LOGINEmir chegou ao palácio no meio da tarde.Assim que passou pela porta, encontrou Yasmim e Amim esperando por ele, os dois lado a lado, cada um com a mala ao lado do corpo. Naquele momento, nem pareciam os mesmos irmãos que viviam trocando farpas. Bem, aquilo também havia sido em outros tempos.Os mais velhos ainda estavam no colégio ou em alguma atividade extracurricular, e os dois pareciam ter passado boa parte da tarde esperando apenas por ele.Quando o viram, sorriram.Emir parou.— Por Alá... O que Maya vai dizer? Eu precisava tirar uma foto disso.Antes que os filhos percebessem, tirou o celular do bolso e fotografou os dois daquele jeito, lado a lado, com as malas prontas. Em seguida, encaminhou a foto para Maya.Acrescentou apenas um emoji de olhos arregalados.Guardou o celular rapidamente.— Então, vamos?Os dois pegaram as malas.Pouco depois, os três atravessavam a cidade. Emir havia dispensado o motorista e preferira dirigir. Apenas providenciara dois seguranças para reforç
Alguns dias se passaram.Samir estava atolado de trabalho. Além dos compromissos habituais, havia questões que exigiam sua presença fora de Dubai, e Emir, percebendo o quanto o filho estava sobrecarregado, ofereceu-se para assumir uma das viagens em seu lugar.Naquela noite, durante o jantar, Emir decidiu avisar aos filhos.— Precisarei viajar daqui a dois dias. Ficarei fora por alguns dias.Alguns levantaram os olhos, mas ninguém pareceu particularmente preocupado. Estavam acostumados com as viagens do pai e logo voltaram a conversar.Yasmim, porém, ficou um pouco cabisbaixa.Emir percebeu, mas não disse nada naquele momento.Depois do jantar, encontrou-a na sala. Yasmim estava sentada no sofá, mexendo distraidamente no celular. Quando o viu, deixou o aparelho de lado.— Quando o senhor vai?— Daqui a dois dias.Ela assentiu devagar.— Ficarei sozinha com os meninos.Emir a observou por alguns instantes.Até pouco tempo atrás, aquela frase não faria sentido. Haveria sempre uma das es
Latifa continuou olhando para o documento diante dela. As lágrimas caíam sobre o papel enquanto sua mão tremia ao redor da caneta.A caneta escapou de seus dedos e caiu sobre a mesa. Permaneceu olhando para o próprio nome no documento, como se ainda esperasse que aquilo pudesse ser desfeito. De repente, levantou-se e se agarrou à túnica de Emir.— Emir, por favor...Ele baixou os olhos para as mãos dela presas à sua roupa.— Faça suas malas. Vou pedir que a levem ao aeroporto. Não quero mais ter que olhar para você. E não pense que isso significa que tudo acabou aqui. Se um dia essas fotos vierem a público, você conhece as regras e sabe quais serão as consequências.Latifa empalideceu.— Emir, por favor. Nós nem falamos com os nossos filhos.— Eu vou fazer isso. Eles irão compreender.— Você vai contar a eles? — Ela o encarou, aterrorizada com a possibilidade.Emir franziu o cenho.— Por que o espanto? Devia ter pensado nisso antes.Ele retirou as mãos dela de sua túnica, pegou a past
Ainda de camisola, Latifa levantou-se e abriu a porta.O Emir estava parado do lado de fora.— O que foi?— Arrume-se.Latifa franziu o cenho.— Mas...— Vinte minutos.— Onde vamos?— Apenas se arrume e desça.Emir se virou sem sequer olhar novamente para ela.Vinte minutos depois, quando Latifa desceu, estranhou imediatamente o silêncio. A casa parecia vazia. Não viu os filhos nem os empregados e desceu os últimos degraus mais devagar.Alguma coisa estava errada.Caminhou pelo corredor até a sala do Emir e bateu à porta.— Entre.Latifa abriu.Deu apenas alguns passos antes de parar.Sobre a mesa havia uma arma. Ao redor dela, várias fotografias estavam espalhadas.Latifa perdeu a cor.O Emir permanecia atrás da mesa, imóvel. Seus olhos estavam frios, mas havia uma fúria contida neles que ela nunca vira daquela maneira.Latifa reconheceu uma das fotografias.Virou-se imediatamente para a porta.Não conseguiu alcançá-la.Emir agarrou seu braço e a puxou de volta. Latifa se desequilib
Maya permaneceu olhando para ele depois daquelas palavras. O Emir ainda a mantinha perto, esperando talvez que ela o repreendesse ou exigisse que voltassem imediatamente para o salão.Mas ela não fez nenhuma das duas coisas.Seus olhos percorreram o rosto dele por alguns segundos. Então Maya segurou a túnica do Emir com as duas mãos e o puxou para si.Dessa vez, foi ela quem o beijou.O Emir foi pego de surpresa. Por um instante, permaneceu imóvel, até os braços envolverem Maya e a trazerem ainda mais para junto de si. Os corpos ficaram colados enquanto ele correspondia ao beijo.Quando Maya deixou seus lábios, não se afastou. Permaneceu de olhos fechados, respirando profundamente, os lábios ainda entreabertos e a cabeça encostada ao peito dele. Seu rosto roçou o pescoço e o queixo do Emir, que sorriu, mantendo-a presa entre os braços.Dentro do salão, ninguém percebeu a ausência dos dois. Os convidados estavam entretidos com a comida, as bebidas, os noivos e as conversas. Ali e Hana
Pouco depois, Samir e Ada chegaram. Não havia qualquer aparato exagerado ao redor deles. Samir cumprimentou os familiares de Ali e de Hana como convidados comuns, e Ada logo se aproximou de Maya e Amine.A conversa já começava a preencher o salão quando outro carro parou do lado de fora.O Emir chegou.Assim que entrou, seus olhos percorreram o ambiente. Viu a mesa longa, as flores, as crianças correndo entre os adultos e Ali vindo em sua direção.Mas viu Maya antes que Ali o alcançasse.Ela também o viu.Maya usava um vestido bordado em tons de rosa. A maquiagem simples e elegante apenas destacava seus olhos grandes, que naquele instante estavam fixos nele.Por um breve momento, nenhum dos dois desviou. Então Maya pareceu perceber que estava olhando por tempo demais e virou o rosto rapidamente.O Emir sorriu.Ali chegou até ele.— Senhor, fico muito feliz que tenha vindo.— Eu disse que viria.O Emir o cumprimentou e, em seguida, fez questão de conhecer os familiares dele. Cumpriment







