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Capítulo 3

Author: Doce Menina
Assim que entrou no escritório, Nicole viu Leandro reservando passagens e perguntou apressada:

— Onde está o Heitor? Por que você está comprando passagens?

— Está na sala de descanso. Houve um problema urgente em uma das filiais, e o Sr. Heitor precisa ir até lá.

Antes mesmo que Leandro terminasse de falar, Nicole já havia tirado seu passaporte da bolsa e o estendido a ele.

— Reserve uma para mim também. Vou com ele.

— Hã? — Leandro ficou surpreso, olhando para ela.

— O que foi? Precisa que o Heitor diga para você obedecer? — Ela respondeu com naturalidade.

Nos últimos seis meses, ela ia aonde quer que Heitor fosse.

Pensando bem, fazia sentido.

— Certo. — Leandro pegou o documento.

O olhar de Nicole caiu sobre o envelope já aberto. O conteúdo havia sido retirado por Heitor.

Ela franziu levemente a sobrancelha, com os olhos carregados de cautela.

Pouco depois, Heitor saiu, já com outra roupa, segurando uma pasta, e caminhou com passos largos para fora.

A carta de demissão, ainda dobrada, foi deixada por ele casualmente ao lado da mesa e, ao arrumar suas coisas, acabou caindo no chão sem que ele percebesse.

Enquanto pesquisava na internet sobre cuidados durante a gravidez, Cecília viu surgir uma notícia na área de economia.

Foi assim que descobriu que Heitor havia saído do país.

Com o fim de ano se aproximando e a empresa cheia de trabalho, ele havia deixado tudo de lado e viajado com Nicole.

A mídia especulava que os dois estavam prestes a se casar e que haviam ido ao exterior para escolher o local da cerimônia.

Nos últimos seis meses, rumores sobre eles não faltaram. Mas Cecília nunca havia clicado em nenhum.

Ela estava fugindo. Fugiu por seis meses e, mesmo assim, quando o encontrou por acaso um mês atrás, não conseguiu afastá-lo e acabou indo para a cama com ele.

Então decidiu que não fugiria mais. Já que ia partir de qualquer forma, era melhor encarar a dor de uma vez.

Ela abriu a notícia e ampliou as fotos.

O homem vestia um terno preto, carregava uma mala rosa e, no braço, pendia uma bolsa feminina. Estava parado à porta do banheiro feminino.

Não era preciso pensar muito para saber que estava esperando Nicole.

Heitor, o poderoso líder do Prospera, herdeiro único da família Siqueira. Qualquer um de seus títulos bastava para ser inatingível para a maioria.

E, ainda assim, aquele homem que jamais a tinha enxergado de verdade agora fazia algo tão trivial quanto esperar por alguém à porta de um banheiro feminino, em público.

Mesmo sendo fotos tiradas às escondidas, ele parecia impecável de qualquer ângulo. Sua estrutura óssea perfeita, seus traços refinados, em cada imagem, havia uma elegância natural.

Pela tela, Cecília quase podia sentir sua presença.

Ela bloqueou a tela do celular.

A mão pousou sobre o ventre, e seu olhar foi até o sofá de um metro e meio à frente.

Depois de se casar com ele, ela voltou para casa para arrumar suas coisas, e Heitor foi pessoalmente buscá-la.

Ela não esperava por isso. Tinha acabado de sair do banho, vestia roupas leves, o cabelo ainda úmido. E ele não conseguiu se conter. Foi naquele sofá que fizeram amor pela segunda vez.

A única vez naquele lugar. E, provavelmente, a última.

Cecília levou a mão aos lábios, mordendo levemente o dedo.

Seu salário sempre foi alto. Ao longo dos anos, havia economizado bastante. Mesmo que não trabalhasse por alguns anos, ainda seria suficiente para sustentar ela e o filho.

E, no futuro, faria o possível para dar à criança uma vida ainda melhor.

Depois de alguns dias de espera, começou a ficar inquieta.

Aproveitou um pretexto de trabalho e foi até a sede da empresa, procurando um conhecido no departamento de recursos humanos para saber em que etapa estava seu processo de demissão.

Mas não teve sorte.

O RH estava em reunião de encerramento do ano e só terminaria ao meio-dia.

Como ainda havia muitas tarefas na filial, Cecília não podia esperar. Só lhe restou ir embora.

Assim que se virou, alguém segurou seu pulso de repente.

— Cunhada! Finalmente te encontrei! — Flávia falou em voz baixa, puxando-a em direção à escada.

A luz automática acendeu. Cecília olhou para a garota, que era meia cabeça mais alta que ela e se apoiava em seu ombro com um ar carinhoso.

