เข้าสู่ระบบA morte repentina do patriarca da família Vance deveria ser o fim do pesadelo de Beatriz. Em vez disso, tornou-se sua condenação. Para salvar a reputação da família e ter acesso à sua parte da herança, a leitura do testamento impõe uma condição cruel: ela precisará morar na mesma mansão e coadministrar o império familiar durante um ano inteiro ao lado de Cassius — o enteado frio, implacável e o homem que ela prometeu nunca mais olhar nos olhos. Anos atrás, um segredo devastador destruiu o companheirismo que existia entre eles, transformando respeito em um ódio visceral. Agora, trancados sob o mesmo teto, a convivência se torna um jogo perigoso de dominação, provocações e uma atração proibida que recusa a morrer. Mas o falecido patriarca não deixou apenas um império. Ele deixou uma cláusula oculta de vingança. E enquanto tentam não se destruir na privacidade de suas noites, Beatriz e Cassius descobrirão que o maior perigo não é o passado que tentam esconder — é a verdade mortal por trás daquele testamento. 365 dias. Uma mansão. Um segredo que pode ruir tudo.
ดูเพิ่มเติมCapítulo 1
Durante todos os meus vinte e seis anos, jamais imaginei que viveria o dia em que enterraria meu marido. A chuva torrencial caindo sobre os vitrais da imponente Mansão Vance parecia chorar a morte de Augusto, mas, dentro de mim, tudo o que eu sentia era um vazio anestésico e um desejo desesperado de fuga. O cheiro sufocante de lírios brancos empesteava o ar dos corredores. Segurei o tecido negro do meu vestido com as mãos trêmulas enquanto caminhava sobre o mármore frio, tentando convencer a mim mesma de que aquilo duraria poucas horas. Eu assinaria os documentos da partilha, pegaria o que me cabia por direito para recomeçar minha vida bem longe dali e nunca mais pisaria naquela casa. Parei diante da pesada porta de madeira entalhada do escritório principal. Precisava de um segundo para buscar ar, mas, antes mesmo que minha mão tocasse a maçaneta, a porta se abriu. O ar fugiu completamente dos meus pulmões. Ele estava saindo. Cassius travou no mesmo instante, a poucos centímetros de mim. O tempo o havia tornado ainda mais avassalador. Ele era inegavelmente atraente, com uma masculinidade marcada e madura aos seus trinta e poucos anos. Havia traços do meu falecido marido na estrutura alta e altiva de seu corpo, mas as semelhanças paravam por aí. As feições de Cassius eram finas, marcadas e sombrias — traços herdados inteiramente de sua falecida mãe, a primeira esposa de Augusto. Não havia uma única gota do meu sangue correndo em suas veias, e essa certeza absoluta só tornava a aura ao seu redor mais perigosa. Seus olhos escuros percorreram o meu rosto, descendo pelo meu pescoço até o vestido preto, sem pudor algum. O olhar de Cassius transbordava um ressentimento puro, uma mágoa antiga que nem os anos, nem a morte de seu pai foram capazes de apagar. E, para meu próprio martírio, debaixo de toda aquela camada de ódio, uma tensão magnética e proibida estalava entre nós. A mesma atração obscura que costumava nos consumir no passado, antes de tudo ruir. — A viúva finalmente resolveu dar as caras — a voz dele ecoou, grave e rasgada pela ironia, fazendo os pelos do meu braço se arrepiarem. — Veio garantir que o teto da casa não caia antes de pegar o seu dinheiro, Beatriz? Meu coração martelava contra as costelas. Senti minhas bochechas esquentarem, não apenas de raiva, mas pela proximidade física sufocante. — Estou aqui apenas para resolver o que Augusto deixou pendente, Cassius — respondi, mantendo o queixo erguido a custo, recusando-me a demonstrar o quanto a presença dele me desestabilizava. — Não tenho nenhum interesse em bater boca com você hoje. Ele deu um passo lento em minha direção, reduzindo o pouco espaço que nos separava. O perfume amadeirado dele invadiu meus sentidos, trazendo à tona memórias que eu havia passado anos tentando enterrar. — Uma pena — ele sussurrou, inclinando-se ligeiramente. Os olhos dele cravaram nos meus lábios por um segundo torturante antes de voltarem para os meus olhos. — Porque eu passei os últimos anos esperando por esse momento. E tenho muitas contas para