LOGINEram 20h quando Gustavo e eu chegamos no Bistrô Restaurante, o local estava carregado com o perfume caro de gardênias e o tilintar polido de talheres de prata. Para quem olhasse de fora, Gustavo e eu formavamos o retrato absoluto do sucesso: eu, com uma elegância e resiliência; ele, com o porte de um homem que dominava os negócios. Enquanto o garçom se afastava, o silêncio entre nós dois se tornava o terceiro convidado da mesa. Eu sentia o peso do sobrenome "Veloso" como um fardo que eu carregava e estava louca para me livrar.
O restaurante estava vazio nessa noite, poucas mesas estavam ocupadas, eu desconfiei que Victor tinha algo haver com isso. Pouco tempo depois, o ar no Bistrô Restaurante pareceu densificar-se no instante em que a porta da entrada abriu. Não era apenas a presença de um homem rico; era a grandiosidade de Victor Gouveia. Ele entrou trajando um preto absoluto, um corte de alfaiataria tão impecável que parecia não apenas vestir seu corpo, mas absorver toda a luminosidade do ambiente para si. Ao seu lado, a elegância de Sandra era quase coreografada. Ela flutuava pelo salão com a polidez de uma socialite nata. O gerente do hotel, ignorando qualquer outra prioridade, correu para atendê-los pessoalmente. Com uma reverência quase medieval, conduziu-os à mesa vizinha à nossa. Ao meu lado, senti o peso do silêncio de Gustavo. Meu marido, geralmente tão seguro de si, estava rígido como pedra. Eu conseguia ouvir sua respiração pesada, o pânico silencioso de quem acaba de ver o mundo colidir: seu chefe, o homem que detinha o poder sobre sua carreira, estava a poucos metros de distância. Gustavo jamais imaginaria encontrá-lo ali, naquela noite, naquele contexto. Mas enquanto Sandra desviava o olhar com uma elegância forçada, Victor fez exatamente o oposto. Ele não olhou para o meu marido. Não olhou para o vinho. Ele olhou diretamente para mim. Não era um olhar de flerte, nem de curiosidade casual. Era um olhar intenso, fixo, quase perturbador. Ele me observava como um mestre de xadrez que estuda o tabuleiro antes do xeque-mate. Havia uma promessa silenciosa ali, algo que dizia que ele sabia exatamente o que eu estava sentindo. Um arrepio gélido percorreu minha espinha, eriçando cada poro da minha pele. Eu o conhecia. Não pelas colunas sociais ou pelos relatórios anuais da sua empresa, mas pela alma. Nossas histórias eram espelhos distorcidos, moldados pela mesma dor silenciosa: a traição. O som suave de um piano ao fundo e o aroma de ervas finas pairando no ar. Mas, para Gustavo, o ambiente parecia ter ficado subitamente sem oxigênio. Eu observava a mesa ao lado e disse: — Gustavo, ali naquela mesa não é seu chefe com a esposa? Nesse momento, vi Gustavo afrouxar a gravata um pouco antes de me responder. O gesto foi automático, como se o colarinho tivesse encolhido dois números. — Sim, são eles. Só achei estranho o senhor Gouveia estar aqui essa noite. Ele é muito ocupado, reservado... não é muito visto em badalação. Ri e respondi com um toque de sarcasmo, achando graça daquela análise quase clínica: — Eles são casados, Gustavo. É normal estarem em um jantar romântico. A reação dele, porém, foi imediata e desproporcional. Gustavo inclinou-se para a frente, e num ímpeto de ciúmes que ele tentou sem sucesso disfarçar, disparou: — Isso é fachada. Ele praticamente negligência ela nesse casamento, só são vistos juntos em eventos importantes . Senti uma leve pontada de dor. A afirmação foi carregada de uma certeza que não combinava com o tom profissional de quem apenas observa o chefe de longe. Olhei fixamente para ele, deixando meu copo de água de lado. — Como você sabe que ela não o ama? Questionei, arqueando uma sobrancelha. — Ele faz todas as vontades da esposa, todos dizem que ele a idolatra. Gustavo ficou tenso. Ele desviou o olhar para o cardápio, as mãos levemente inquietas sobre a toalha de mesa. — É o que dizem na empresa, Isabel. Respondeu ele, a voz um tom mais baixa, tentando recuperar a compostura. — O comentário geral é que a Sandra casou por conveniência, sem amar o marido. Nada além de um contrato social. Ficamos em silêncio por alguns segundos. Olhei novamente para a mesa dos Gouveia. Sandra sorria, mas seus olhos pareciam procurar algo, ou alguém as vezes, meu marido. Voltei a encarar Gustavo, que agora parecia excessivamente interessado em seu prato, embora ainda não tivesse dado uma única garfada. — Estranho... Murmurei, observando o suor fino que brotava na têmpora do meu marido. — Você parece saber muito sobre os sentimentos dela para quem só ouve fofocas de corredor. Gustavo apertou o guardanapo de tecido, enquanto o Sr. Gouveia, do outro lado do restaurante, erguia uma taça em um brinde com a esposa.Ele puxou a jovem ao seu lado pela cintura, expondo-a como um troféu.— ...é Gabriela. Minha namorada.O insulto estalou no ar como um tapa. Meu sangue subiu à cabeça, e os meus lábios se abriram para responder, mas Victor foi mais rápido. Ele se levantou a metade do caminho, a mandíbula tão trincada que os músculos do seu rosto saltaram.— Charles... A voz de Victor baixou uma oitava, tornando-se perigosamente calma. — Creio que a única "qualquer" nesta sala é a mulher ao seu lado. Então meça muito bem as suas palavras antes de voltar a pronunciar o nome de Isabel.Um suspiro coletivo ecoou pelo salão. O ar ficou tão denso que parecia impossível respirar. O confronto físico parecia a um milímetro de acontecer. Antes que Charles desse o troco e o caos se instalasse de vez, a bengala de Dom Camilo bateu com força contra o piso.TOC!— Chega! Vociferou o velho, o olhar faiscando. — Não tolerarei baixarias na minha casa! Eu exigi um jantar de família em harmonia. Guardem a imbecilida
