LOGINPOV: MATTEO VOLKOV
O calor do corpo de Sofia Capone e a sensação quase dolorosa dos lábios dela colados nos meus me atormentam dia e noite desde aquele maldito jantar na residência dos Bellagio. Eu fecho os olhos e ainda sinto o perfume amadeirado e doce dela invadindo os meus sentidos, o toque macio da sua coxa nua contra os meus dedos na fenda daquele vestido dourado. Mas Sofia era algo estritamente proibido. Eu sabia disso. Sempre soube. Nós temosMinha mãe suspirou pesadamente, ajeitando-se nos travesseiros com um ar compreensivo, mas irredutível. — Eu entendo que pareça assustador e rápido demais para você, minha filha. Mas com o tempo, você aprenderá a amar o Jean-Luc. Ele é um homem de boa família... Ele é um bom homem, Sofia — Ela falou, num tom de quem tentava convencer a si mesma tanto quanto a mim. — Ele vem de uma família tradicional e influente na França. O seu pai planejou essa união com muito cuidado. Ele queria garantir que você estivesse protegida, com um homem de pulso firme ao seu lado. Sei que com o tempo você vai aprender a respeitá-lo e a construir uma vida com ele. — Isso não vai acontecer, mamãe! — interrompi-a com firmeza, sentindo a voz tremer de indignação. — Eu nunca vou amar o Jean-Luc. Eu sinto apenas repulsa por ele. Ela franziu a testa, surpresa com a veemência da minha resposta, e estreitou os olhos de forma perspicaz. — Por que você diz isso com tanta certeza, Sofia? Há algum motivo específico
POV: Sofia Capone Subi os degraus da grande escadaria de mármore com os passos pesados e o coração batendo no ritmo frenético do pânico. O olhar de advertência do Massimo ainda queimava nas minhas costas, gélido e implacável, como a lâmina de uma adaga. A forma como ele nos flagrou na sala — eu deitada com a cabeça no colo do Matteo, enquanto os dedos dele passeavam pelos meus cabelos — tinha ultrapassado todos os limites que o meu irmão esperava da herdeira dos Capone, ainda mais agora, a um mês de um casamento contratual. Respirei fundo ao chegar ao segundo andar. Ajustei a barra da roupa, engoli em seco para segurar a tremedeira nas mãos e dobrei o corredor em direção ao quarto da minha mãe. Bati duas vezes na porta, suavemente, para não assustar. — Pode entrar — a voz baixa e cansada da minha mãe veio de dentro. Girei a maçaneta e entrei. O quarto estava à meia-luz. As cortinas de veludo pesado cobriam grande parte das janelas, deixando passar apenas os fiapos do sol de fim d
POV: Matteo Volkov O silêncio que se instalou na sala de estar após o Massimo pronunciar o nome da Sofia era denso o suficiente para ser cortado com uma faca. Os olhos verdes do Don continuavam fixos nela, frios, cortantes e absolutamente implacáveis. Eu vi o exato momento em que a cor sumiu do rosto da Sofia. Ela se endireitou no sofá num sobressalto, afastando-se de mim como se tivesse levado uma descarga elétrica, o corpo rígido pelo susto. Mantive a minha postura firme, ajeitando o paletó sobre os ombros e focando os meus olhos em qualquer ponto inútil da mesa de centro para não dar a ele a satisfação de me ver acuado. — Sofia, suba e vá ver como está a nossa mãe — Massimo ordenou, a voz saindo num sussurro baixo, porém carregada com o peso esmagador de uma ordem que não admitia contestação. Sofia não questionou. Ela engoliu em seco, assentiu levemente com a cabeça e se levantou do sofá sem pronunciar uma única palavra,
POV: Sofia Capone Depois que aquele jantar sufocante finalmente chegou ao fim e Jean-Luc se despediu, arrastei-me para o meu quarto com a sensação de estar carregando um peso insuportável no peito. Fechei a porta, girando a chave com cuidado, e me joguei na cama. Mesmo com o sobressalto de saber que o meu irmão e o francês haviam decidido que o casamento ocorreria dentro de um mês, fechei os olhos confiando plenamente que Matteo daria um jeito na minha situação. Ele tinha me prometido que eu era dele e que não permitiria que outro homem me tocasse, e a palavra de Matteo Volkov era algo em que eu apostaria a minha própria vida. No dia seguinte, acordei cedo com o som da notificação do celular. Peguei o aparelho na mesinha de cabeceira com o peito apertado. Era uma mensagem de Jean-Luc. Ele avisou que havia surgido um imprevisto nos negócios da holding e que não poderia vir se encontrar comigo pela manhã, pois precisaria passar o dia inteiro resolvendo pe
POV: Matteo Volkov Deixar aquele francês arrogante sozinho no meio do jardim foi uma demonstração de autocontrole que custou cada gota da minha paciência. O sangue ainda pulsava quente nas minhas têmporas enquanto eu empurrava as portas de vidro e voltava para o interior iluminado da mansão. O calor da sala de estar parecia abafado, carregado com o cheiro dos arranjos de flores e a tensão invisível que pairava sobre todos nós. Assim que dei alguns passos pelo saguão, avistei Adrian se aproximando. Ele vinha devagar, movimentando as rodas de sua cadeira com aquela precisão calculada, enquanto varria o ambiente com o olhar analítico de quem não perdia um único detalhe. Assim que me viu chegar da área externa, Adrian mudou ligeiramente a trajetória, vindo direto ao meu encontro em um canto mais reservado, perto de uma das colunas de mármore do corredor. — Você precisa se controlar, Matteo — disse Adrian em um tom de voz baixo
POV: Matteo Volkov O jantar tinha sido uma verdadeira sessão de tortura. Cada palavra, cada sorriso cínico e cada vez que aquele francês maldito, Jean-Luc, ousava tocar no braço ou na mão de Sofia, eu sentia o meu sangue ferver a ponto de entrar em ebulição. O ar na sala de jantar parecia rarefeito, pesado demais para quem respirava ódio e contensão. Quando finalmente os pratos foram retirados e a conversa fiada sobre a alta sociedade de Paris recomeçou, não suportei ficar mais um segundo naquele ambiente. Levantei-me da mesa sem dar satisfações a ninguém, ignorando o olhar de aviso que Massimo me lançou do outro lado, e caminhei a passos largos em direção às portas de vidro que davam para a área externa da mansão. O vento frio da noite bateu contra o meu rosto assim que pisei no gramado amplo do jardim principal. A umidade da noite italiana trazia o cheiro da terra molhada e das rosas brancas que decoravam os canteiros ao redor. Afastei-