acertar com você. O calor do corpo dele e a ameaça implícita na sua voz me deixaram paralisada. Eu queria recuar, mas meus pés pareciam colados ao chão. Do interior da sala, o som de papéis sendo manuseados e uma pigarreada baixa finalmente romperam o transe. — Beatriz? Cassius? Entrem, por favor. Já podemos dar início. A voz cansada do Dr. Haroldo veio do fundo do escritório. Olhei por cima do ombro de Cassius e vi o idoso e respeitado advogado da família sentado atrás da grande mesa de mogno, ajustando os óculos enquanto nos observava com um olhar solene. Cassius sustentou meu olhar por mais um segundo, um sorriso amargo de canto de boca surgindo em seu rosto, antes de se afastar e dar passagem para que eu entrasse. Senti minhas pernas bambas enquanto cruzava a soleira daquele cômodo, tentando disfarçar o tremor nas mãos. Ajeitei-me em uma das poltronas de couro em frente à mesa. Cassius recusou-se a sentar; caminhou até o bar no canto da sala, serviu-se de um copo de uísque e permaneceu de pé, encostado na mesa lateral, mantendo sua postura dominante e vigilante sobre mim. — Agradeço a presença de ambos — começou Dr. Haroldo, desdobrando as folhas de papel timbrado sobre a mesa. — Sei que é um dia difícil, mas Augusto foi extremamente categórico sobre a urgência da leitura deste testamento. Ele deixou diretrizes muito claras para a sucessão e o controle do Grupo Vance. O advogado fez uma pausa dramática, olhando de mim para Cassius. — Todos os bens, ações e propriedades permanecerão bloqueados sob a custódia do fundo familiar, a menos que uma cláusula específica seja cumprida rigorosamente por vocês dois. — Vá direto ao ponto, Haroldo — exigiu Cassius, a voz gélida, girando o copo de uísque entre os dedos. — A condição é impreterível — continuou o advogado, lendo o documento. — Beatriz Vance e Cassius Vance deverão coadministrar a empresa principal como sócios igualitários e residir juntos na Mansão Vance pelo período ininterrupto de 365 dias. Caso haja abandono do teto conjugal, pedido de demissão ou qualquer escândalo público que afete a reputação da família durante este ano, a totalidade da herança será doada para instituições de caridade e a empresa entrará em liquidação judicial. — O quê?! — A palavra saiu da minha boca como um tiro. O ar fugiu dos meus pulmões e senti o sangue sumir do meu rosto. — Isso é uma loucura! Eu não posso morar aqui! Com ele?! Cassius soltou uma risada sombria e sem humor, embora seus olhos permanecessem frios como o gelo. — O velho realmente sabia como me torturar, mesmo depois de morto — ele murmurou, cruzando os braços e me encarando com pura provocação. — O que foi, Beatriz? Tem medo de não aguentar passar um ano debaixo do mesmo teto comigo sem sucumbir? — Eu prefiro abrir mão de cada centavo a ter que viver com você sob o mesmo teto! — declarei, levantando-me num impulso, o peito subindo e descendo com força enquanto a raiva tomava conta de mim. — Receio que as coisas não sejam tão simples, Sra. Vance — interveio o Dr. Haroldo, a voz ficando ainda mais grave, chamando nossa atenção. O advogado abriu a gaveta principal da mesa e retirou um envelope pardo, espesso e lacrado com cera vermelha. Ele o colocou delicadamente sobre a madeira, exatamente entre mim e Cassius. — Seu falecido marido deixou este envelope sob minha custódia pessoal com instruções estritas — explicou Haroldo, mantendo o olhar sério sobre nós dois. — Ele deve permanecer selado. Será entregue a vocês apenas se cumprirem integralmente os 365 dias de convivência e gestão. O advogado fez uma pausa que fez meu coração disparar dolorosamente no peito. — No entanto, caso qualquer um dos dois quebre o acordo, renuncie ou tente anular a cláusula na justiça... este envelope será entregue imediatamente às autoridades policiais. Augusto deixou registrado que seu conteúdo revela a verdade absoluta sobre a noite do acidente. O silêncio no escritório tornou-se sufocante. O barulho da chuva lá fora parecia distante. Olhei para o envelope sobre a mesa e, em seguida, travei meus olhos em Cassius. O deboche no rosto dele havia desaparecido por completo. A cor sumiu de suas bochechas e sua postura ficou rigidamente mortal. O passado não estava morto. Ele voltou para cobrar sua dívida.O silêncio que se instalou no corredor era tão denso que quase dava para ouvir o som das nossas respirações cortando a penumbra.No segundo em que os olhos de Amanda se cravaram nos meus, a rigidez do corpo dela pareceu se desfazer em um sobressalto quase imperceptível. O olhar sério e a postura firme que ela mantinha até um segundo atrás evaporaram, dando lugar, em uma fração de segundo, ao mesmo sorriso suave, doce e acolhedor de sempre. Uma transição tão rápida e perfeita que me causou um arrepio incômodo na espinha.