— Eu e seu irmão já nos divorciamos. Não me chame mais de cunhada, temos quase a mesma idade, pode me chamar pelo nome.

Flávia Siqueira era irmã mais nova de Heitor, três anos mais nova.

Estava na empresa havia um ano, começando de baixo.

Cecília a ajudou muitas vezes, de forma direta e indireta.

E Flávia gostava muito dela.

— Mesmo divorciada, você continua sendo minha cunhada! A vovó e o vovô falam de você o tempo todo. Finalmente te encontrei, vou pedir licença agora mesmo e te levo para casa! E ela era perfeitamente capaz de fazer isso.

— O fim de ano está chegando, a empresa está cheia de trabalho. Tirar folga agora pode afetar sua efetivação. — Cecília rapidamente a segurou.

— Cunhada, não, Ceci... vem comigo, por favor. Só para vê-los, pode ser? Eu te imploro!

— Então... vou à noite, pode ser? — Sem conseguir recusar, Cecília cedeu.

Se não fosse pelo fato de Heitor não a amar, aquele casamento seria quase perfeito.

Ele havia proposto manter tudo em segredo, ela pensou que até a família dele não saberia. Mas, assim que registraram o casamento, ele a levou para casa.

O pai de Heitor ficou insatisfeito com a decisão repentina, mas não disse muito.

A mãe dele nunca a aceitou, embora também não a tratasse mal, apenas manteve uma postura fria.

Já os avós gostavam muito dela. Todas as semanas, havia um jantar em família, e era ali que Cecília sentia algo próximo ao carinho e ao amor de um lar.

Agora que estava prestes a partir, provavelmente nunca mais voltaria. Então, antes de ir embora, queria se despedir. De qualquer forma, Heitor não estaria lá.

— Sério? — Flávia havia tentado contatá-la várias vezes, sem sucesso. — Você não está me enganando, não é?

— Quando foi que eu menti para alguém? — Cecília sorriu e ajeitou o laço na roupa da garota.

Assim que disse isso, seu coração deu um leve disparo. Ela realmente nunca mentia. Mas, desta vez, tinha contado uma mentira gigantesca para Heitor. Uma mentira daquelas que, se descoberta, seria fatal.

— Então vou avisar o vovô e a vovó agora mesmo!

Flávia era simples e direta. Nunca acreditou de fato no divórcio entre Cecília e o irmão e que Cecília realmente não deveria mais frequentar a casa da família Siqueira.

Mas tudo bem. Seria só dessa vez.

Ao sair da sede e seguir para a filial, Cecília passou por uma confeitaria centenária e comprou alguns doces favoritos dos avós.

Às sete da noite, com as luzes da cidade acesas, o imenso casarão da família Siqueira estava todo iluminado.

— Aquele pirralho! Como pode não valorizar uma esposa tão boa como você?! Quero ver como ele vai viver o resto da vida! — A voz furiosa da avó ecoava por toda a mansão.

Depois do divórcio, a avó, Judite Siqueira, já havia ligado para Cecília para reclamar duramente de Heitor.

E agora, sentada ali, ouvindo novamente toda a culpa recair sobre ele, Cecília se sentia um pouco culpada.

— Sra. Judite, fui eu quem pediu o divórcio.

Antes, quando ainda estavam casados, toda vez que voltavam à casa da família, os dois idosos repreendiam Heitor e a tratavam melhor, o que desagradava os pais dele.

Agora, mesmo divorciados, eles continuavam defendendo Cecília.

— Se meu irmão te tratasse bem, você não teria se divorciado. — Disse Flávia, trazendo uma bandeja de frutas e concordando com os avós.

Cecília piscou para ela, tentando fazê-la parar.

Percebendo o constrangimento dela, o avô mudou de assunto:

— Ceci, está se adaptando bem à filial?

— Estou, sim. — Cecília assentiu. — Por favor, cuidem bem de vocês. Eu estou bem.

— Você emagreceu! Está trabalhando demais? Que tal mudar de cargo? Mantemos o salário de gerente e reduzimos o trabalho pela metade! E no divórcio, por que você não ficou com metade dos bens dele? — Judite segurou sua mão com carinho.

Quem não soubesse, acharia que ela era a verdadeira neta de Judite.

Metade da fortuna de Heitor seria suficiente para Cecília viver bem por várias gerações.

No entanto, o divórcio já estava decidido.

Depois de algumas críticas a Heitor, o assunto mudou para como Cecília estava, histórias de Flávia e acontecimentos da família.

A conversa seguia animada quando, de repente, o som de um motor ecoou no quintal.

Cecília virou o rosto e reconheceu o Bugatti familiar.
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