FAZER LOGINLogo cedo, na manhã seguinte, Felipe recebeu a notícia de que algo havia acontecido com Nuno.No dia anterior, Nuno estava em Eldoria para tratar de negócios. À noite, quando se preparava para retornar ao país, foi detido de forma inesperada.A justificativa oficial alegava suspeita de roubo de segredos comerciais em território estrangeiro. Ele permaneceria retido para investigação.Felipe sabia que o filho jamais se envolveria em algo assim. Imediatamente acionou seus contatos em Eldoria para apurar a situação.Só no meio da tarde chegou uma resposta: Nuno tinha ofendido alguém.E não era qualquer pessoa... se tratava de um alto funcionário do Ministério do Comércio de Eldoria.— Como Nuno poderia ter ofendido alguém em Eldoria?A empresa de Felipe atuava principalmente com comércio internacional e também operava a linha de exportação da farmacêutica do Grupo Fonseca. Com Eldoria, porém, quase não havia cooperação. Nuno foi até lá apenas porque o parceiro comercial escolheu o país com
No espelho, dava para ver de relance a imagem de Daniel na tela — o semblante sério, concentrado. Uma tranquilidade silenciosa se espalhava pelo ambiente.Ele terminou de analisar uma página do documento e só então ergueu o olhar. No mesmo instante, captou a cena de Ayla aplicando o sérum diante do espelho.Ela mantinha o queixo levemente erguido. O pescoço desenhava uma curva elegante, e as gotas que escorriam das pontas do cabelo molhado deslizavam pela clavícula até desaparecer dentro da gola do pijama.O olhar de Daniel escureceu por um segundo. O pomo de Adão se moveu involuntariamente.— Já terminou o banho? — Ele fechou o arquivo. Depois de tanto silêncio, a voz saiu mais rouca do que antes.— Uhum. — Ayla sorriu para ele através do espelho. — Você já acabou aí?— Quase. — Ele afastou os papéis, voltando toda a atenção para ela. — Precisa secar o cabelo. Do contrário, dá dor de cabeça.— Eu sei. — Ela respondeu, mas não apressou os movimentos, continuando a dar leves batidinhas
Ayla ficou surpresa. Claramente não esperava aquela pergunta.Ela pousou o garfo, encarou diretamente os olhos profundos na tela e, em vez de responder de imediato, devolveu:— Você mentiria para mim? Me trairia?— Não. — A resposta veio sem a menor hesitação, firme como aço. — Isso nunca vai acontecer.Ayla sorriu.O sorriso era leve, como gelo que se desfaz ao sol, carregava confiança absoluta, entrega sem reservas.— Então eu também não.A resposta saiu tão direta quanto a dele.— Minha dureza é só para quem me trai ou me machuca. E você... — Ela fez uma pequena pausa. — Você é a pessoa com quem eu vou seguir, aconteça o que acontecer.Não era uma frase bonita para impressionar. Era algo que amadureceu dentro dela depois de tudo que viveu, um desejo e uma promessa sinceros.O peito de Daniel se encheu por completo. Uma sensação sólida, quente, se espalhou por ele.Ele ia dizer algo, mas o olhar caiu sobre a tigela à frente dela — o macarrão mergulhado em caldo avermelhado e oleoso.
A voz de Daniel saiu suave.— O que você recomenda, ele não ousa desobedecer. — Ele fez uma breve pausa. — Agora tem mais efeito do que o que eu digo.Havia um leve tom de brincadeira, mas o carinho era evidente.Ayla sorriu de lábios fechados, recolheu a mão e voltou a se sentar. Pegou os hashis e começou a misturar o macarrão na tigela.— Ah, antes de voltar esta noite, passei em casa. Entreguei os presentes para a vovó e para a minha mãe. Elas adoraram. Ficaram me elogiando sem parar.Ela respirou fundo.— Fiquei muito feliz.Era algo simples, quase trivial. Ainda assim, Ayla sentia vontade de dividir cada detalhe com ele. Nunca tinha experimentado a sensação de ser reconhecida pela própria família.Descobriu que bastava um gesto pequeno para receber tantos elogios.Quando tirou os presentes da sacola, os olhos da avó chegaram a ficar marejados.As palavras dela eram miúdas, cheias de cotidiano, de calor doméstico, e o coração de Daniel se amolecia ao ouvir.Ele gostava daquilo. Gos
Antes de qualquer movimento final, Ayla ainda precisava diluir completamente as ações que permaneciam nas mãos da família Siqueira.O Grupo Siqueira deixaria de ter qualquer ligação com os Siqueira. Ela só pararia quando cada um deles estivesse reduzido a nada.Quando saiu do prédio do Grupo Siqueira, percebeu que muitos a observavam.A maioria daqueles olhares carregava receio. Alguns, medo puro.Todos tinham visto as notícias. Para quem estava de fora, Gustavo era o canalha da história. Mas a retaliação de Ayla também não era menos assustadora.Canalha merecia troco, era verdade. Ainda assim, o que ela fazia não atingia apenas um homem... envolvia o destino de todos dentro do Grupo Siqueira.E a maioria ali não possuía a frieza, nem a capacidade estratégica que ela demonstrava. Ao pensar nela, o sentimento que surgia não era admiração — era temor.Por fora, Ayla mantinha a postura impecável, indiferente.Por dentro, porém, uma mistura amarga se espalhava no peito. Era algo mais compl
Bianca já sabia de tudo o que aconteceu na empresa.Assim como o restante da família Siqueira, ela ardia de indignação. Mas, naquele momento, como Sra. Siqueira, precisava manter a casa de pé e sustentar Gustavo. Não podia permitir que tudo desmoronasse de vez.Elena era idosa e não podia permanecer no hospital por muito tempo. Depois que Armando saiu da cirurgia, Selina assumiu os cuidados e levou Elena de volta para casa.O hospital e Gustavo ficaram sob responsabilidade de Bianca.Ela respirou fundo várias vezes. Só de pensar no que Ayla fez com a família Siqueira e com Gustavo, sentia os dentes rangerem de ódio. Era impossível manter a calma de verdade.Ela não teve coragem de reler as notícias. Os comentários eram um massacre. Cada frase era mais cruel que a anterior.Os internautas se colocavam no pedestal da moralidade, julgavam como se fossem juízes supremos, quando na própria vida muitos não faziam metade do que exigiam dos outros.Um bando de parasitas desocupados, que não fa