— Beatriz! — ela exclamou, a voz subindo um tom, cheia de uma cordialidade quase exagerada enquanto dava dois passos na minha direção. — Meu Deus, você chegou! Eu não ouvi o barulho do carro na garagem...Parei a poucos metros de distância, mantendo a minha mala pequena presa em uma das mãos e o corpo em alerta total.— Desculpe interromper — falei devagar, a minha voz saindo fria, contida. — A porta da frente estava destravada, então só subi.— Imagina, você não inter
A brisa gelada da montanha continuava a soprar entre as alamedas do cemitério, mas o frio já não parecia mais tão insuportável. A presença do meu tio, a firmeza da sua mão segurando a minha e o calor daquele abraço tinham conseguido, ao menos por alguns instantes, estancar o sangramento da minha alma. — Você precisa ir agora, não é, minha estrela? — Henrique perguntou, a voz suave quebrando o silêncio da manhã. Ele olhou para o Porsche parado no acostamento da estrada e depois voltou os olhos para mim, cheios de uma preocupação paternal. — Eu preciso, tio — engoli a saliva seca na garganta, sentindo o peso da realidade voltar a esmagar o meu peito. — O advogado da família disse que se eu quebrar as regras da partilha ou sumir antes dos três dias, eles acionam uma cláusula de escândalo. A imprensa vai revirar o acidente de cinco anos atrás, os jornais vão pisar na memória do papai e a holding pode até intervir no tratamento que mantém a minha mãe viva. Eu não posso deixar isso acont
O ar prendeu no fundo da minha garganta, tão gélido que parecia rasgar as paredes do meu peito como uma lâmina. Meus pés, antes travados sobre o paralelepípedo úmido do cemitério, moveram-se em um impulso involuntário, quase mecânico. Dobrei os joelhos com hesitação extrema, sentindo a sola das minhas botas estalar fraco contra as folhas secas e o cascalho espalhados pela alameda. Cada passo que eu dava era lento, desconfiado, acompanhado pelo som ensurdecedor do meu próprio coração batendo desordenado contra as minhas costelas. Quem era aquele homem? O que ele fazia ali, de pé diante da lápide do meu pai, em uma manhã cinzenta e morta de quinta-feira, no meio do nada? A figura alta deu um pequeno passo de lado, ajustando a gola do sobretudo escuro que parecia pesado demais para o corpo. O vento frio da montanha soprou mais forte pela encosta, balançando os ramos dos lírios brancos colocados com cuidado sobre a pedra fria de mármore. Ninguém visitava aquele jazigo. Ninguém além de
A mensagem de Amanda continuava queimando na tela do painel do carro, brilhando como uma acusação pública no meio da penumbra da cabine."Eu descobri tudo."As minhas mãos travaram no volante com tanta força que senti as articulações dos dedos estalarem. O ar sumiu do meu peito de uma vez só, substituído por um pânico violento e descontrolado que fez a minha visão turvar. As curvas da serra começaram a borrar diante dos meus olhos enquanto o Porsche continuava em movimento automático pela estrada molhada.Meu Deus. Ela sabe.A minha cabeça virou um turbilhão caótico de pensamentos. A imagem da minha mãe no quarto de cima, olhando para mim com aquele desgosto gélido, veio de encontro à minha mente como uma lâmina. Eu era um veneno. Uma força destrutiva na vida de qualquer pessoa que cometesse o erro de se aproximar de mim. Destruí a saúde da minha mãe, matei o meu pai de desgosto, arruinei a juventude de Cassius... e agora, como uma praga, eu estava destruindo a vida de uma mulher inoc


















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