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CAPÍTULO 6 — UM ENCONTRO ENTRE IMPÉRIOS

작가: Bel
last update 게시일: 2026-10-22 15:16:25

Às dez horas da manhã de terça-feira, o último andar da Vaelmont Global estava preparado para receber um dos empresários mais enigmáticos do mercado internacional.

Aurelia Vaelmont examinava os documentos da negociação enquanto sua assistente organizava as pastas sobre a mesa.

— A equipe do senhor Dravere confirmou a chegada — informou ela. — Ele virá acompanhado apenas do diretor jurídico.

Aurelia não desviou os olhos do relatório.

— Gosto de pessoas que não precisam trazer uma plateia para se sentirem importantes.

— Dizem que ele é extremamente reservado.

— Então temos algo em comum.

Ela fechou a pasta e se levantou.

Naquela manhã, vestia um conjunto de alfaiataria cor de vinho, com os cabelos presos e joias discretas. Sua aparência era sofisticada, mas sua expressão deixava claro que aquela reunião não seria conduzida por charme ou intimidação.

Aurelia negociava com números, argumentos e resultados.

E não pretendia abrir uma exceção.

Às dez e cinco, as portas do elevador se abriram.

Cassian Dravere entrou na sala com passos tranquilos.

Era alto, tinha cabelos escuros cuidadosamente penteados e olhos de um cinza profundo, difíceis de interpretar. Usava um terno preto sem gravata e carregava uma pasta fina nas mãos. Sua presença não exigia atenção, mas parecia atraí-la naturalmente.

Aurelia já havia visto fotografias dele.

Nenhuma fazia justiça à serenidade daquele olhar.

— Senhora Vaelmont — cumprimentou ele, estendendo a mão. — Finalmente nos conhecemos.

Ela apertou sua mão com firmeza.

— Senhor Dravere. Espero que sua viagem tenha sido agradável.

— Foi. Embora eu suspeite que a parte mais interessante da minha visita esteja começando agora.

Aurelia sustentou o olhar dele.

— Nesse caso, espero que tenha estudado os relatórios.

Uma sombra de sorriso surgiu nos lábios de Cassian.

— Estudei todos.

— Ótimo. Assim podemos economizar tempo.

Eles se sentaram.

***

A negociação começou com números.

A Dravere International pretendia investir na expansão da divisão tecnológica da Vaelmont Global, oferecendo capital, infraestrutura internacional e acesso a mercados estratégicos. Em troca, solicitava uma participação minoritária e direitos específicos sobre futuras operações.

A proposta era generosa.

Também escondia algumas condições que Aurelia não pretendia aceitar.

— A cláusula dezessete concede à sua empresa poder de veto sobre determinadas decisões operacionais — observou ela. — Isso não é uma parceria. É uma tentativa de controle disfarçada de investimento.

O diretor jurídico de Cassian ajeitou os óculos.

— Trata-se de uma medida padrão para proteger nosso capital.

— E eu respeito a necessidade de proteção. Mas não entregarei a gestão da minha empresa em troca de financiamento.

Cassian examinou a cláusula.

— O que propõe?

Aurelia abriu uma página marcada.

— Limites de veto apenas para decisões que comprometam diretamente o capital investido, auditorias conjuntas e metas de desempenho definidas por ambas as partes. A gestão permanece com a Vaelmont Global.

O diretor jurídico começou a responder, mas Cassian ergueu discretamente a mão.

— Continue, senhora Vaelmont.

Durante os vinte minutos seguintes, Aurelia apresentou projeções, riscos e oportunidades. Explicou por que a expansão deveria começar em três mercados específicos e demonstrou que a estratégia original da Dravere International subestimava o potencial de crescimento de uma tecnologia desenvolvida pela equipe Vaelmont.

Cassian ouviu sem interrompê-la.

Quando ela terminou, ele fechou a pasta.

— Sua análise está correta.

O diretor jurídico virou-se para ele, surpreso.

