登入No caminho, o cabelo de Maia tinha sido puxado e despenteado pelos galhos, e a chuva tinha encharcado os fios, que grudavam, desordenados, no rosto sem cor dela. Ela mantinha o olhar frio e cruel cravado na trilha à frente, cortando a mata como um fantasma saído do inferno.Naquele momento, ela só tinha um pensamento na cabeça: encontrar Ivone, encontrar Fabiano.Quando Maia limpou com a mão a água da chuva que pingava dos galhos direto no rosto e se preparou para seguir em frente, ela de repente ouviu atrás de si o estalo de um galho seco se partindo debaixo de um pé.Ela engatilhou a arma. Maia apertou o cabo da pistola e girou o corpo de uma vez só, sem imaginar que veria duas silhuetas bem conhecidas saindo do meio das árvores.Os três ficaram frente a frente, e o ar ao redor pareceu ficar pesado.Maia manteve o rosto gelado.— Você ainda está viva? — Um deboche saiu da garganta de Douglas.Douglas não tinha imaginado que a filha bastarda daquele velho pervertido, o Caçador, tivess
Quando Davi encontrou o olhar de Ivone, que trazia um quê de dúvida, ele ajeitou de leve a aba do capuz dela e explicou:— Te tirar de Uíge não foi uma ideia de hoje. Já fazia tempo que eu queria te mandar embora.Ivone ficou surpresa por um instante.A expressão de Davi ficou séria. Ele virou a cabeça e fez um sinal para que Bendinho ficasse atento a qualquer movimento ao redor.Em seguida, ele colocou um par de óculos de visão noturna no rosto de Ivone. Ele a encarou com aqueles olhos, daquele tipo que faz sucesso tanto com as mulheres quanto com os gays, o olhar carregando uma sombra mais profunda.— Três anos atrás, eu já devia ter te tirado desse lugar cheio de encrenca. — Disse ele.Assim, Ivone não teria passado três anos se desgastando com Fabiano. Ela teria saído de Uíge para fazer o que ela quisesse, para se tornar a pessoa que ela queria ser.Mas, ainda bem, ela finalmente tinha acordado para a realidade. Ainda não era tarde demais.Ivone conhecia Davi desde o jardim de infâ
Aquilo não era o mais importante.Bendinho precisava tirar Ivone dali antes que Fabiano chegasse.Bendinho apertou com força a arma que ele segurava e manteve o corpo totalmente escondido na sombra para que Fabiano e os outros não vissem ele. Como a claridade ali ainda estava razoável, ele tirou os óculos de visão noturna. O olhar dele ficou preso em Ivone, e a expressão no rosto dele ficou mais séria do que nunca.— A senhora quer aproveitar e sair de Uíge? — Perguntou ele.Ivone ficou sem reação por um instante, e o coração dela disparou de repente. Sair de Uíge? Aquele pensamento, que sempre tinha estado enraizado dentro dela, foi puxado de volta sem aviso, deixando-a brevemente atordoada.Quando ela recobrou o foco, ela virou o rosto e olhou para o outro lado da mata. Foi então que ela notou um pequeno corte no dorso da mão de Bendinho.Aquele machucado tinha sido feito no dia anterior, quando ela foi cozinhar para Cássio. Bendinho tinha ajudado na cozinha e tinha levado uma espeta
Fabiano abaixou o corpo e pegou a arma caída no chão. A chuva já tinha encharcado o metal, e, quando ele segurou, ele não sentiu nenhum traço de calor.As juntas dos dedos de Fabiano estavam esbranquiçadas de tanta força, tremendo de tensão. Com um único olhar, ele reconheceu a arma que ele mesmo tinha entregado para Ivone.Agora há pouco, Ivone tinha usado exatamente aquela arma para dar cobertura para ele. Os tiros tinham sido rápidos, precisos, diretos. Era exatamente o estilo que ele, na época em que usava o nome Cássio, tinha ensinado pessoalmente para ela.Qualquer pessoa com um pouco de noção via na hora que ela tinha atirado para proteger ele.Mesmo que aqueles homens fossem gente que ele conseguiria derrubar sem dificuldade, no instante em que Ivone puxou o gatilho, alguma coisa explodiu no peito dele de um jeito descontrolado.A ponto de Fabiano ter ficado com uma pressa quase desesperada de ver ela, de "dar uma bronca" nela, de perguntar se ela tinha ideia do tamanho do risc
Quando Enzo pensou nisso, o olhar dele ficou afiado como o de um falcão, fixo no tronco grosso da árvore em frente. Fabiano e a mulher dele estavam escondidos exatamente atrás daquela árvore.Em questão de velocidade no gatilho, do outro lado estava Fabiano. Pouquíssima gente conseguia acompanhá-lo. Mesmo assim, uma chance de prender Fabiano, ainda que por pouco tempo, naquele pedaço de mata, era algo raríssimo.No começo, o plano de Douglas era sequestrar Ivone e, dia após dia, mandar para Fabiano um órgão do corpo dela, só para torturá-lo.Mas agora Douglas tinha mudado de ideia. Ele já não tinha mais paciência para brincar de gato e rato com Fabiano.O acerto de contas pelo tiro do Natal, Douglas tinha que cobrar com juros diretamente em cima de Fabiano.Atrás do tronco, depois de dizer para Ivone "se esconde direitinho", Fabiano se lançou com um movimento rápido e preciso para trás de outra árvore ao lado. Ele ergueu a arma e, de repente, atirou em outra direção da mata.A bala ras
Na mata, Ivone estava protegida nos braços de Fabiano. A água da chuva escorria pelo rosto dele até o queixo e pingava no casaco impermeável que ela vestia.O som das gotas batendo no casaco, ploc, ploc, acompanhava o ritmo dos batimentos do coração dela.Fabiano segurava a arma com uma mão e, com a outra, acariciava a nuca dela.— Você está com medo? — Perguntou em voz baixa.— Hã? — Ivone ergueu o rosto para olhar para ele, bem na hora em que uma gota d’água escorreu do queixo do homem.A gota quase caiu no rosto dela, mas a mão de Fabiano saiu da nuca dela e afastou a água com o dorso.— O seu coração está batendo muito rápido. — Comentou Fabiano.— Tenho medo de quê? — Ivone levantou o queixo e olhou direto dentro dos olhos profundos dele. — Tenho medo de você não conseguir vencer o Enzo?O olhar de Fabiano ficou tão escuro que parecia não ter fim. Ele cerrou os dentes de repente e deu um meio sorriso.Aquele sorriso deixou Ivone um pouco aérea. Ela não se lembrava quando já tinha






