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3 - O convite

Author: Anuka
last update publish date: 2026-10-14 06:30:01

Enquanto comiam, Guilherme provocava o irmão com o sucedido, como só os irmãos sabem fazer.

-Então, resolveste mostrar os teus atributos à minha futura namorada. Eu sei que somos irmãos, mas há coisas que não se partilham.

-Só podes estar a brincar; se não fosse a tua capacidade de transformar situações normais em colossos constrangedores, a minha vida seria muito mais fácil.

-Bom, o plano é o seguinte: vou convidá-la para sair e tu ficas mais atrás a dar apoio moral. E, se eu estiver a ser "demasiado", tens o dever de me salvar.

- Espero que esta seja a última vez que me arrastas para estas brincadeiras. Eu tenho trabalho para fazer, projetos para aprovar e tu só me fazes desperdiçar tempo precioso.

- Prometo que te liberto assim que marcar o date.

Após terminarem de comer, Guilherme procurou por Rayane, mas foi informado que o turno dela tinha terminado e ela tinha ido para o seu segundo trabalho, iria regressar mais tarde para outro turno.

No horário do seu segundo turno no hotel, Rayane foi falar com o gerente, pois tinha sido colocada em cima da mesa a hipótese de passar a fazer o turno de nadadora-salvadora na piscina do hotel, o que finalmente lhe permitiria poupar tempo e dinheiro em deslocações e aumentaria um pouco a sua remuneração.

A conversa correu bem e Rayane iniciaria este sistema já na próxima semana, quando finalizasse o contrato da praia.

Quando regressou ao seu posto um rapaz aguardava no balcão, ele parecia familiar mas não se recordava de onde.

- Boa noite, já foi atendido?

- Olá, não preciso de atendimento, vim apenas apresentar-me, - estendendo a mão - o meu nome é Guilherme.

Rayane, num movimento céptico, estendeu a mão e respondeu de forma cordial.

— Prazer, Guilherme, eu sou a Rayane.

— O prazer é todo meu. Desculpa, Rayane, se posso parecer um pouco atrevido, mas já te tinha visto na praia e gostei bastante do teu estilo; acho que passas uma boa vibe. Então, resolvi arriscar e convidar-te para sair e beber um copo. Parece-te bem?

- Guilherme, agradeço a consideração e o teu bom gosto. Mas de momento eu não tenho tempo para saídas ou para namorar, nem para ficar. Espero que me entenda.

-Hum, mas ninguém falou em namoro; podemos apenas nos conhecer como amigos inicialmente e, se a coisa fluir, eu não me oporei a algo mais.

-É muito generoso da sua parte pensar dessa forma, mas eu não tenho interesse nem tempo para nenhum dos dois.

-Não há mesmo forma de te persuadir? Sabes, eu estava a pensar em levar-te a um restaurante muito bom e muito caro; não te irias arrepender.

-Acredito que sim, mas ainda assim eu vou passar; tenho a certeza de que o Guilherme encontra melhor companhia.

-Tens mesmo a certeza? Acredita que qualquer mulher iria pular de alegria com um convite destes; olha que eu não costumo pedir duas vezes.

-E, no entanto, já lhe estou dizendo pela quarta vez que passo, e não é por acenar dinheiro na minha cara que isso vai mudar.

Artur percebeu que estava na hora de intervir e dirigiu-se ao balcão. Rayane arregalou os olhos mas não disse nada.

Artur abraçou seu irmão pelos ombros, olhou para Rayane e sorriu.

- Peço desculpa pela insistência do meu irmão, eu sei que ele pode ser um pouco demais, então apresento as minhas desculpas.

- Tudo bem, sem problema - responde Rayane, com a voz trémula devido ao choque de falar com o deus grego e de descobrir que era irmão do moço que acabava de dar em cima dela.

Ambos saíram e Rayane ficou a assimilar tudo o que tinha sucedido.

Quando voltaram ao quarto, Artur arrumou as suas coisas e advertiu o irmão para que não causasse problemas no hotel.

— Volto amanhã para te levar para casa; neste momento não tenho mesmo mais tempo a perder, a reunião começa dentro de 40 minutos e ainda tenho de enfrentar o trânsito, que nem sei como está.

— Maninho, relaxa, eu vou portar-me bem — disse, piscando o olho com um olhar travesso.

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ARTUR

Artur estava quase a terminar a reunião e a sua atenção começava a dispersar: "então a nova paixoneta do meu irmão é aquela loira-morena linda; consigo compreender o sentimento e só espero que ele não faça asneira com ela. Já não tenho paciência para as asneiras dele."

Terminada a reunião, Artur cumprimentou todos os presentes e despediu-se, mas ficou mais um pouco a falar com o arquiteto e com a gestora de projeto.

— Espero conseguir apresentar as minhas ideias de forma clara e diligente — diz o arquiteto.

A gestora intervém: — Sim, e eu estou confiante de que consigo antecipar a entrega das madeiras até ao final do próximo mês.

— Excelente — Artur responde com o seu sorriso entusiasmante —, até à próxima reunião semanal.

Após chegar a casa, Artur desaba na cama e adormece sem jantar.

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