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CAPÍTULO 5 — O PREÇO DO ARREPENDIMENTO

Penulis: Bel
last update Tanggal publikasi: 2026-10-22 01:24:27

Darian Voss não conseguiu dormir naquela noite.

A imagem de Aurelia atravessando o salão, cercada pelos empresários mais influentes de Vhaloren, continuava perseguindo seus pensamentos. A mulher que ele conhecera em um pequeno café, que preparava o jantar enquanto ele trabalhava até tarde e que comemorava suas pequenas conquistas, era a mesma herdeira cujo sobrenome fazia presidentes de empresas se levantarem de suas cadeiras.

E ele a havia abandonado.

Por dinheiro.

Às três da manhã, Darian finalmente pegou o celular e desbloqueou a conversa antiga com Aurelia. Leu as mensagens que haviam trocado durante os últimos meses, procurando algum sinal de que ela ainda o amava.

Encontrou apenas lembranças.

Uma fotografia dos dois em uma praia. Uma mensagem dela desejando boa sorte antes de uma entrevista. Um áudio em que Aurelia ria de uma piada sem graça que ele fizera.

Ele fechou os olhos.

— O que eu fiz? — murmurou.

Na manhã seguinte, decidiu procurá-la.

***

Às dez horas, Darian chegou à torre da Vaelmont Global.

O edifício tinha cinquenta e dois andares, fachadas espelhadas e uma entrada protegida por funcionários que pareciam saber exatamente quem merecia passar por aquelas portas.

Ele se aproximou da recepção.

— Tenho uma reunião com Aurelia Vaelmont.

A recepcionista consultou o sistema.

— O senhor tem horário marcado?

— Não, mas sou... sou uma pessoa próxima dela.

A mulher ergueu os olhos.

— Qual é a natureza da sua relação com a senhora Vaelmont?

Darian hesitou.

Até a noite anterior, teria respondido que era o namorado dela. Agora, a palavra parecia pertencer a outra vida.

— Nós fomos um casal.

A recepcionista fez uma breve ligação. Após alguns instantes, voltou a atenção para ele.

— A senhora Vaelmont não está disponível.

— Pode avisá-la de que Darian Voss está aqui? Ela vai me receber.

— O senhor Voss, a orientação da administração é que qualquer contato pessoal seja previamente agendado. Não temos autorização para abrir uma exceção.

Darian sentiu o rosto esquentar.

— Você não entende. Eu preciso falar com ela.

— Compreendo, senhor. Mas não posso ajudá-lo sem autorização.

Ele saiu do edifício sem conseguir sequer enviar uma mensagem.

No interior do elevador privativo, Aurelia recebeu um aviso de sua assistente.

— Darian Voss esteve na recepção — informou a mulher. — Solicitou uma reunião e insistiu que vocês tinham uma relação pessoal.

Aurelia continuou lendo o relatório financeiro diante dela.

— E o que você respondeu?

— Que ele precisaria agendar.

— Ótimo. Se insistir, siga o protocolo. Não quero privilégios nem perseguições. Apenas mantenha minha rotina profissional protegida.

A assistente assentiu.

— Deseja que eu bloqueie novas solicitações?

— Não. Se ele tiver algum assunto empresarial legítimo, poderá encaminhá-lo pelos canais adequados. Minha vida pessoal, entretanto, não está disponível para negociação.

Quando ficou sozinha, Aurelia olhou pela janela.

Darian estava arrependido. Isso era evidente.

Mas arrependimento não significava transformação. Às vezes, significava apenas que alguém finalmente descobrira o valor daquilo que perdera.

Ela não precisava decidir o que sentia por ele naquele instante.

Precisava apenas continuar vivendo.

***

No apartamento de Seraphine D'Auvray, o clima era muito diferente.

Ela caminhava de um lado para o outro, segurando o celular.

— Você foi até a empresa dela? — perguntou, incrédula.

Darian estava sentado no sofá.

— Eu precisava conversar.

— Conversar? Você percebe o que está fazendo? Se alguém descobrir que vocês tiveram um relacionamento, as pessoas vão pensar que você está tentando se aproveitar dela.

Ele ergueu a cabeça.

— Eu não estou tentando me aproveitar de ninguém.

Seraphine soltou uma risada curta.

— Você me disse que queria crescer, Darian. Que precisava estar ao lado de alguém capaz de abrir portas. Agora que descobriu quem Aurelia é, quer voltar para ela?

— Não é tão simples.

— É exatamente simples. Você me escolheu.

Ele ficou em silêncio.

Seraphine se aproximou e segurou seu rosto entre as mãos.

— Nós ainda podemos conseguir tudo o que planejamos. Você tem talento, e eu tenho contatos. Não jogue nosso futuro fora por causa de uma mulher que escondeu a própria identidade.

Darian afastou delicadamente as mãos dela.

— Ela não me pediu dinheiro. Nunca me pediu nada.

A frase pareceu incomodar Seraphine mais do que qualquer acusação.

— Então pare de falar dela.

Darian olhou para a janela.

Pela primeira vez, começou a desconfiar de que havia confundido ambição com felicidade.

***

Naquela tarde, Aurelia participou de uma reunião sobre a expansão internacional da Vaelmont Global. A pauta incluía uma possível parceria com a Dravere International, um conglomerado que vinha adquirindo participações estratégicas em setores de tecnologia, energia e infraestrutura.

O nome de seu presidente aparecia em todos os documentos.

Cassian Dravere.

Trinta e poucos anos, fortuna estimada em dezenas de bilhões e investimentos que cresciam a uma velocidade impressionante. Discreto, extremamente seletivo e conhecido por abandonar negociações quando percebia que a outra parte tentava manipulá-lo.

— A equipe dele solicitou uma reunião privada — explicou Lysandra Corveth. — Cassian Dravere estará em Vhaloren na próxima semana.

Aurelia examinou a proposta.

— Por que ele quer conversar pessoalmente?

— Segundo a equipe dele, acredita que nossa divisão tecnológica está subestimada pelo mercado.

Aurelia ergueu as sobrancelhas.

— Finalmente alguém leu os números antes de fazer uma oferta.

Lysandra sorriu.

— Dizem que ele é difícil de impressionar.

— Ótimo. Não pretendo impressioná-lo. Pretendo apresentar uma proposta sólida.

Ela assinou a autorização para a reunião.

Não sentia curiosidade romântica por um homem que ainda nem conhecera. Naquele momento, Cassian Dravere era apenas um possível parceiro de negócios.

Ainda assim, algo naquela negociação despertou seu interesse: pela primeira vez em muito tempo, uma oportunidade surgia sem que Aurelia precisasse provar seu valor a alguém que dizia amá-la.

***

Na mesma noite, em uma cobertura com vista para o mar, Cassian Dravere examinava o relatório enviado por sua equipe.

Parou na fotografia de Aurelia Vaelmont.

— Ela assumiu o conselho há poucos dias? — perguntou.

— Sim, senhor. E já revisou três operações importantes.

Cassian leu o resumo de suas decisões.

— Quem preparou esta análise?

— A própria senhora Vaelmont.

Ele voltou à primeira página.

— Marque a reunião. Quero ouvir a proposta diretamente dela.

O assistente anotou a ordem.

Cassian fechou a pasta, sem imaginar que aquela mulher se tornaria muito mais importante do que qualquer parceria comercial.

E Aurelia, ocupada reconstruindo a própria vida, tampouco imaginava que o homem que estava prestes a conhecer não tentaria comprar seu coração.

Ele simplesmente seria o primeiro a entender que ela nunca esteve à venda.

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