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capítulo 8 Arthur narrando...

last update publish date: 2026-08-27 05:37:38

Ano de 1991

Saio da fazenda com o jipe já aquecido, poeira levantando atrás das rodas enquanto sigo pela estrada de terra. Esse é o carro ideal para a nossa vida,amooooo, resistente, seguro, aguenta qualquer caminho e foi um dos investimento mais sensato que fiz, com o dinheiro que junto comprei o carro que queria, sem dívida e com muito trabalho. Rosana vai ao meu lado, com o cabelo ao vento, e a viagem até a cidade passa rápido.

Chegamos na casa grande que meus pais compraram há uns meses, espaçosa, com um pátio amplo e perto do centro. Assim que entramos, vejo Maurício sentado na varanda, com os pés esticados e um copo de café na mão. Rosana cumprimenta ele e já segue direto para a cozinha, dizendo que vai preparar algo para comermos: pão fresco, queijo, presunto e o doce que minha mãe fez — tudo para deixar a gente à vontade.

Assim que ficamos só nós dois, puxo assunto logo:

— E aí, irmão? Como está andando o namoro novo?Conta ai: saiu com ela, foi fácil? Conseguiu o que queria logo?

Ele balança a cabeça negativamente, dá um sorriso meio de lado e responde:

— Nada fácil, não. Essa menina é difícil demais, de dar medo até. Toda hora fica com um ar de quem está com receio, não deixa chegar muito perto, vira o rosto quando tento beijar, inventa hora para voltar para casa cedo. Não entendo direito, mas percebo que ela tem medo daquele pai dela demais, só vive assustada.

— E você já desistiu? — pergunto.

— De jeito nenhum — ele responde, com aquele jeito de não largar o osso. — Não perco a linha, não insisto muito para não espantar, mas também não deixo de procurar. Hoje mesmo eu convidei ela para vir aqui em casa, conhecer melhor o lugar, conversar sem pressa. Ela aceitou, mas com muita desconfiança, como se estivesse fazendo algo proibido. Me fez prometer que não vou agarrar ela

Ficamos conversando mais um pouco: falo do trabalho na fazenda, da safra que está boa, ele conta dos negócios na cidade e das visitas que faz à casa dela. O tempo passa até que ouvimos o portão bater devagar.

— Deve ser ela — diz Maurício, já se levantando, ansioso parece apaixonado.

Ele vai até a porta e volta com uma moça que eu peguei um tempo atrás. No momento em que ela entra e levanta os olhos para mim, o mundo parece parar. Fico ali, imóvel, e tenho a certeza absoluta: é ela. A mesma mulher daquela noite de 1986, é ela mesmo tenho certeza, a que eu deixei dormindo no quarto da festa, a que eu achei que nunca mais veria.

Ela também me reconhece na hora. Fica pálida, as mãos começam a tremer, os olhos se arregalam de susto e medo. Dá um passo para trás, como se quisesse fugir, mas fica parada, sem saber para onde ir.

— Você… — sussurra ela, com a voz quase sumindo.

Fico olhando para ela, sem acreditar no destino. O que eu achei que tinha sido só uma chuva de verão, um momento passageiro que não deixaria rastro nenhum, agora está bem na minha frente, na casa do meu irmão, a mulher que ele quer conquistar. O coração b**e mais forte, e percebo que a história não ficou lá no passado, como eu pensei. Rosana entra com uma bandeira na mão.

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