Se connecterSenti meu rosto esquentar levemente, mas mantive a postura e dei de ombros, disfarçando o sobressalto no coração. — Isso que você está dizendo é pura impressão sua, Massimo — respondi rapidamente. — Não tinha competição nenhuma entre o Matteo e o Jean-Luc. Só se for pelo fato de o Jean-Luc ter ido fazer queixa do Matteo para o nosso pai no dia daquele jantar na sua casa. Deve ser pura birra por causa disso. Massimo deu um sorriso de canto, parecendo se convencer. — É... pode ser por causa disso mesmo. O Matteo não leva desaforo para casa. Estávamos todos ali, conversando e rindo de forma descontraída por alguns segundos, baixando a guarda por um breve instante. E foi aí que o inferno se instalou. O primeiro sinal não foi um grito, nem o som de um disparo isolado. Foi o estilhaçar violento e ensurdecedor de uma das imensas vidraças decorativas nas laterais do salão. O som agudo do vidro temperad
POV: Sofia Capone Ver a cara de tacho e de derrota de Jean-Luc logo após ser completamente humilhado por Matteo no leilão foi simplesmente impagável. Tentei controlar o meu sorriso de satisfação, morder os lábios e focar no palco, mas foi uma tarefa quase impossível. A raiva que emanava do francês ao meu lado era tão palpável que chegava a ser cômica. Ele passou de um garoto mimado e arrogante para um perdedor raivoso em questão de segundos, tudo porque Matteo jogou um milhão de euros na mesa sem nem piscar. Ainda bufando de ódio, Jean-Luc virou-se para mim. Ele se aproximou do meu ouvido, a respiração quente e pesada contra a minha pele, e falou em um tom baixo, tentando soar ameaçador: — Não pense que você ganhou essa guerra, Sofia. E não pense que vou permitir que esse russo imbecil se intrometa entre nós dois. O que o Matteo Volkov fez hoje na frente de toda a organização não vai ficar impune. Eu vou fazer aquele desgraçado pagar por
POV: Matteo Volkov Girar o copo de uísque entre os dedos e sentir o líquido âmbar deslizar pela garganta tinha um gosto muito melhor quando acompanhado pela vergonha alheia dos meus inimigos. Observar a cara de imbecil do Jean-Luc Laurent do outro lado do salão fez cada centavo daquele um milhão de euros valer a pena. A expressão de raiva e derrota estampada no rosto do francês era impagável. O garoto mimado achou mesmo que ostentaria poder na minha frente, na frente de todos aqueles tubarões da máfia e da alta sociedade, como se fosse o dono do pedaço. Ver a mão dele tremer de ódio sobre a mesa enquanto o pai o segurava pelo braço para evitar uma humilhação ainda maior foi extremamente satisfatório. A minha atenção, no entanto, não ficou muito tempo nele. Meus olhos buscaram Sofia. Ela tentava manter a postura ereta e a expressão neutra ao lado daquele babaca, mas eu conhecia o brilho nos olhos dela. Eu sabia que ela tinha entendido perf
Mesmo afastado da nossa mesa, parado perto de uma das colunas de mármore do setor lateral, eu conseguia sentir o olhar dele cravado em mim. E, principalmente, eu sabia que os olhos escuros dele estavam queimando sobre a mão de Jean-Luc pousada na minha perna. A aura de perigo que emanava de Matteo era quase palpável, como uma tempestade prestes a desabar sobre aquele salão luxuoso. Após algumas pinturas valiosas e esculturas de bronze terem sido arrematadas por valores altíssimos por empresários locais, o mestre de cerimônias pigarreou e anunciou o início do lote mais aguardado da noite: as joias exclusivas. Um assistente de luvas brancas caminhou até o centro do palco carregando uma elegante caixa de veludo preta. Ele abriu a caixa sob a luz dos refletores, revelando a peça que fez várias mulheres no salão soltarem suspiros abafados. Era um par de brincos espetacular de ouro branco, cravejado com diamantes reluzentes e duas imponentes es
POV: Sofia Capone Respirei fundo três vezes antes de empurrar a porta de acesso e sair do corredor lateral escuro. Meus lábios ainda queimavam pelo beijo de Matteo, e o ritmo acelerado do meu coração teimava em não diminuir. Passei as mãos pelo tecido do vestido verde-esmeralda, alisei o cabelo com os dedos e verifiquei rapidamente se não havia nenhuma marca visível no meu rosto. Eu precisava parecer perfeitamente calma, a herdeira exemplar que todos esperavam ver. A luz forte e o barulho do salão principal me atingiram como um golpe assim que dei os primeiros passos de volta à festa. O som suave do violino, o murmúrio da elite e o cheiro forte de perfumes caros preenchiam o ar. Caminhei com passos firmes, mantendo a postura ereta, em direção à mesa principal onde a minha família e a família Laurent estavam acomodadas. Assim que me aproximei, Jean-Luc virou o rosto na minha direção. O olhar dele estava carregado de uma desconfiança mal di
A curiosidade e a desconfiança falaram mais alto. Guardei o batom, saí do banheiro e caminhei devagar pelo corredor de serviço, mantendo os passos leves para não fazer barulho com o salto do sapato. Aproximei-me da porta de acesso ao pátio lateral do pátio interno. A porta estava entreaberta por uma fresta mínima, permitindo que a brisa fria da noite entrasse e me trouxesse o cheiro característico de pólvora e cigarro. Inclinei o corpo e espiei através do espaço entre a porta e o batente. Lá fora, na penumbra do estacionamento privativo, vi homens armados vestindo ternos escuros posicionados perto dos carros. E no centro de tudo, de costas para a porta, estava Matteo. Ele estava sem o paletó do terno, apenas com o colete e a camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos. Ele segurava uma arma de grande calibre com uma firmeza assustadora, a postura totalmente ereta e os olhos atentos a cada s