— Senhor Dravere, ainda precisamos avaliar—

— Vamos avaliar. Mas não precisamos fingir que os números dizem outra coisa.

Cassian voltou-se para Aurelia.

— Aceitaremos a revisão da cláusula dezessete. Quero uma parceria que produza resultados, não uma disputa permanente por controle.

Ela estudou o rosto dele.

Estava acostumada a homens que confundiam discordância com desrespeito e poder com autoridade absoluta. Cassian acabara de admitir que sua proposta inicial precisava ser modificada, sem tentar diminuir a pessoa que apontara o problema.

Era raro.

— Nesse caso, acredito que podemos construir algo interessante — respondeu ela.

— Também acredito.

A reunião terminou com a autorização para que as equipes jurídicas preparassem a versão revisada do contrato.

Quando o diretor jurídico saiu para atender uma ligação, Cassian permaneceu alguns instantes diante da janela.

— Posso lhe fazer uma pergunta que não está relacionada à negociação?

Aurelia fechou a pasta.

— Depende da pergunta.

— Por que decidiu voltar ao conselho justamente agora?

Ela ficou imóvel por um breve instante.

— Porque chegou o momento de voltar.

Cassian percebeu que aquela resposta encerrava o assunto.

Não insistiu.

— Uma razão suficiente.

Aurelia ergueu ligeiramente as sobrancelhas.

— Não vai perguntar mais nada?

— Se quisesse contar, teria contado.

Ela não conseguiu evitar um pequeno sorriso.

— O senhor é sempre tão cuidadoso com a privacidade alheia?

— Apenas quando espero que respeitem a minha.

Pela primeira vez naquela manhã, Aurelia riu.

Foi uma risada breve, mas verdadeira.

Cassian pareceu guardar aquele som na memória, embora não fizesse nenhum comentário.

Ao se despedirem, ele segurou a porta para que ela passasse.

— Espero que esta seja a primeira de muitas reuniões produtivas.

— Desde que suas próximas propostas venham sem cláusulas de controle disfarçadas.

— Prometo tentar impressioná-la com números melhores.

— É um começo.

Ele sorriu.

Aurelia voltou para sua sala com a sensação incomum de ter encontrado alguém que não exigia nada além de uma conversa honesta.

Não era amor.

Nem sequer era atração suficiente para justificar qualquer expectativa.

Era apenas curiosidade.

E, depois dos últimos meses, a curiosidade já parecia uma forma agradável de recomeçar.

***

Do outro lado da cidade, Darian enfrentava uma realidade menos agradável.

Sua empresa precisava de novos investidores, e dois contatos que Seraphine prometera apresentar haviam cancelado os encontros.

— Eles disseram que estão ocupados — explicou ela, evitando olhar diretamente para ele.

— Os dois, no mesmo dia?

— Empresas têm prioridades, Darian.

Ele respirou fundo.

— Você disse que sua família tinha relações com esses investidores.

Seraphine pousou a taça sobre a mesa.

— E tem. Mas isso não significa que todos farão o que eu quero.

Darian percebeu a irritação em sua voz, mas decidiu não discutir.

Seu celular vibrou com uma notícia empresarial. A manchete anunciava o avanço das negociações entre a Vaelmont Global e a Dravere International.

A fotografia mostrava Aurelia entrando no edifício ao lado de Cassian Dravere.

Darian ampliou a imagem.

Os dois não estavam se tocando. Não havia intimidade aparente. Ainda assim, a tranquilidade com que caminhavam lado a lado despertou nele um desconforto que não conseguiu explicar.

— O que está olhando? — perguntou Seraphine.

Ele bloqueou a tela.

— Nada.

Mas era mentira.

Pela primeira vez, Darian percebeu que Aurelia estava construindo uma vida na qual ele não tinha lugar.

E, enquanto ele tentava entender o tamanho de sua perda, Cassian Dravere começava a descobrir que a herdeira Vaelmont era muito mais interessante do que qualquer relatório poderia revelar.

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