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Capítulo 7

Author: Doce Menina
Os passos de Cecília cessaram de repente. Sua respiração falhou por um instante, e seu semblante foi ficando cada vez mais sério.

— O que foi? — Leandro não entendeu. — Não foi você que pediu ao Sr. Heitor para te transferir de volta?

— Não. Eu vim pedir demissão. — Cecília balançou a cabeça.

— Demissão?! Por quê? — Leandro puxou o ar com força.

— Motivos pessoais. — Ela respondeu de forma breve e, em seguida, perguntou. — Ainda dá para cancelar a ordem de transferência?

— Só com a autorização do Sr. Heitor. — O rosto de Leandro mostrava claramente o constrangimento.

Cecília levou a mão à testa, massageando-a levemente, sentindo uma sensação de impotência crescer dentro de si.

— Estamos no fim do ano, é a época mais corrida da empresa. Deixa essa história de demissão para depois do Ano Novo. Vai buscar suas coisas, você acabou de voltar e já tem tarefa. A Srta. Nicole quer que você leve um chá para ela quando voltar à tarde. — Leandro tentou consolá-la.

— Entendi. — Sem outra opção, Cecília assentiu e voltou à filial para organizar suas coisas.

Às treze horas em ponto, ela apareceu no posto de secretária do presidente.

Depois de organizar seus pertences, pegou um copo de chá de manga e entrou no escritório.

A luz da tarde era intensa, derramando-se sobre Heitor. Ele vestia uma camisa branca, seus traços bem definidos exalavam uma elegância fria, quase inacessível.

Nicole estava sentada no sofá da área de descanso, a mesa de centro cheia de lanches.

Ao ver Cecília entrar, Heitor apenas lançou um olhar breve e voltou ao trabalho.

— Srta. Nicole, seu chá. — Cecília caminhou até Nicole.

— Deixe aí. — Nicole mexia nas unhas, com um ar arrogante.

Cecília colocou o copo e se virou para sair.

Mal havia retornado à sua mesa quando o telefone interno tocou.

— Vem aqui. — A voz grave de Heitor veio do outro lado.

Ela pousou o que tinha nas mãos e voltou ao escritório.

Assim que abriu a porta, seu olhar caiu primeiro, como sempre, sobre Heitor atrás da mesa.

Ele ergueu levemente as pálpebras e lançou um olhar na direção de Nicole. Cecília seguiu aquele olhar e encontrou o olhar insatisfeito de Nicole.

— Por que o chá que você comprou está quente?

— Estamos no inverno. A senhora prefere gelado? — Cecília respondeu com leve inclinação de cabeça.

— Claro. — Nicole soltou um leve resmungo.

Instintivamente, Cecília olhou para Heitor. Mas ele permanecia ali, sentado, indiferente.

— Então vou comprar um gelado agora.

Pouco depois, Cecília voltou com um chá de manga com gelo.

Mas Nicole não o pegou. Em vez disso, perguntou:

— Pedi com pouco gelo ou muito gelo?

— Está exatamente do jeito que a senhorita pediu. — Cecília colocou o copo à frente dela. — Aproveite.

— Você... — Percebendo que havia sido contornada pelas próprias palavras, Nicole se irritou. — Então vá comprar batatas fritas para mim!

— Além de batatas fritas, a senhorita deseja mais alguma coisa? Posso trazer tudo de uma vez, para que você não precise esperar. — Cecília tirou um bloquinho do bolso, pronta para anotar.

— Heitor! — Nicole lançou-lhe um olhar irritado, levantando-se e indo até ele. — Olha isso...

O homem, até então concentrado no trabalho, finalmente ergueu os olhos. Olhou o relógio e suspirou levemente, com certo cansaço.

— Temos um coquetel à noite. Ainda tenho trabalho para terminar. Não faça cena.

Os olhos de Nicole brilharam com uma ideia.

— Então manda ela ir comigo escolher o vestido. — Ela apontou para Cecília.

Heitor ponderou por um instante.

— Leve a Srta. Nicole para escolher o vestido. Aproveite e escolha um para você também. — Ele pegou um cartão preto e entregou a Cecília.

— Sim. — Cecília franziu levemente a testa, mas só pôde aceitar.

Antes, quando acompanhava Heitor a eventos, os vestidos e a produção eram pagos pela empresa. Afinal, até os mais baratos custavam dezenas de milhares.

Mas com Nicole era diferente. Ela escolheu um estúdio privado de produção e um estilista bastante famoso em Belnorte.

Meia hora depois, Cecília estacionou o carro. Desceu, deu a volta e abriu a porta traseira.

— Segure.

