로그인Helena Meses depois, a casa estava completamente transformada. Na parede principal, havia fotografias. Uma delas era do nosso primeiro jantar em família. Outra era de Luna no parque. Outra mostrava Noah tentando fazer panquecas. E outra mostrava nós três depois da pintura. Estávamos cobertos de tinta. Rindo. Aquela fotografia virou minha favorita. Porque ninguém estava posando. Ninguém estava tentando parecer perfeito. Éramos apenas nós. Certa manhã, Luna perguntou: — Mamãe? — Sim? — Essa é nossa casa? Olhei para ela. — Sim. — Nossa mesmo? — Nossa. Ela sorriu. — Então posso escolher a cor do meu quarto? Noah apareceu atrás dela. — Não. Luna fez uma careta. — Por quê? — Porque você vai escolher rosa brilhante. — E daí? Olhei para Noah. — Deixa ela escolher. Ele suspirou. — Estou perdendo. — Está. Luna comemorou. — Mamãe é melhor! — Ei! Comecei a rir. Naquela tarde, pintamos o quarto dela. Rosa. Exatamente
Helena Certa noite, uma tempestade começou. O céu ficou escuro. A chuva bateu contra as janelas. Luna acordou assustada. — Mamãe! Fui até o quarto. — Estou aqui. Ela se agarrou a mim. — O barulho. — É só a chuva. Um trovão forte fez as janelas vibrarem. Luna chorou. Noah entrou. — Ei, princesa. Ela olhou para ele. — Pai. — Estou aqui. Ele sentou na cama. — Quer saber um segredo? Ela assentiu. — A casa é mais forte do que a tempestade. — Tem certeza? — Absoluta. Ele mostrou a janela. — Olha. A chuva continuava. — A gente está aqui dentro. — E está seguro? — Sim. Luna respirou fundo. — Então fica comigo? — Fico. Ele deitou ao lado dela. Eu sentei do outro lado. Os três ficamos juntos. Até que Luna dormiu. Olhei para Noah. — Você percebeu? — O quê? — Ela não perguntou se podia ficar aqui. Ele sorriu. — Porque ela sabe que pode. Meu coração apertou. Aquilo era um lar. Na manhã seguinte, o céu esta
Helena Durante muito tempo, eu achei que um lar fosse apenas um lugar. Uma casa com paredes. Uma porta que pudesse ser trancada. Uma cama onde alguém pudesse dormir. Um endereço para onde voltar. Eu estava errada. Um lar era muito mais do que isso. Eu só descobri quando finalmente parei de sentir que precisava estar preparada para fugir. Naquela manhã, acordei com o cheiro de café. Abri os olhos lentamente. Noah não estava ao meu lado. Por alguns segundos, o antigo reflexo apareceu. Meu coração acelerou. Onde ele estava? Por que havia saído? Alguma coisa tinha acontecido? Então ouvi uma risada no corredor. A voz de Luna. — Pai, não é assim! Sorri. Levantei-me. Aquele pequeno susto desapareceu. Porque agora eu sabia. Noah não tinha desaparecido. Ele estava com nossa filha. Saí do quarto e encontrei os dois na cozinha. Luna estava tentando preparar alguma coisa. Noah segurava uma tigela. — Bom dia — falei. Os dois se viraram. — Bom dia, mamãe! — Luna corr
Helena Encostei a cabeça em seu peito. O coração dele batia calmamente. — Você ainda tem medo? — Tenho. — De quê? — De perder você. Levantei a cabeça. — E o que você faz com esse medo? — Lembro que você está comigo porque quer. Sorri. — Essa é a resposta certa. Na manhã seguinte, acordamos com Luna pulando na cama. — Pai! Noah abriu os olhos. — O que foi? — Eu tive uma ideia. — Isso é perigoso. Ela riu. — Vamos fazer café da manhã juntos! Noah olhou para mim. — Você ouviu? — Ouvi. — Parece uma armadilha. Luna puxou o braço dele. — Vamos! Fomos para a cozinha. Luna tentou quebrar ovos. Um caiu no chão. Noah tentou salvar. Derrubou farinha. Eu comecei a rir. Em poucos minutos, a cozinha parecia um desastre. Mas ninguém se importou. Luna colocou farinha no nariz de Noah. Ele revidou. Ela gritou. Eu tentei separar os dois. Acabei com farinha no cabelo. E rimos. Muito. Quando finalmente terminamos, a mesa e
Helena No caminho, Luna cantava. Noah dirigia. Eu estava no banco ao lado. A música tocava baixo. E ninguém falava sobre problemas. Ninguém falava sobre Rafael. Ninguém falava sobre Eduardo Moretti. Ninguém falava sobre empresas. Naquela manhã, não precisávamos. Quando chegamos, Luna saiu correndo. — Pai! — Estou indo! Ele correu atrás dela. Eu fiquei observando. Um sorriso apareceu involuntariamente. Noah voltou alguns minutos depois. — Ela tem energia demais. — Você está ficando velho. Ele levou a mão ao peito. — Isso foi cruel. — Verdade. Ele riu. Sentamo-nos em um banco. Luna brincava alguns metros à frente. — Quando foi a última vez que fizemos isso? — perguntei. — O quê? — Nada. Ele pensou. — Talvez nunca. — Exatamente. Eu olhei para o parque. Famílias caminhavam. Crianças brincavam. Casais conversavam. Pessoas passeavam com cachorros. Tudo era comum. E, justamente por isso, parecia extraordinário. —
Helena Naquela noite, ele guardou o desenho que Luna havia feito. Era uma imagem simples. Três pessoas de mãos dadas. Helena. Luna. Noah. Embaixo, escrito com letras infantis: Minha família. Ele ficou olhando para o desenho durante muito tempo. — Posso colocar no meu escritório? Luna assentiu. — Pode. — Vou colocar na parede. — Para todo mundo ver? — Para todo mundo ver. Quando finalmente fomos dormir, Noah colocou o desenho na mesa de cabeceira. — Você sabe que não precisa guardar tudo que ela faz, não é? — Preciso. — Por quê? — Porque um dia ela vai crescer. Ele olhou para o desenho. — E eu quero lembrar de quando ela me chamou de pai pela primeira vez. Sorri. — Você nunca vai esquecer. — Nunca. Ele se deitou. Segurei sua mão. — Noah? — Sim? — Ela escolheu você. Ele me olhou. — Eu sei. — Não porque você é perfeito. — Ainda bem. — Mas porque você esteve presente. Ele beijou minha mão. — E vou continuar. Na







