تسجيل الدخولAo chegar ao hotel, Artur orienta o irmão para que vá à frente fazer o check-in enquanto ele estaciona o carro e recolhe as malas. Decide usar a rampa para trazer a mala do irmão, que era grande e tinha rodas, enquanto para si trouxe apenas um saco desportivo. "Mas o que raio é que ele traz nesta mala que pesa tanto?", pensa arrastando a mala rampa acima; ao contornar a ombreira da porta para entrar no lobby, Rayane, que ia a sair, esbarra diretamente no seu peito.
Rayane sente uma parede dura à sua frente e os seus olhos fecham-se com a dor que lhe provoca no nariz; leva três segundos a recuperar e lentamente o seu rosto sobe e encara o homem mais lindo que já viu: traços masculinos perfeitos, olhos negros, cabelo estilo flow. Vestia uma camisa preta, com dois botões mais abertos do que o decoro permitia, e um fio de prata grosso com uma cruz dava-lhe um estilo de "feito para o pecado". O seu coração dispara sem pedir permissão e Rayane desculpa-se, dando dois passos atrás e fazendo uma pequena vénia. Artur dá um sorriso com um dos cantos da boca e diz: "Não tem problema, eu também ia distraído." Rayane volta a pedir desculpa e segue o seu caminho, recriminando-se mentalmente. Os olhos de Artur seguem-na até a perder de vista, enquanto acaricia o próprio peito com aquilo que parece um sentimento de perda. Já instalados no quarto, os irmãos fazem planos para meia hora de ginásio e mais vinte minutos divididos entre sauna e banho turco. Artur repara na forma como o irmão "escaneia" tudo à sua volta, quase como se estivesse à procura de alguém em particular. - É impressão minha ou tu andas à procura de alguém? Epá, não me digas que é um rabo de saia, que eu até me passo. - Oh, maninho, não sejas tão duro comigo; quando tu vires o piteuzinho do qual eu ando atrás, até te virão lágrimas aos olhos. - Sinceramente, eu devia ter desconfiado: tu não consegues mesmo segurá-lo dentro das calças, pois não? - recrimina. De repente, pára ao ver Rayane passar no corredor com uns papéis na mão e diz para o irmão: - É ela, aqui está, não é magnífica? E aqueles olhos verdes, ai, mano, estou apaixonado - diz, metendo a mão no peito para dar mais ênfase à declaração. - Pois sim, tu apaixonas-te todas as semanas. - Que posso fazer se o mundo está cheio de tanta beleza feminina? - Certo, mas devias ser mais comedido na tua atuação; o pai não está nada contente com o teu desempenho escolar. - Olha lá, tu não fazias o que querias na minha idade? Se bem me lembro desaparecias por dias e até hoje ninguém sabe o que fazias. - Pois, eu sei que a culpa é minha por muitos dos teus comportamentos, sempre fui adepto da adrenalina, mas chega uma altura em que é preciso crescer. Além disso, eu nunca deixei cadeiras para trás, nem trazia "namoradas" para casa. - Espero que não estejas à espera que eu seja um lobo celibatário como tu - e mostra-lhe a língua. Entram no quarto e Artur faz um gesto de que vai primeiro tomar banho. Guilherme diz que vai pedir comida. Ligando para a receção, pede umas iguarias para petiscar, mas frisa que deve ser a Rayane a trazer a comida, algo que a rececionista estranha, mas não discute. Guilherme repara que não sabe do seu telemóvel e, após procurar no quarto todo, decide ir até ao ginásio e ao SPA procurar. Sai à pressa, deixando a porta do quarto aberta. Rayane, ao chegar com a comida e sem entender ainda porque lhe foi pedido isso, b**e à porta; como ninguém responde e a porta está aberta, decide entrar com o carrinho. Enquanto o posiciona da forma mais correta dentro do quarto, Artur sai da casa de banho tal como veio ao mundo, apenas com a toalha na cabeça, esfregando o cabelo e dizendo: "Gui, viste onde eu deixei os meus boxers?". Ao retirar