MasukA sala estava vazia quando os dois voltaram da cozinha. Bruno não estava mais ali.— O Sr. Bruno não parecia nada feliz hoje.Ao dizer isso, Sandro percebeu que o bolo mudou de lugar. A caixa, antes esquecida sobre a mesa de centro, agora ocupava o meio da mesa de jantar.— Ele é assim. Implica com tudo e depois se irrita sozinho. Não liga.Rebeca falou com desdém, mas seus olhos demoraram um pouco mais sobre a caixa.O motivo daquela irritação não era nenhum mistério. Bruno ainda sentia alguma coisa por ela, apesar de Rebeca já deixar claro que não poderia corresponder. De vez em quando, porém, a arrogância dele abria uma fresta e deixava aparecer alguém de quem era difícil não sentir pena.— Eu não ligo — Sandro respondeu. — Mas o Sr. Bruno é seu amigo e trabalha com você. Não quero que minha presença crie problemas entre vocês.Fez uma breve pausa antes de acrescentar:— Até porque eu só estou de passagem. Não vale a pena se afastar de quem faz parte da sua vida por causa de alguém
Bruno não suportou continuar sendo tratado como uma cadeira vazia. Soltou uma risada curta, carregada de ironia.— Sandro, o que trouxe você de volta assim, de repente? Ouvi dizer que a Ordo Nihilis caiu. Você não devia estar escondido em algum lugar, esperando a poeira baixar?O garfo de Sandro parou a meio caminho.Rebeca fulminou Bruno com os olhos. Ele sabia exatamente onde ferir e, pior, fazia aquilo de propósito.Ela abriu um sorriso rígido, se esforçando para não transformar o jantar em uma briga.— Sr. Presidente, se está tão difícil comer, não precisa se sacrificar. Pode deixar o prato.Bruno apoiou o cotovelo na mesa e se inclinou um pouco na direção de Sandro, como se ainda não tivesse ido longe o bastante.— Que isso. Não é todo dia que se tem a honra de jantar com um mercenário procurado no mundo inteiro.— Bruno!A palma de Rebeca bateu na mesa. A louça estremeceu, e a última leveza abandonou o ambiente.— Rebeca.Sandro não elevou a voz. Mesmo assim, bastou pronunciar o
Rebeca deixou o bolo sobre a mesa e voltou direto para a cozinha. Não lhe ofereceu água, muito menos perguntou se queria se sentar.Bruno entendeu a recepção. Ainda assim, acomodou-se no sofá como se nada estivesse fora do lugar.Da sala, enxergava a cozinha aberta. Rebeca e Sandro trabalhavam tão próximos diante da bancada que os ombros quase se tocavam. Entre uma tarefa e outra, ela dizia alguma coisa, ele respondia, e os dois riam num tom baixo que não chegava inteiro até Bruno.Rebeca entregou a Sandro a bebida que acabara de preparar. Ele provou uma colher, avaliou o sabor e assentiu.— Ficou bom.Em seguida, serviu um copo e veio até a sala.— Receita da Rebeca. Está muito gostoso.Os lábios de Bruno esboçaram um movimento curto, sem chegar a formar um sorriso. Ele aceitou o copo e o deixou intacto sobre a mesa de centro.— Obrigado.Sandro não voltou imediatamente para a cozinha.— E você, como está? Os ferimentos já melhoraram?O tom continuava casual, mas a atenção com que o o
Rebeca nem precisou pedir o azeite. Sandro completou o gesto dela, e a garrafa chegou às suas mãos. Entre os dois, as palavras pareciam vir depois do entendimento. As vozes e os carrinhos continuavam disputando espaço nos corredores, mas aquela agitação já não a cansava. Havia alguém ao seu lado que entendia sem exigir explicações, e as compras no carrinho eram para um jantar que ela não comeria sozinha.No caixa, ela se adiantou para pagar. Sandro não disputou a conta. Quando recebeu as compras, porém, ficou com as duas sacolas mais pesadas.— Vamos?O apartamento que Rebeca alugava ficava a pouco mais de quinze minutos dali, a pé. Sob os postes, as sombras dos dois se alongavam pelo chão e, às vezes, se tocavam. O ar fresco do início do outono desfez o calor abafado do supermercado.— E desta vez... quantos dias você acha que fica?Rebeca virou o rosto para ele. A pergunta a acompanhava desde o reencontro. Com Sandro, nunca sabia quanto tempo ainda podia contar antes que ele partisse
— Não sei. Mas sei o que preocupa você. É justamente por isso que eu quero dar uma chance ao Enzo.Ayla já não sorria. Enlaçou o braço de Daniel e fez a confissão em voz baixa.Ela se deixou levar pelo afeto. Ele, não.Por trás da resistência do marido estava a vontade de proteger Enzo. Se alguém saísse ferido daquela história, Daniel faria o possível para que não fosse o homem que o acompanhou durante tantos anos.Gostarem um do outro não resolveria tudo. Isadora era uma Ribeiro, e um sentimento, por mais verdadeiro, não apagaria a distância entre uma filha daquela família e um assistente.Era essa a barreira que Daniel enxergava. E, pelo que conhecia de Isadora, não acreditava que ela conseguiria atravessá-la....No centro de San Elívar, a luz das vitrines se espalhava pelas calçadas à medida que o céu escurecia. Gente ainda com o crachá do trabalho ao pescoço apertava o passo para casa, desviando de grupos que se demoravam sob os letreiros de neon, entre risadas e planos para o jan
Isadora não via motivo para recusar uma parceria em que os dois lados saíam ganhando. Faltava, porém, sentar com a equipe do Grupo Cardoso e acertar os detalhes. A nova linha ainda estava em definição, os preparativos mal começavam e, com o casamento de Daniel e Ayla no meio de tudo, a conversa acabou ficando para depois.— Foi por isso mesmo que eu chamei você. — Ayla sorriu. — Como nós dois vamos ficar longe da empresa, não queremos que você tenha dificuldade para conseguir o que precisa. Então resolvemos providenciar um anjo da guarda.— Um anjo da guarda? Do que você está falando?Isadora procurou uma resposta em Daniel. Ele apenas voltou o rosto na direção de Enzo, que parecia tão perdido quanto ela.— A partir de hoje, Enzo responde pela sua parceria com o Grupo Cardoso. Vai nos representar em todas as etapas, acompanhar o trabalho com a sua equipe e garantir que vocês tenham acesso aos recursos necessários, sem entraves na comunicação.Daniel dirigiu as palavras a Isadora, mas n







