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Capítulo 6

Author: Doce Menina
A cena de Nicole puxando Heitor para a mesa, sentando-se colada a ele, repetia-se incessantemente na mente de Cecília.

Ela não deveria ter olhado.

No caminho de volta, deixou o vento frio bater no rosto, tentando se acalmar. No meio do trajeto, parou para comer um pouco de mingau quente antes de voltar para casa.

Nos dias seguintes, notícias sobre Heitor e Nicole tomaram conta de tudo.

O que mais a inquietava era o silêncio sobre sua demissão.

Ela ligou para Letícia, uma conhecida do RH, para perguntar. No entanto, Letícia sequer sabia que ela havia pedido demissão.

Como assistente do gerente do RH, era impossível que algo assim passasse sem que ela soubesse.

Isso só significava uma coisa, Heitor ainda não havia aprovado.

Cecília pisou fundo no acelerador e seguiu direto para a sede do Prospera.

Mas chegou em má hora, Heitor estava em reunião.

A equipe da secretaria pediu que ela aguardasse na sala de reuniões.

Depois de esperar por cerca de meia hora, Nicole apareceu.

Com uma bolsa de edição limitada pendurada no braço, maquiagem impecável e expressão radiante, ela conversava animadamente com os funcionários, como se já fosse a dona do lugar, exibindo ares de uma empresária de sucesso.

Antes de entrar no escritório de Heitor, Nicole lançou um olhar de canto para a sala de recepção e viu Cecília.

— O que está acontecendo ali? — Ela chamou uma das secretárias, Ariane Gonçalves.

— A Srta. Cecília veio procurar o Sr. Heitor, mas como não marcou horário, só pode esperar. — Ariane sorriu de forma bajuladora.

Nicole brincou distraidamente com os dedos, os olhos brilhando com intenção. Aproximou-se e cochichou algo para Ariane.

Minutos depois, Ariane entrou na sala.

— Srta. Cecília, é melhor a senhora ir embora. O Sr. Heitor não tem tempo para recebê-la.

— A reunião dele ainda não terminou. Essa resposta não veio dele. — Cecília ergueu o olhar.

Ariane ficou sem palavras.

— Quando o Sr. Heitor terminar, por favor, diga que preciso apenas de cinco minutos. — Cecília já havia entendido a situação.

— Secretária Cecília, não poderia resolver isso por telefone? Precisa mesmo vê-lo pessoalmente? — Ariane tentou sondar.

— Ele não atende o telefone.

Se não fosse isso, ela não teria ido até ali.

Ariane levou a resposta a Nicole, mas ela não acreditou. Se fosse algo urgente de trabalho, Cecília não estaria esperando com tanta calma. O fato de ela esperar só significava que ela queria vê-lo.

Durante seis meses, Cecília se manteve discreta. Nicole já não a levava em consideração. Mas agora, com o noivado se aproximando, Cecília decidiu reaparecer.

Como Nicole não ficaria desconfiada?

Ariane voltou à sala.

— Srta. Cecília, poderia esperar na sala de reuniões do lado direito? Precisamos desta aqui para uma reunião mais tarde.

Cecília levantou-se, pegou a bolsa e saiu.

A sala do lado direito ficava em um canto, Heitor não passaria por ali ao sair da reunião. Ela não teria como vê-lo.

Sentou-se, pegou o celular e enviou uma mensagem:

[Rafa, me avisa quando o Sr. Heitor voltar ao escritório]

Rafaela Simões havia entrado na empresa ao mesmo tempo que Ariane.

As duas eram completamente diferentes. Ariane gostava de bajular superiores e já havia tentado se aproximar de Cecília, que sempre se mostrou indiferente.

Já Rafaela era prática, trabalhadora, e Cecília sempre preferira sua companhia.

A resposta de Rafaela veio rápido: [OK]

Havia muito trabalho pendente na filial. Depois de organizar o necessário, Cecília começou a trabalhar ali mesmo. E, sem perceber, já era meio-dia.

A porta se abriu de repente. Rafaela entrou correndo, com uma expressão de culpa.

— Ceci, o Sr. Heitor e a Srta. Nicole foram almoçar no sexto andar. Quando ele voltou da reunião, eu não estava na secretaria, então não o vi.

