Tereza se apressou para interromper a fúria prestes a explodir de Almir.— Não, doutor, não é isso que queremos dizer. Cinco milhões apenas, vamos reunir logo e entregar ao senhor. Só pedimos que cumpra sua palavra e mantenha segredo.Ele respondeu com um sorriso satisfeito:— Fiquem tranquilos. Eu sempre cumpro o que prometo. Contanto que o dinheiro chegue, tudo se resolve. Mas espero que façam o depósito rapidamente; não gosto de enrolação.Tereza respondeu rápido:— Sem problema, doutor. Vamos providenciar o quanto antes.Após o doutor ir embora, Almir ficou com o rosto sombrio, parecia que uma tempestade ia se formar ali mesmo.— Mana, esse velho é um verdadeiro ganancioso! Cinco milhões... é quase uma extorsão!Tereza suspirou:— Tudo bem, dinheiro é passageiro. Contanto que consigamos sair vivos, vale a pena pagar. O mais importante agora é garantir que Olavo fique calmo, sem mais suspeitas.Almir perguntou, preocupado:— Como acalmar ele? Já está desconfiado, não vai ser tão fác
O rosto de Tereza ficou sombrio. Mordia os lábios com força, o olhar hesitante, angustiado.De um lado, não queria abrir mão da riqueza e do poder que já estavam ao seu alcance. Do outro, as palavras do Dr. Antônio a enchiam de medo.Sabia que, se tudo fosse descoberto, o que os esperava seria um abismo sem volta.Dr. Antônio disse com ironia:— Não aceita perder? E de que adianta isso? Querem continuar arriscando? Acham mesmo que Olavo é um idiota e nunca vai perceber? Ele já está desconfiado. Se não pararem agora, cedo ou tarde ele vai descobrir tudo!— Mas...Almir tentou argumentar, mas foi cortado na hora.A voz do Dr. Antônio soou firme:— Não existe ‘mas’! Parem imediatamente de aumentar a dose. Tentem manter Olavo sob controle e recuem o quanto antes. É a única saída. Caso contrário, ninguém poderá salvar vocês!O corpo de Tereza tremeu. Sabia que o médico tinha razão.Seguir arriscando só os levaria ainda mais fundo no perigo.Depois de pensar muito, assentiu devagar, por fim:
— Mana, do que você ainda está com medo? Vai esperar Olavo descobrir a verdade e nos mandar direto para a cadeia?A voz de Almir veio carregada de irritação.— Eu...Tereza se engasgou. Não queria ser presa, mas também não tinha coragem para arriscar tanto.A voz de Almir soou firme, sem deixar espaço para dúvidas:— Mana, me escuta. Aumenta a dose. Essa é a única saída!No momento em que Tereza hesitava, uma voz mais velha surgiu de repente na ligação.Dr. Antônio falou com raiva, interrompendo Almir:— Aumentar a dose? Vocês enlouqueceram?!Tereza perguntou, surpresa:— Doutor? Você também está na linha?A voz do Dr. Antônio estava fria e severa:— Eu ouvi tudo. Aviso vocês: não façam nenhuma besteira. Aumentar a dose só vai acelerar a morte do Olavo. E quando isso acontecer, ninguém vai conseguir se safar!Almir respondeu, aflito:— Então diga o que devemos fazer! Ele já começou a desconfiar de nós. Não dá para ficarmos de braços cruzados!Dr. Antônio respondeu, impaciente:— Eu já
Ela jogou o celular no chão de repente, fazendo um estrondo alto.A tela do celular rachou na hora, os cacos se espalhando pelo chão.— Maldito Olavo! Como ousa duvidar de mim?!Tereza tremia de raiva, sentindo a fúria borbulhar por dentro.Não esperava que Olavo se tornasse tão complicado, de repente tão desconfiado.Sempre achou que ele a obedecia em tudo, amava profundamente e nunca duvidaria dela.Mas agora, a atitude dele já tinha mudado visivelmente.Se realmente descobrisse algo, tudo o que havia feito até então seria em vão.Não! Não podia deixar isso acontecer!Respirou fundo, tentando se acalmar. Pegou outro celular e ligou para Almir.A voz dele soou ansiosa do outro lado da linha:— Mana, e aí, alguma novidade? Alguma reação do Olavo?Tereza respondeu, nervosa e desespera:— Deu problema! Olavo começou a desconfiar de mim. Acabou de ligar, questionando sobre os remédios e pedindo todas as informações do médico!A voz de Almir ficou tensa:— O quê? Ele desconfiou de você? Co
— O Dr. Antônio é, claro, um médico profissional!A voz de Tereza subiu repentinamente, cheia de nervosismo.— Amor, não pense besteira. O Dr. Antônio foi recomendado por um amigo que conheço, ele é especialista em doenças mentais. Eu só quis o seu bem, te levar até ele. Como você pode duvidar de alguém assim?Olavo repetiu, num tom gélido:— Para o meu bem? Ou para o seu?— Olavo!A voz de Tereza finalmente se tornou aguda, quase gritando.— Como pode falar isso? Você não sabe o quanto fiz por você? Já esqueceu tudo? Agora que sua saúde melhorou um pouco, começa a duvidar de mim, e me questionar... é assim que me trata?A voz de Tereza tinha um tom choroso, carregada de mágoa.Se fosse antes, Olavo sentiria pena, se arrependeria e pediria desculpas de imediato.Mas agora, tudo o que sentia era uma mistura de entorpecimento e desconfiança.— Tereza, não estou duvidando de você. Só quero a verdade.A voz de Olavo permaneceu calma, sem emoção.— Se você se importa de verdade, me diga os
O próximo ato do drama estava prestes a começar.Depois que Marcos saiu, Olavo ficou sozinho no escritório, com expressão instável e olhar sombrio.Pegou o celular e ligou para Tereza.O telefone tocou algumas vezes antes de ser atendido.— Amor, o que houve? Já terminou o trabalho? — A voz suave de Tereza soou no aparelho, carinhosa e atenciosa como sempre.Olavo respirou fundo, tentando manter a calma e perguntou sem rodeios:— Tereza, esses remédios que tenho tomado... que remédios são exatamente? Pode me dizer?Do outro lado, Tereza fez uma pausa, talvez surpresa com a pergunta repentina.— Por que pergunta isso agora? O médico não explicou? São remédios para aliviar ansiedade e depressão.A voz ainda era suave, mas soava forçada, nada natural.Olavo perguntou, a voz carregava uma ponta de cobrança:— O médico só disse que alivia ansiedade e depressão, mas não contou o nome exato nem os componentes. Tereza, ainda existe algo entre nós que você não me diz?Tereza ficou em silêncio p