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5 - A despedida

Author: Anuka
last update publish date: 2026-10-14 06:30:14

Após terem terminado a sua refeição e organizado todos os preparativos para o checkout, inclusive a expulsão das três convidadas de Guilherme, os irmãos dirigiram-se ao balcão de atendimento.

Rayane, ao ver de longe os irmãos chegando, decidiu que estava na hora de fazer uma pausa para o banheiro. Artur percebe a sua retirada estratégica e murmura que isso não vai ficar assim.

Quando terminavam toda a burocracia e o pagamento, Rayane sai com alguns documentos na mão e dirige-se para a rua. Artur segue-a instintivamente. Assim que Rayane coloca um pé fora do hotel, sente uma mão puxando o seu braço; pensando que era Guilherme, Rayane revira os olhos e volta-se para trás, e quando percebe que era Artur quem a segurava, a sua surpresa é genuína.

- Mas o que é que você quer comigo? Pensei que já estavam indo embora.

- Sim, estamos, mas eu pensei ter-lhe dito para ser um pouco mais simpática. Estou a ver que este hotel não forma bem os funcionários.

- O quê? Você está de brincadeira, né? Porque não é possível. Meu senhor, eu aguentei as vossas investidas e sacanagens com muita maturidade. Em momento algum fui rude ou desrespeitosa, ao contrário de vocês.

- Nossas investidas? Minha querida, eu nunca tentei nada consigo, você não faz de todo o meu tipo.

- Obviamente, eu não sou do tipo desfrutável.

- Você não tem ideia da barbaridade que está a dizer.

- Pois bem, eu não entendi ainda qual é sua questão.

- Eu pedi-lhe para ser um pouco mais simpática com o meu irmão, não lhe pedi que aceitasse os sentimentos dele, apenas que o tratasse com um pouco mais de respeito.

- E eu não fiz isso? Em momento algum falei mal com ele, mesmo depois de toda a sua insistência.

- Você pode não aceitar os sentimentos dele, mas não precisa de o julgar ou tirar conclusões precipitadas.

- Mano a sério, está tudo bem, eu estou bem com isso - diz Guilherme com cara de espanto por ver o seu irmão tão alterado.

- Mas eu não estou, ela deveria aprender a respeitar as pessoas para quem está trabalhando, e aprender também a bater à porta.

- E o senhor devia aprender a fechar as portas, não andar pelado por aí e lhe faria bem sair só com uma garota de cada vez.

- O quê? Eu estava no meu quarto, já nem posso andar nú no meu quarto? E em relação às raparigas eu disse que aquilo não era o que parecia, aliás aquilo não era nada.

- É as "raparigas" deviam estar lá para rezar uma novena - e começa a rir depois de dar ênfase no termo raparigas.

Artur fecha os olhos após lembrar o que significa rapariga no Brasil. Oh céus como esta mulher o deixava fora de si.

Então Guilherme intervém - Artur eu não sei muito bem se esta discussão ainda é sobre mim, mas acho que já está na hora de irmos embora.

- É Artur, já está na hora de você ir cuidar da sua vida. - Rayane provoca.

- Ouve bem o que eu te digo, tu não passas de uma trabalhadora mediana, não és adequada a trabalhar num hotel desta estirpe, e só não faço queixa de ti porque o meu tempo é valioso, não o posso perder com coisas sem valor.

- É engraçado que o bonitinho não possa perder tempo e, no entanto, esteja aqui há cinco minutos fazendo eu perder o meu e o seu.

Artur dá um passo na direção de Rayane com os olhos a chispar de raiva e cerra os lábios como se estivesse prestes a regurgitar todo um novo conjunto de insultos, mas, após olhar para ela durante dez segundos, que a Rayane pareceram dez minutos, Artur volta as costas e vai embora. Entra no carro com o irmão e sai a queimar pneu.

Rayane solta a respiração que prendera quando Artur se aproximou, seu coração ainda b**e descompassadamente. Ela nem quer acreditar no que acabou de acontecer.

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GUILHERME

Estou no carro com o meu irmão e nem sei se é melhor falar com ele ou ficar calado; nunca o tinha visto tão exaltado. Ele normalmente é a calma em pessoa. Decido arriscar, pois, como diz o provérbio, "dos fracos não reza a história".

- Artur, o que é que foi aquilo? Podes-me explicar?

- Como assim? Não ouviste? Eu estava só a chamar-lhe a atenção para o seu comportamento.

- Pois mas o que eu não percebi foi, o que é que ela fez de mal.

- Então não viste?

- Bem, na verdade, não. É certo que ela não correspondeu às minhas investidas, mas até foi bastante paciente comigo. Gostava realmente de a ter conhecido a um nível mais íntimo, e ter passado uns bons momentos com ela, mas nunca pensaria em me impor a alguém. Eu sei que cometo muitos erros, mas tratar mal uma mulher não faz parte deles.

- A questão não é essa, é que ela devia ter sido mais amigável e compreensiva. E não devia ter tirado conclusões precipitadas.

- Conclusões precipitadas? Em relação a quê?

- Quando estavas a tomar banho, eu tentava expulsar as raparigas. Ela entrou no quarto com comida, precisamente no momento em que uma me abraçava. Ela tirou logo as suas conclusões e chamou-me de Playboy. Eu? Playboy? Achas isto normal?

Olhei para o meu irmão com os olhos arregalados e não consegui mais segurar; ri, ri bastante, mas ri tanto que a minha barriga chegou a doer.

- Isso é motivo para te rires dessa maneira? É a minha reputação que está em jogo.

Levanto as mãos em sinal de rendição: — Ok, chefe, se tu o dizes; continuo a achar que a tua reação foi desproporcional à situação.

O meu irmão não me respondeu mais e continuámos a viagem em silêncio.

Este meu irmão mais velho, sempre a cuidar de mim e preocupado com o trabalho e as minhas façanhas, precisa urgentemente de uma namorada. Nunca o vi com mulher nenhuma, então isso deve explicar a tensão sexual acumulada que lhe está a toldar o juízo.

Quando chegámos à casa da nossa família, eu fui para o meu quarto e o Artur para o seu quarto antigo; não voltámos a conversar nessa noite, acho que ele ainda está a pôr em ordem os seus sentimentos. Pergunto-me se devo aguardar um pouco antes de me atirar para a minha próxima aventura. Nah, acho que não teria piada.

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