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CAPÍTULO 121

Autor: Euridce
last update Data de publicação: 2026-09-06 23:40:17
Noah

Durante anos, eu acreditei que todo inimigo deixava uma marca.

Um rosto.

Um nome.

Uma assinatura.

Um motivo.

Eu estava errado.

Os inimigos mais perigosos não precisavam aparecer.

Eles podiam permanecer escondidos.

Podiam sentar-se ao seu lado em uma reunião.

Apertar sua mão.

Elogiar seu trabalho.

Dizer que estavam preocupados com você.

Enquanto, pelas suas costas, destruíam tudo aquilo que você havia construído.

Depois da descoberta sobre Daniel, eu já não confiava em ninguém.
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  • CICATRIZES INVISÍVEIS    CAPÍTULO 143

    Helena Encostei a cabeça em seu peito. O coração dele batia calmamente. — Você ainda tem medo? — Tenho. — De quê? — De perder você. Levantei a cabeça. — E o que você faz com esse medo? — Lembro que você está comigo porque quer. Sorri. — Essa é a resposta certa. Na manhã seguinte, acordamos com Luna pulando na cama. — Pai! Noah abriu os olhos. — O que foi? — Eu tive uma ideia. — Isso é perigoso. Ela riu. — Vamos fazer café da manhã juntos! Noah olhou para mim. — Você ouviu? — Ouvi. — Parece uma armadilha. Luna puxou o braço dele. — Vamos! Fomos para a cozinha. Luna tentou quebrar ovos. Um caiu no chão. Noah tentou salvar. Derrubou farinha. Eu comecei a rir. Em poucos minutos, a cozinha parecia um desastre. Mas ninguém se importou. Luna colocou farinha no nariz de Noah. Ele revidou. Ela gritou. Eu tentei separar os dois. Acabei com farinha no cabelo. E rimos. Muito. Quando finalmente terminamos, a mesa e

  • CICATRIZES INVISÍVEIS    CAPÍTULO 142

    Helena No caminho, Luna cantava. Noah dirigia. Eu estava no banco ao lado. A música tocava baixo. E ninguém falava sobre problemas. Ninguém falava sobre Rafael. Ninguém falava sobre Eduardo Moretti. Ninguém falava sobre empresas. Naquela manhã, não precisávamos. Quando chegamos, Luna saiu correndo. — Pai! — Estou indo! Ele correu atrás dela. Eu fiquei observando. Um sorriso apareceu involuntariamente. Noah voltou alguns minutos depois. — Ela tem energia demais. — Você está ficando velho. Ele levou a mão ao peito. — Isso foi cruel. — Verdade. Ele riu. Sentamo-nos em um banco. Luna brincava alguns metros à frente. — Quando foi a última vez que fizemos isso? — perguntei. — O quê? — Nada. Ele pensou. — Talvez nunca. — Exatamente. Eu olhei para o parque. Famílias caminhavam. Crianças brincavam. Casais conversavam. Pessoas passeavam com cachorros. Tudo era comum. E, justamente por isso, parecia extraordinário. —

  • CICATRIZES INVISÍVEIS    CAPÍTULO 141

    Helena Naquela noite, ele guardou o desenho que Luna havia feito. Era uma imagem simples. Três pessoas de mãos dadas. Helena. Luna. Noah. Embaixo, escrito com letras infantis: Minha família. Ele ficou olhando para o desenho durante muito tempo. — Posso colocar no meu escritório? Luna assentiu. — Pode. — Vou colocar na parede. — Para todo mundo ver? — Para todo mundo ver. Quando finalmente fomos dormir, Noah colocou o desenho na mesa de cabeceira. — Você sabe que não precisa guardar tudo que ela faz, não é? — Preciso. — Por quê? — Porque um dia ela vai crescer. Ele olhou para o desenho. — E eu quero lembrar de quando ela me chamou de pai pela primeira vez. Sorri. — Você nunca vai esquecer. — Nunca. Ele se deitou. Segurei sua mão. — Noah? — Sim? — Ela escolheu você. Ele me olhou. — Eu sei. — Não porque você é perfeito. — Ainda bem. — Mas porque você esteve presente. Ele beijou minha mão. — E vou continuar. Na

  • CICATRIZES INVISÍVEIS    CAPÍTULO 140

    Helena Naquela tarde, Luna decidiu que precisava contar para todo mundo. Primeiro, ligou para uma amiga. Depois, contou à professora por mensagem. Depois, falou para a vizinha. E finalmente anunciou durante o jantar: — Agora eu tenho um pai. Noah quase engasgou. Eu ri. — Você está bem? — Estou. Luna olhou para ele. — Você não gostou? — Gostei. — Então por que está vermelho? — Porque seu pai é tímido. Ela riu. Depois do jantar, Luna foi para o quarto. Eu fiquei na cozinha com Noah. Ele estava olhando para a mesa. — O que você está pensando? — Que eu não mereço isso. Franzi a testa. — Isso o quê? — Ser chamado de pai. Aproximei-me. — Por quê? — Porque não fui eu quem esteve com ela desde o começo. — Mas você está agora. — Isso não apaga o que você fez por ela. — Eu não preciso que apague. Ele olhou para mim. — Helena... — Noah, ser pai não é uma competição. Ele permaneceu em silêncio. — Você não precisa apagar ning

  • CICATRIZES INVISÍVEIS    CAPÍTULO 139

    Helena Existem palavras que parecem pequenas. Palavras que cabem em uma única frase. Mas algumas carregam o peso de uma vida inteira. Naquela manhã, eu ainda não sabia que uma dessas palavras mudaria Noah para sempre. Pai.**** O domingo amanheceu tranquilo. Depois de meses de tensão, escândalos, ameaças e descobertas, nossa casa finalmente parecia respirar. Luna estava no jardim. Noah preparava o café da manhã. Eu observava os dois pela janela da cozinha. Ele estava tentando fazer panquecas. Tentando. Porque algumas estavam queimadas. Outras tinham formatos que não deveriam existir. E Luna parecia estar se divertindo mais com os erros dele do que com o café. — Essa parece um dinossauro — ela disse. Noah olhou para o prato. — Isso era para ser uma estrela. — Não parece. — Você poderia fingir. — Não. Ele começou a rir. — Você é muito honesta. — A mamãe diz que eu tenho que falar a verdade. Olhei para eles. — E ela está certa. Noah apontou para mim. — Está ve

  • CICATRIZES INVISÍVEIS    CAPÍTULO 138

    Helena Algumas semanas depois, tivemos nossa primeira grande discussão desde o início da reconstrução. Foi por causa da investigação. Noah queria contratar uma equipe de segurança adicional. Eu não queria. — Não preciso de mais pessoas me seguindo. — Não é sobre seguir você. — Parece. — Helena, você está sendo investigada por pessoas que não conhecemos. — E você quer controlar cada movimento meu novamente? Ele ficou em silêncio. Aquela frase doeu. Eu sabia. Mas precisava dizê-la. Ele respirou fundo. — Não. — Então? — Eu estou com medo. A sinceridade me desarmou. — Eu também. Ele se aproximou. — Mas não quero transformar meu medo em uma prisão para você. Fiquei em silêncio. — Podemos encontrar um meio-termo. Ele assentiu. — Podemos. E encontramos. Segurança discreta. Nada de vigilância constante. Nada de decisões sem meu consentimento. Foi uma pequena vitória. Mas foi nossa. Certa manhã, encontrei uma carta sobre minha mes

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