— Não tem problema. Ainda dá tempo. — Cecília fechou o notebook e guardou na bolsa.

— Desculpa mesmo, eu realmente não percebi quando ele voltou...

Cecília não a culpava. Afinal, ela mesma também se distraiu com o trabalho.

Ela pegou o elevador para o sexto andar. No entanto, assim que saiu, a porta do elevador exclusivo do presidente se abriu à sua frente.

— Pedi para ampliarem o restaurante e incluírem uma ala de culinária estrangeira. Trouxe chefs do exterior. Vê se gosta. — A voz de Heitor era suave.

Ele vestia um terno preto impecável e elegante.

Ao seu lado, Nicole, com um suéter rosa-claro e saia preta, parecia delicada.

— Se dessa vez ainda não me agradar, você vai ter que trazer o chef daquele restaurante.

— Tudo bem, como quiser. — Heitor suspirou, indulgente.

O sorriso dela se ampliou ainda mais antes de ela sair do elevador.

Heitor ergueu a mão, protegendo-a ao sair.

Quando viu Cecília esperando, o sorriso de Nicole se dissipou levemente.

— Sr. Heitor, preciso de alguns minutos. Tenho algo a tratar com você. — Cecília se aproximou.

Mesmo com o olhar baixo, ela percebeu, pelo canto dos olhos, Nicole imediatamente segurando o braço dele.

Heitor ponderou por um instante, então virou-se para Nicole e disse:

— A comida esfria rápido. Vá na frente, eu já vou.

— Tudo bem, mas não demora. — Ela fez um leve charme, soltou o braço dele com relutância e seguiu para o restaurante.

— Venha comigo. — A voz de Heitor voltou a ficar fria.

Ele caminhou em direção à área de descanso no final do corredor.

Cecília o seguiu.

Ele acendeu um cigarro e olhou o relógio.

— Cinco minutos.

— Desculpa interromper seu almoço, mas poderia aprovar meu pedido de demissão? — Cecília foi direta ao ponto, sem rodeios.

— Que pedido de demissão? — Heitor franziu levemente a testa, retirando o cigarro dos lábios.

— Aquela carta que pedi ao assistente Leandro para entregar ao senhor. — Cecília ergueu os olhos.

Ele então se lembrou do envelope.

Não teve tempo de ler a carta, logo recebeu uma ligação e viajou ao exterior. Depois disso, o documento simplesmente desapareceu.

Ele havia esquecido completamente.

— O senhor não viu? — Cecília percebeu algo errado.

Ele soltou uma nuvem de fumaça e ficou em silêncio por alguns segundos.

— Motivo da demissão?

— O cargo de gerente na filial não é para mim. Depois de seis meses, ainda não me adaptei. — Os olhos dela vacilaram levemente.

— Então volte para a matriz. — Os lábios finos de Heitor se entreabriram, pronunciando aquelas cinco palavras, e ele a encarou. — Da próxima vez, vá direto ao ponto.

— Não foi isso que quis dizer... — Cecília não esperava que ele interpretasse assim. — Eu...

Funcionários entravam e saíam do restaurante ao lado. Cada vez que a porta abria, o cheiro de comida vinha junto. Antes que ela pudesse terminar de falar, uma onda de náusea subiu.

Ela cobriu a boca e correu para o banheiro ao lado.

Com menos de dois meses de gravidez, ela estava na fase mais intensa dos enjoos matinais. Quase não vomitava nada, mas o desconforto era insuportável.

Cecília se recompôs rapidamente e saiu do banheiro. Mas Heitor já não estava mais ali.

— Secretária Cecília, já saiu? — Leandro estava no mesmo lugar, digitando no celular. — Já pedi ao RH para providenciar sua transferência de volta. Aproveite o horário de almoço para trazer suas coisas da filial. À tarde já pode trabalhar normalmente aqui.

O coração de Cecília despencou. Ela não esperava que ele já tivesse dado a ordem.

— Espera! Não faça isso ainda, eu não terminei de falar com o Sr. Heitor! — Ela virou-se e caminhou rapidamente para o restaurante.

Leandro pausou, então disse:

— O Sr. Heitor não está lá. A Srta. Nicole disse que não gostou muito da comida, então ele a levou para almoçar fora. E eu já dei andamento ao processo.
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