O eco dos nossos passos no mármore polido parecia anunciar algo inevitável. Quando finalmente alcançamos o imenso arco de entrada do salão principal, o mordomo Luiz deteve-se por um segundo, fez uma mesura impecável, impecável demais, como quem esconde o peso do que está prestes a presenciar, e inclinou levemente a cabeça.— Com licença, senhor. Voltarei ao meu trabalho.Murmurou com a voz baixa e neutra de quem já viu ruínas inteiras se erguere e caírem sob aquele mesmo teto.Ele se retirou em silêncio, desaparecendo pelas sombras do corredor. Na sala, porém, ninguém notou sua partida. Nem a nossa chegada.O ambiente estava impregnado pelo cheiro forte de perfumes caros, uísque envelhecido e o zumbido contínuo de conversas banais. A iluminação de cristal do lustre gigantesco projetava luz sobre um cenário que mais parecia um tribunal. Todos pareciam tão entretidos em suas próprias intrigas que éramos invisíveis.Até que Victor deu um passo à frente. Ele pigarreou com firmeza, cortan
Sustentei seu olhar, sentindo o peso do silêncio que nos cercava, e assenti devagar. Minha voz saiu firme, carregada de uma promessa que eu vinha repetindo para mim mesma em frente ao espelho como um mantra de sobrevivência.— Não se preocupe, Victor. Dessa vez, eu não vou te envergonhar.Afirmei, erguendo o queixo, sentindo um arrepio gélido percorrer minha espinha. — Não vou deixar ninguém pisar em mim. Eu vou provar que posso estar à sua altura... a altura da esposa que você precisa ao seu lado.Victor me encarou por um segundo interminável. Seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito, do tipo que calculava cada vitória antes mesmo de entrar no campo de batalha.---Os dias que antecederam o fim de semana pareceram passar como um borrão sufocante.Camila me visitou na mansão e sua empolgação foi total.— Amiga eu amei esse lugar, parece um castelos e você é a rainha.Eu ri da empolgação de Camila. Quando o sábado finalmente despontou, o ar daquela noite parecia pesado, quase
Assim que o café da manhã finalmente terminou, uma refeição em que quase precisei de um mapa para achar os talheres corretos. Victor vestiu seu paletó sob medida, deu aquele aceno sutil e partiu para o todo-poderoso Grupo Gouveia. Eu, por minha vez, peguei minhas coisas e me mandei para o meu escritório de arquitetura, rezando para que a rotina mantivesse meus pés no chão.Pura ilusão, porque a manhã passou feito um furacão implacável.Exatamente no segundo em que sentei para almoçar, o celular na mesa começou a vibrar tanto que quase caiu no chão. O nome na tela? Camila.Atendi e nem deu tempo de dizer “alô”.— ISABEL! MEU DEUS, ISABEL! O grito dela no alto-falante quase estourou meu tímpano direito. — Isabel, eu já me mudei! Estou instalada no apartamento que você me deu! Nossa, amiga, que absurdo é esse?! Isso não é um apartamento, é um palácio! Eu nunca vi tanto luxo na minha vida! Tem torneira dourada, amiga! DOURADA! Eu tô me sentindo a própria herdeira europeia. Vou contrata
O primeiro raio de sol atravessou suavemente a fresta das cortinas, desenhando um feixe dourado sobre o lençol. Abri os olhos bem devagar, sentindo o peso gostoso do sono se dissipar. Estiquei os braços em uma preguiça demorada e, por instinto, deslizei a mão para o lado da cama em busca do calor do seu corpo.Nada de Victor ali.O colchão ao meu lado já estava frio. Victor devia ter se levantado de bem cedo para resolver as intermináveis pendências do Grupo Gouveia. Um pequeno suspiro escapou dos meus lábios. Eu sabia que ele era um homem de negócios, sempre muito ocupado.Esfreguei os olhos com as costas das mãos e me sentei na borda da cama, sentindo o corpo inteiro responder a cada movimento. Havia um cansaço bom, uma dor sutil nos músculos e uma sede imensa. Em um segundo, a lembrança da noite anterior me atingiu em cheio: as mãos dele firme na minha cintura, os sussurros ao pé do ouvido, a intensidade de cada toque. Senti meu rosto arder imediatamente, tomado por uma onda irrepr
Continuamos do mesmo jeito por vários minutos, movendo nossos corpos apenas o suficiente, mas, ao mesmo tempo, parecia completamente longe de ser o bastante. Uma de suas mãos desliza até minha lombar, e a outra vai para a parte de trás da minha cabeça. Ele segura um tanto do meu cabelo e dá uma leve puxada, até minha garganta ficar exposta à sua boca._ Adoro esses seus cabelos longos.Considerando que ele está em vantagem devido à nossa posição. Suas mãos estão livres para perambular por todo meu corpo. Assim que os seus dedos encontram o local exato que normalmente me faria gritar seu nome, seguro seus ombros com mais força e reposiciono os joelhos para ter mais controle sobre meus movimentos.Quero que ele seja tão torturado nas minhas mãos quanto estou sendo nas dele.Assim que me reposiciono e consigo descer ainda mais o corpo sobre o dele, o ritmo lento desaparece. Sua boca encontra a minha num beijo descontrolado e furioso... com mais desejo e força do que qualquer beijo de an