a toalha e olhar em frente, depara-se com Rayane a ajeitar a comida e olhando para si de olhos muito arregalados, o seu rosto ficou vermelho quase instantaneamente, embora fosse morena. Artur demorou dois segundos a entender a situação e a tapar as joias de família num movimento rápido, enquanto Rayane se voltava de costas muito rapidamente e, com as mãos na testa, diz numa voz esganiçada: "Eu não vi nada... pode ficar tranquilo, eu já vou sair." Sai quase a fugir, nem prestando muita atenção quando se cruza com Guilherme, e foge pelos corredores desenfreadamente com o coração aos pulos; nunca tinha visto um deus grego daqueles tal como veio ao mundo. O seu ar de quem não estava a entender nada, tal como ela, deixava-o mais fofo. Aquela imagem acompanhá-la-ia pelo resto do dia, ou talvez da semana, quem sabe até do mês. Guilherme entra no quarto e vê o irmão a segurar a toalha em frente aos seus documentos. — Guilherme, o que raio é que andas a inventar? — Nada, só pedi para nos trazerem comida e que fosse ela a trazer. — E tu foste para onde exatamente? — Esqueci-me do telemóvel no ginásio, fui lá buscá-lo. — E deixaste a porta aberta? — Ups, sorry. Artur leva a mão à cara de forma exasperada, não acreditando na displicência do irmão. — Mas ela viu... — não termina, pois é interrompido pelo irmão. — Nem abras mais essa boca, vou-me vestir e depois vamos comer em silêncio. Francamente, com quase 20 anos, já devias ter mais juízo. Guilherme levanta as mãos em sinal de rendição.ARTUR Estou dentro da universidade à espera que a Rayane chegue; ela teve a última aula e, pelo que me disse, adaptou-se bem à cadeira. Entretanto, já dei uma palavrinha com a pró-reitora, que por acaso era minha conhecida, e ela assegurou-me que a Rayane iria ter toda a assistência necessária nestas próximas semanas. Quando ela chega, eu abro a porta lateral e ela sobe com a cadeira. Realmente dá muito jeito toda esta tecnologia, tem sido mais fácil ajustar os meu horários de trabalho com as aulas de Rayane. Quando chegámos a casa, e Rayane pediu-me ajuda para ir à casa de banho; realmente deve ser complicado orientar-se sem um braço e uma perna. Pediu película aderente para tapar o gesso, pois queria tomar banho. Quando fui à cozinha, reparei que o Guilherme já estava a preparar o nosso jantar. — Vou só ajudar a Rayane a enfaixar a perna para tomar banho e já venho ajudar. — Não precisas, eu tenho tudo controlado. É melhor aproveitares e tomares um banho também, porque estás
RAYANEDe manhã, fui mancando até ao banheiro para me aprontar, porque Deus me livre de chamar Artur após a nossa briga de madrugada.Quando já estava lendo há uns 10 minutos ele bate na porta e eu falei para entrar.- Já estás vestida, ótimo. O pequeno almoço está pronto, temos que passar pelo teu trabalho e vamos buscar a cadeira para poderes ir às aulas. - Já posso frequentar essa tarde?- Se tudo correr bem, penso que sim.- Que boa notícia, vamos lá então. Estiquei os braços para ele, aí ele parou 2 segundos como se estivesse avaliando a situação e me pegou no colo, mas dessa vez eu senti muita diferença. Senti seu rosto virado, senti que me pegava com o mínimo de contato.Enquanto das outras vezes eu o sentia bem perto de mim, dessa vez ele criou distância. Aí eu entendi que ele estava magoado e evitando até contato visual, mesmo enquanto a gente comia. E nisso a porta se abre, e o furacão chamado Guilherme Santos entra na cozinha, ficando em modo estátua, de olhos arregalado
