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Andrea - Quase

Author: Sol Costa
last update publish date: 2026-09-17 06:28:48

Segui direto para a piscina e não tive dificuldade em encontrar Beatrice chateada.

— O que houve? Cadê Bianca? Falaram que ela se afogou?

— Quase. Se Nicolas não tivesse chegado a tempo, nossa irmã não estaria mais aqui. — Beatrice fala em meio ao choro.

No minuto seguinte eu estava envolvendo seu corpo, consolando-a ao mesmo tempo que tentava entender melhor.

— Eu não fazia ideia que ela não sabia nadar. Simplesmente a empurrei na piscina e depois mergulhei. Quando eu emergi, ela já estava em
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    Andrea coloca uma música animada, me incentiva a cantar. Eu me arrisco, mesmo desafinada, porque com ele sinto que posso tudo. — Agora está na hora do seu batismo — ele grita por cima da música, diminuindo um pouco a velocidade. — Fica em pé em cima do banco e levanta os braços enquanto canta.Arregalo os olhos assustada.— Enlouqueceu? — Vamos, Anna, não seja covarde. Bianca fez.Olho sem acreditar que minha amiga, a menina mais cuidadosa e sensata, tinha feito isso.— Mentira. Bianca não faria uma coisa dessas.— Ela não só fez como adorou.Eu quero, e saber que ela fez me deixa com ainda mais vontade.Mais uma vez Andrea me incentiva do seu jeito peculiar, me oferecendo a mão. No segundo seguinte estou fazendo o que ele falou. A adrenalina sobe no mesmo segundo que o vento intensifica. Gritando e ainda incrédula, seguro o topo do vidro, ficando em pé em cima do estofado. — É isso aí. A gente só se vive uma vez, Anna.Seu braço alcança minhas pernas onde ele segura com força, me

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    Andrea sente minha mão tremer na dele. Não é um tremor de medo, é de ansiedade. Ele se aproxima devagar, faz um carinho suave na minha bochecha.— Ei. Olha pra mim — ele fala.Eu olho e fico presa.— Preparada para descobrir um mundo novo e sem muros? Me dá aquele sorriso dele. Aquele que eu ficava sonhando em receber entre as segundas. Ele nem espera eu responder. Se aproxima devagar e deixa um selinho carinhoso na minha boca. Depois outro. E outro. Com toda a vontade que consegue segurar. Quando se afasta, me olha como se estivesse em conflito.— É difícil parar de te beijar, sabia? Mas quanto à pergunta, eu espero que sim, porque estou ansioso para te mostrar tudo e mais um pouco.Seu sorriso amplia ainda mais e então ele volta a segurar minha mão, dessa vez entrelaçando nossos dedos. Me surpreende. Olho para as nossas mãos e acho lindo nós dois assim. Unidos como um casal. — Vem. Na frente comigo. Seu lugar cativo a partir de agora — ele diz, como se fosse óbvio. — Gente bonita

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    Os últimos metros somem.Eu quase corro. Ele também. A gente se encontra no meio do pátio, perto da mesa e da roseira, entre os balões e as meninas gritando meu nome.A respiração dele tá igual a minha. Ofegante.Ele passa a caixa azul de veludo para a mão esquerda. A direita vem pra minha nuca. Quente, grande, me puxando pra cima. Pra ele.— Feliz aniversário, jardineira-chefe — ele fala baixo, só pra mim. — Estava ansioso por isso.E me beija.Não é como no portão. Lá foi um selo, rápido, com medo de alguém ver.Aqui é mais.A mão dele na minha nuca não me deixa fugir. E nem quero. A boca dele encosta na minha e o mundo para. Eu sinto o cheiro dele. Limpo, caro, misturado com a minha colônia. Sinto a barba dele arranhando de leve o meu queixo. Gosto.Meu coração que estava correndo desde o dormitório, de repente dá um salto e esquece como bate. E dessa vez minhas pernas viram gelatina de verdade. Eu tenho que agarrar a camisa dele com as duas mãos pra não cair no chão na frente de

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    O dormitório feminino está uma completa confusão de risadas, passos apressados e tecidos balançando, mas a única coisa que consigo ouvir é o som descompassado do meu próprio coração. Hoje é o meu dia vinte e oito. Meu aniversário de dezoito anos.— Anna, mexe os braços! Deixa eu puxar o zíper — grita Marta, puxando o tecido azul-claro do vestido que ganhei da direção do orfanato. É uma peça simples, de algodão, sem nenhum luxo, mas é nova e serve perfeitamente no meu corpo.— Nem dá para acreditar que você está completando dezoito anos, Anna! — Lúcia fala, sentada na beirada da cama, batendo os pés de ansiedade. — Como você está se sentindo? Daqui a pouco você vai cruzar aquele portão para sempre! Está com medo?Eu abro a boca para responder, mas as palavras simplesmente travam na minha garganta. O pânico de pensar na república me aperta, mas a verdade é que a minha mente está bem longe dali, focada em um único par de olhos escuros.Antes que eu consiga formular qualquer frase, a port

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    O tamborilar dos meus dedos contra o volante de couro do carro dita o ritmo exato da minha ansiedade. Eu olho para o relógio digital no painel mais uma vez. Faltam poucos minutos para o horário combinado. Hoje é o dia. O dia vinte e oito. O aniversário de dezoito anos da Anna, o fim da contagem regressiva de vinte e três dias que vinha me assombrando, e o momento exato em que a vida dela muda para sempre. Eu preparei tudo. Cada detalhe, desde o destino dela lá fora até a celebração aqui dentro, foi friamente calculado para que ela entenda, de uma vez por todas, que nunca mais estará sozinha no mundo.Ainda assim, meu estômago se contrai. Desligo o motor, mas continuo sentado no banco do motorista, encarando o grande portão de ferro do orfanato. Estar aqui hoje, sabendo o que este dia representa, me traz uma enxurrada de memórias de uma das segunda-feira juntos — a visita logo após o nosso primeiro beijo.A lembrança invade minha mente com uma nitidez avassaladora, fazendo meu peito ap

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