por um segundo, ela até se confundiu.Será que ele falou com ela? Pelo jeito, ele nem devia tê-la visto.— Srta. Mafalda, o Sr. Nuno pediu que a senhora suba com ele.Enquanto ainda hesitava, outro assistente apareceu atrás dela e explicou.Só então Mafalda, meio sem jeito, foi atrás.Nuno já estava parado dentro do elevador. Um dos
Ayla deu uma olhada na tela e simplesmente ignorou. Entre ela e Gustavo, já não havia mais o que dizer.A outra ligação perdida era de Daniel. A chamada durou poucos segundos, parecia ter sido por engano... e não deixou recado.Ayla ficou olhando para o nome dele por alguns segundos. Os dedos quase
Mafalda não tinha realmente a intenção de ajudar Ayla, mas, enquanto estava no banheiro, ouviu Gisele conversando com outras pessoas. Ela simplesmente não queria ver Gisele se dar bem.E afinal, Ayla era prima de Nuno. Depois da forma como Nuno a defendeu na noite anterior, parecia até que ela fosse
Mas Gustavo logo começou a duvidar de si mesmo. Aquela voz, embora muito parecida com a de Ayla, soava mais clara, o tom mais frio. Provavelmente era só fruto do fato de que ele vinha pensando constantemente em por que Ayla não respondia suas mensagens.Além disso, tinham sido apenas algumas palavra
Ayla manteve o tom sereno:— Pelo visto, você não sabe muito bem o que aconteceu comigo depois da formatura.Beatriz congelou, mas ainda ergueu o queixo:— Como não? O Gustavo era o garoto mais bonito da faculdade, família rica, naquela época você...— Naquela época, o Grupo Siqueira estava à beira







