เข้าสู่ระบบNa trilha da montanha, Fabiano caminhava em passos largos na direção de Davi e Ivone.As botas de trilha dele arrastavam nas pedras soltas, fazendo um som áspero e contínuo. O sangue escorria por entre os dedos dele e pingava nos degraus de pedra.Em volta, só havia seguranças armados. Uma lua em meia‑lua pairava sobre o topo do morro e, acima da crista, um helicóptero de combate sobrevoava, travando um confronto intenso.Mas estava claro que os homens de Douglas já tinham perdido a vantagem. Aquela batalha parecia prestes a chegar ao fim.Ivone aproveitou a brecha para arrancar a mão da de Davi e o empurrou para trás. Ela ergueu o rosto, os olhos ainda vermelhos, para encarar Fabiano. Ele tinha realmente pensado em matar Davi instantes antes.— O que é que você quer, afinal? — Gritou Ivone.Davi foi empurrado para trás por ela, mas logo deu dois passos à frente de novo e agarrou o braço dela, querendo colocá‑la atrás de si. Só que, no momento em que a mão dele encostou nela, ele senti
O homem que saiu da mata não era outro senão Gael.Gael usava, assim como Davi, roupas práticas para trilha e botas de montanha. Talvez por causa da névoa que se espalhava entre as árvores, o ar em volta das sobrancelhas e dos olhos dele parecia mais frio do que de costume.Fabiano, porém, não demonstrou nem um pouco de surpresa com a aparição dele. Ele e os homens ao redor sabiam que havia mais gente escondida na floresta. E só podia ser gente da família Braga. Só assim Davi teria coragem de provocá‑lo daquele jeito, sem medo nenhum, bem na frente dele.Mas Fabiano também sabia que, mesmo que não houvesse uma equipe emboscada na mata, Davi ainda assim iria enxugar as lágrimas de Ivone na frente dele e segurar a mão dela.Fabiano tinha visto naquele sorriso entre dentes de Davi, carregado de raiva, uma vontade de posse que não dava mais para esconder. Era o desejo de um homem por uma mulher. Ele tinha percebido isso fazia muito tempo.Davi é que tinha de agradecer por Ivone nunca ter o
Davi nem chegou a ter tempo de atirar. Ele já tinha sido derrubado pelos seguranças de elite de Fabiano.— Baixem as armas! — O rosto de Ivone ficou lívido enquanto ela encarava Fabiano. — Manda os seus abaixarem as armas. Eu não quero ninguém apontando arma para o Davi.Fabiano viu Ivone, tomada pelo desespero, sair de trás de Davi e se colocar na frente dele, usando o próprio corpo para protegê‑lo.Na mente de Fabiano, passou como um raio a lembrança de quando, na mata, ela tinha ignorado o perigo e atirado para dar cobertura para ele.Então ela também sabia proteger os outros.— Ele quer te tirar de Uíge. — Os olhos escuros de Fabiano ficaram ainda mais pesados, cheios de sombras. — Ele quer te tirar de perto de mim.O pomo de adão de Fabiano desceu devagar, e a voz rouca dele saiu meio presa:— É isso mesmo?Os seguranças que estavam com ele sentiram um leve aperto no peito.Ivone não fazia ideia de que, assim que Fabiano tinha concluído que ela não tinha sido sequestrada, mas que
Quase no mesmo instante em que aquela voz soou, todo mundo se virou ao mesmo tempo. Só Ivone ficou parada no lugar, com as pernas pesadas como se estivessem cheias de chumbo, incapaz de dar um passo.Aquela voz familiar, quase fantasmagórica, entrou pelos ouvidos dela.Ivone só sentiu um zumbido tomar conta de tudo. O sangue pareceu correr ao contrário e voltar com força para o coração. O órgão tremeu num baque seco, deixando cada nervo dela tensionado.Aquela voz…"Ele conseguiu me alcançar tão rápido assim?"— Pra onde ela vai não diz respeito a você. — Davi disparou.Davi mal teve tempo de reagir e já puxou Ivone para junto do corpo dele. Ele esticou a mão e apertou os dedos dela. Como ele já esperava, os dedos de Ivone estavam frios como a mão de um cadáver.Davi empurrou Ivone mais para trás do corpo dele, ergueu o queixo e lançou um olhar gelado para o homem do outro lado.— Você, um canalha que falsifica certidão de casamento para enganar os outros, acha mesmo que tem moral para
No caminho, o cabelo de Maia tinha sido puxado e despenteado pelos galhos, e a chuva tinha encharcado os fios, que grudavam, desordenados, no rosto sem cor dela. Ela mantinha o olhar frio e cruel cravado na trilha à frente, cortando a mata como um fantasma saído do inferno.Naquele momento, ela só tinha um pensamento na cabeça: encontrar Ivone, encontrar Fabiano.Quando Maia limpou com a mão a água da chuva que pingava dos galhos direto no rosto e se preparou para seguir em frente, ela de repente ouviu atrás de si o estalo de um galho seco se partindo debaixo de um pé.Ela engatilhou a arma. Maia apertou o cabo da pistola e girou o corpo de uma vez só, sem imaginar que veria duas silhuetas bem conhecidas saindo do meio das árvores.Os três ficaram frente a frente, e o ar ao redor pareceu ficar pesado.Maia manteve o rosto gelado.— Você ainda está viva? — Um deboche saiu da garganta de Douglas.Douglas não tinha imaginado que a filha bastarda daquele velho pervertido, o Caçador, tivess
Quando Davi encontrou o olhar de Ivone, que trazia um quê de dúvida, ele ajeitou de leve a aba do capuz dela e explicou:— Te tirar de Uíge não foi uma ideia de hoje. Já fazia tempo que eu queria te mandar embora.Ivone ficou surpresa por um instante.A expressão de Davi ficou séria. Ele virou a cabeça e fez um sinal para que Bendinho ficasse atento a qualquer movimento ao redor.Em seguida, ele colocou um par de óculos de visão noturna no rosto de Ivone. Ele a encarou com aqueles olhos, daquele tipo que faz sucesso tanto com as mulheres quanto com os gays, o olhar carregando uma sombra mais profunda.— Três anos atrás, eu já devia ter te tirado desse lugar cheio de encrenca. — Disse ele.Assim, Ivone não teria passado três anos se desgastando com Fabiano. Ela teria saído de Uíge para fazer o que ela quisesse, para se tornar a pessoa que ela queria ser.Mas, ainda bem, ela finalmente tinha acordado para a realidade. Ainda não era tarde demais.Ivone conhecia Davi desde o jardim de infâ