Uma bolsa em tons de azul e rosa apareceu primeiro, era um modelo novo de uma marca internacional.

Cecília pegou a bolsa.

Depois que Nicole desceu, ela fechou a porta e a seguiu para dentro.

Como já havia reserva, os profissionais estavam à espera na entrada.

— Srta. Nicole!

Nicole lançou um olhar à pessoa e, discretamente, fez um gesto. O estilista olhou rapidamente para Cecília, sorriu com entendimento e assentiu.

— Tragam as últimas coleções.

Nicole entrou, elegantemente, e se sentou no sofá.

Imediatamente, várias pessoas passaram a atendê-la. Carregavam vestidos, catálogos, bebidas, frutas, doces.

Cecília olhou ao redor. Os vestidos expostos eram deslumbrantes. Mesmo o mais barato custava seis dígitos. Ela pensava em escolher algo mais discreto e menos exorbitante.

— Secretária Cecília, venha aqui.

Ao ouvir isso, Cecília mudou de direção e se aproximou, entregando a bolsa.

— Fique aqui. Não fique andando por aí. — Nicole nem levantou a cabeça ao dar a ordem.

Após alguns segundos de silêncio, Cecília recolheu a mão e ficou parada atrás dela, sem dizer nada.

Aquilo durou duas horas.

Nicole escolheu o vestido, fez cabelo e maquiagem.

E, a cada etapa, repetia:

— Fique aí. Não se mexa.

Cecília não se importava. De qualquer forma, precisava escolher um vestido. E, sinceramente, ser paga para ficar parada era mais fácil do que trabalhar.

Finalmente, Nicole terminou tudo e olhou para ela.

— Tragam o vestido mais barato da loja.

O estilista sorriu com cumplicidade e fez um gesto.

Logo, um assistente trouxe um vestido preto, com fitas cinzas e laranjas. A palavra "feio" era pouco para descrevê-lo. De perto, as cores gritantes e as costuras grosseiras tornavam tudo ainda pior.

Cecília não pôde evitar franzir a testa.

— A Srta. Nicole foi muito generosa com você. Esse vestido custa quatrocentos e vinte mil. — O estilista ajeitava o vestido de Nicole enquanto alfinetava Cecília.

Quatrocentos e vinte mil. Não era barato. Nem mesmo quando a empresa pagava, Cecília usava algo assim.

— Se está usando o dinheiro do Heitor, então tem que ouvir o que eu digo. Se não gosta, pague você mesma. Se puder, claro. — Nicole lançou um olhar pelo espelho.

Vestida com um traje lilás-claro, com maquiagem impecável, parecia elegante e deslumbrante.

Se Cecília ficasse ao lado dela com aquele vestido, pareceria um palhaço.

— Pronto, assim está bom. Pode fechar a conta.

O recibo foi entregue a Cecília. Ela respirou fundo, pegou o cartão e pagou os dois vestidos.

— Vai fazer maquiagem e o penteado também? — O estilista perguntou, sem cerimônia.

— Não, obrigada. — Cecília respondeu sem sequer olhar para trás.

Pegou os vestidos, a bolsa de Nicole e saiu.

Nicole lançou-lhe um olhar, depois trocou um sorriso cúmplice com o estilista.

No caminho de volta, o celular de Cecília tocou.

Era Heitor.

— Não vai dar tempo. Vão direto para o hotel.

— Certo. — Ela fez o retorno e seguiu direto para o hotel.

Cinco minutos antes do início do coquetel, estacionou na entrada.

Leandro já aguardava. Ao vê-las chegar, abriu a porta do carro.

— Cadê o Heitor? — Perguntou Nicole ao descer.

— Um parceiro de negócios chegou. O Sr. Heitor entrou primeiro. — Então, Leandro notou algo. — Secretária Cecília, você ainda não trocou de roupa?

— Leve a Srta. Nicole. Eu já vou. — Cecília respondeu.

Ela desceu com o vestido nas mãos.

Antes de entrar, Nicole lançou-lhe um olhar triunfante e seguiu adiante, passos firmes em seus saltos altos.

— O que está acontecendo? — Leandro percebeu a tensão entre as duas, confuso.

— Estou gripada, tomando remédio, não posso beber hoje. Depois você acompanha o Sr. Heitor nas negociações. — Cecília balançou a cabeça e disse em voz baixa.

Eles sempre dividiam funções, um socializava, o outro dirigia.

— Certo.

Leandro entrou primeiro.

Cecília olhou para o vestido em suas mãos. Seus lábios se comprimiram por alguns segundos.

Então, ela ergueu o pé e entrou no hotel.

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