Rayane Então chegámos na casa dele, que por sinal nem é muito longe da Universidade. É uma casa geminada com um pequeno jardim na entrada. Ele saiu do carro, foi abrir a porta, daí voltou, abriu a minha porta e mais uma vez me pegou no colo. Enquanto me carregava para dentro como se eu não fosse nada, me olhou e falou. -Amanhã compro uma cadeira de rodas e umas canadianas para quando tiveres o braço melhor. Por enquanto, eu levo-te pela casa se for necessário. Também irei comprar os analgésicos da receita, mas se tiveres algumas dores durante a noite, diz-me, que eu tenho alguns em casa. - Tudo bem. - mas não tava tudo bem, meu coração batia descontrolado com a proximidade. Ele me levou para um quarto, me colocou na cama e voltou ao carro para pegar as sacolas. Depois, me ajudou a ir ao banheiro, onde tratei da minha higiene e me troquei. Quando o chamei para sair, ele já me esperava com uma bandeja e um prato quente de chili. Ele estava me dando a sua comida; certamente era
ARTUR Dirigi-me à caixa para pagar e sair dali o mais rápido possível. Se a encontrasse novamente, não sei se me conseguiria controlar. Porque é que eu fico tão irritado perto dela? Isto não pode ser normal. Arrumei as minhas coisas na bagageira e iniciei a marcha rumo a casa; quando subi a rampa, passei por uma lomba que me fez cair o telemóvel do suporte. No minuto em que me agachei para apanhar o telemóvel do chão, senti o carro bater em algo; travei bruscamente e o meu coração quase parou quando vi uma pessoa a rolar no chão. Ligo os quatro piscas, puxo o travão de mão e vou em auxílio da pessoa que acabei de atropelar, e o meu coração que tinha parado volta a bater descompassadamente quando vejo a Loira-morena em agonia no chão. Aproximo-me a medo. - Está tudo bem? Onde é que dói? — Você? Eu não acredito, você fez de propósito! — ela disse quando me viu, enquanto o seu semblante alternava entre raiva e dor. - Não, não, não, nem penses numa coisa dessas. Por muitas que
3 SEMANAS DEPOIS ARTUR Após a conclusão de mais uma reunião referente ao projeto do novo hotel, despedi-me do arquiteto e dei continuidade ao tratamento de algumas finalizações em conjunto com a gestora de projeto, a Liliana. -Eu sei que toda esta situação é um grande empecilho no desenvolvimento do projeto, mas é necessária. No entanto, eu posso apresentar várias opções para reduzir o impacto ambiental! Aliás, se me quiseres acompanhar até ao meu apartamento, lá terei à disposição um portfólio abrangente sobre eco-hotéis, onde poderemos retirar ideias viáveis para pôr em prática e, quem sabe, até criar uma solução inovadora. - Ótimo, então vamos fazer isso. Podes ir andando para a rua enquanto eu tiro o carro da garagem. Chegámos à casa de Liliana e fui surpreendido com 3 portfólios repletos de projectos de eco-hotéis, a maioria com ideias até bem interessantes, que poderiam ser aplicadas no nosso projeto. A minha ideia é inserir no ecossistema do hotel serviços que dispo
Após terem terminado a sua refeição e organizado todos os preparativos para o checkout, inclusive a expulsão das três convidadas de Guilherme, os irmãos dirigiram-se ao balcão de atendimento. Rayane, ao ver de longe os irmãos chegando, decidiu que estava na hora de fazer uma pausa para o banheiro. Artur percebe a sua retirada estratégica e murmura que isso não vai ficar assim.Quando terminavam toda a burocracia e o pagamento, Rayane sai com alguns documentos na mão e dirige-se para a rua. Artur segue-a instintivamente. Assim que Rayane coloca um pé fora do hotel, sente uma mão puxando o seu braço; pensando que era Guilherme, Rayane revira os olhos e volta-se para trás, e quando percebe que era Artur quem a segurava, a sua surpresa é genuína.- Mas o que é que você quer comigo? Pensei que já estavam indo embora.- Sim, estamos, mas eu pensei ter-lhe dito para ser um pouco mais simpática. Estou a ver que este hotel não forma bem os funcionários. - O quê? Você está de brincadeira, né?







